Estudantes de Engenharia Civil da Uniube fazem mobilização em função de mudanças no projeto pedagógico do curso

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Insatisfeitos com mudanças no projeto pedagógico do curso de Engenharia Civil da Universidade de Uberaba (Uniube), em Parauapebas, estudantes do 8º período da graduação fizeram uma mobilização na noite desta quinta-feira (18), na Faculdade Metropolitana, local onde o curso é oferecido.

O estudante Edrisse Pajeú conta que a principal mudança imposta pela instituição [e que os alunos não aceitam] é a substituição da aula presencial, realizada uma vez na semana na Faculdade Metropolitana, por apenas vídeo-aulas. Além disso, segundo ele, outros itens que constam no contrato do curso não estão sendo cumpridos pela instituição, como a efetivação de oficinas, palestras, seminários e visitas técnicas, práticas e laboratoriais.

Estudantes[1]

“Queremos que a Uniube cumpra com o projeto pedagógico que consta no contrato. O produto que nós compramos em 2012 está totalmente modificado. A universidade está pensando apenas nela, está tendo dificuldade de contratar profissionais na região e, por conta disso, vai mudar todo o projeto pedagógico. O pior é substituir o professor em sala de aula por vídeo-aulas. Pagamos para ter o professor no polo, por esse diferencial, e estamos perdendo isso”, alega Edrisse.

Outros três alunos, Marcelo Rimê, Josenilo Marques da Silva e Renata Alexane Martins, observaram que se sentem lesados, visto que pagam uma mensalidade de R$ R$ 936,17 por um produto que não recebem. “A nossa maior preocupação é a saída do professor que nos orienta. Eu sou professor de matemática da rede pública e particular de ensino, e sei da importância de um professor em sala de aula. Pagamos mais de 900 reais, enquanto tem algumas concorrentes aí que cobram pelo mesmo curso o valor de 550 reais. Nós estamos numa situação difícil, pois falta pouco para a formatura e não podemos mudar para outra instituição” desabafa Marcelo.  

Reunião_com_os_estudantes[1]

Já o técnico em engenharia civil, Ivonaldo Amorim de Souza, aluno do curso, completa que os problemas na graduação iniciaram ainda no 3º período. “Na minha turma, por exemplo, começaram a chegar listas de frequência de laboratório, sendo que nenhum aluno frequentou o laboratório. Quando questionamos, fomos informados de que se não assinássemos a lista, os prejudicados seriam nós mesmos. Foi aí que começamos a perceber o descaso da Uniube, em parceria com a Metropolitana, com os alunos”, denuncia, completando que os estudantes vão acionar o Ministério Público para tentar reaver os direitos.

Reunião

Ainda na noite de ontem, os estudantes se reuniram com a coordenadora pedagógica regional da Uniube, Geni Roberta. No encontro, foi apresentada a nova metodologia, o que não convenceu os universitários. “O projeto pedagógico que contratamos prevê que os professores mestres e doutores, que são responsáveis por elaborar o nosso material didático, venham a Parauapebas para ministrarem palestras e aulas presenciais. Mas, isso não acontece e nunca aconteceu. Temos que ter aulas presenciais dialogadas com professores, consta em nosso contrato, assim como seminários, visitas técnicas. Disseram pra nós que essas atividades foram extintas e que as visitas são de responsabilidade dos alunos, mas, até onde eu sei, as visitas são feitas pela universidade em parceria com empresas”, lembra Ivonaldo.

Ele completa ainda que a turma está prestes a se formar, faltando apenas um ano e meio, e os alunos vão sair da faculdade “sem conhecer o que é uma obra”. Na avaliação dele, a instituição não está preocupada com o tipo de profissional que ela vai colocar no mercado.

Uniube e Metropolitana

Procurada para explicar a situação e comentar as denúncias dos estudantes, a coordenadora pedagógica regional da Uniube, Geni Roberta, não quis atender à reportagem, que a aguardou por mais de três horas na instituição.

Por outro lado, o diretor da Faculdade Metropolitana, professor Osir Afonso, reforçou que a Uniube é quem executa o projeto pedagógico do curso, sendo a Faculdade Metropolitana responsável apenas por oferecer toda a estrutura física, não cabendo à Faculdade, portanto, a missão de resolver a questão. “Esse é o modelo EAD [Educação a Distância] e essa situação não é bem assim como os alunos estão falando. As aulas vão continuar acontecendo, por meio de vídeo-aulas”, justifica.

Fotos: Jéssica Borges

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