Em Parauapebas, homoafetivos reclamam de banheiro exclusivo para eles

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Instalação de um terceiro banheiro em bares e outros estabelecimentos em Parauapebas tem sido visto com ressalvas por alguns membros da comunidade LGBT no município. O que deveria ser um conforto, é visto pela classe como discriminação.

LGBT - Ana Cristina Carmona Ana Cristina Carmona, residente na Rua Araguaia, Bairro da Paz, em Parauapebas, líder do movimento de LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis) e do Instituto Abrace a Diversidade, diz à reportagem do CORREIO DO TOCANTINS que a disponibilização de banheiros exclusivos em boates e outros locais destinados à categoria é uma ofensa à classe de homoafetivos.

Em sua avaliação, mesmo que ela admita ser lésbica, ela não usaria um banheiro que tivesse na porta a inscrição LGBT, “porque eu sou mulher, independentemente de minha opção sexual. Da mesma forma é um gay não assumido”.

O problema surgiu em Parauapebas porque algumas mulheres heterossexuais vêm reclamando a presença de homossexuais usando as toaletes femininas em bares, restaurantes e casas noturnas, situação que viria provocando constrangimentos às mulheres.

LGBT - Banheiro GLBTTTalvez pensando em resolver este problema, o dono de uma boate em Parauapebas construiu banheiros destinados a mulheres, homens e LGBT, mas Cristina Carmona discorda da iniciativa, por considerá-la discriminativa, uma forma de exclusão.

A líder do movimento pró-homoafetivo lembra que em alguns grandes centros do país casas noturnas criaram banheiros para homens, mulheres e LGBT, mas essa ação foi recusada pela categoria, “pois é uma discriminação, e agora inventaram isso em Parauapebas”, reclama.

Com relação aos travestis, Cristina Carmona diz que, por lei, eles podem e devem usar o banheiro feminino, porque a orientação sexual deles é feminina, e por isso seriam constrangidos e até humilhados se usassem o banheiro destinado aos homens.

“As mulheres têm que entender que eles estão vestidos com trajes femininos, pensam e agem como mulher e suas orientações sexuais são femininas”, justifica Carmona, acrescentando que dia desses numa casa noturna do Bairro da Paz um travesti amigo dela foi agredido fisicamente por um segurança do estabelecimento por ter usado o banheiro feminino.

Indagada pela reportagem sobre a quantidade de lésbicas, gays, bissexuais e travestis existentes em Parauapebas, Ana Cristina Carmona informou que a cidade conta com cerca de mil pessoas publicamente assumidas.

Na opinião da comerciante Vanete Pereira, mulher homossexual deve usar o banheiro masculino, enquanto o homossexual masculino deve utilizar o espaço destinado às mulheres, “porque o que está em questão é a natureza humana”, completa.

“Eu mesma já presenciei travesti usando o banheiro junto comigo, mas nenhum deles me desrespeitou, exibindo a genitália, até porque eles mijam agachados, igual a nós, mulheres”, conta Vanete Pereira.

LGBT - DJ Lobato Ouvido pela reportagem, Antônio Carlos Lobato Medeiros, o popular “DJ Lobato”, da boate Pirâmide, ratifica que a casa noturna construiu uma toalete exclusiva para GLBTT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais), mas garante que o espaço é opcional, usa quem se enquadrar na categoria.

“Nos três anos de existência de nossa boate, sempre fomos elogiados em poder proporcionar um espaço privado para quem quiser usá-lo, mas se alguém ou algum movimento ou entidade se sentir ofendido, estamos abertos ao diálogo para reverter a situação”, frisou o DJ Lobato, dizendo-se surpreso com a reação da líder do movimento pró-homoafetivo.

Reportagem e fotos: Ronaldo Modesto;

Redação: Waldyr Silva.

Nota do Blogger:
Parabenizo aqui a equipe do Jornal Correio do Tocantins em Parauapebas, que foi quem divulgou em primeira mão a matéria sobre os banheiros LGBT no município. Pode até parecer estranho à primeira vista um banheiro alternativo em bares e boates, todavia, a comunidade LGBT local não tem do que reclamar. Em Parauapebas, até onde se sabe, não há um conceito de discriminação contra a classe e jamais ouvi dizer que tenha ocorrido algum tipo de constrangimento em locais públicos.

Fica uma pergunta: os banheiros alternativos não  deveriam ter critérios técnicos de organização e utilização por gênero (masculino e feminino), e não por orientação sexual (heterossexual, homoafetivo, entre outros). Os registrados sobre o sexo masculino fazem suas necessidades fisiológicas de um jeito, já os do sexo feminino, de outro. Mulheres precisam de mais vasos, homens de menos vasos sanitários e mais mictórios. E por ai vai…

Reclamar de discriminação não me parece a melhor forma da líder LGBT em Parauapebas mostrar sua luta pela classe. Cobrar melhores banheiros alternativos seria mais vantajoso para todos. Um discurso que promovesse à uma reexaminação e reflexão sobre aquilo que sabemos sobre o sexo deveria ser, em minha opinião, a preocupação da líder.

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