Parauapebas

Voz ao leitor: engenheiro sanitarista comenta possíveis problemas relacionados ao cemitério desativado em Parauapebas

O leitor Roginaldo Rebouças Rocha, que é engenheiro sanitarista e civil com especialização em gestão ambiental e em engenharia geotécnica, funcionário público do município de Parauapebas fez pertinente comentário sobre …

O leitor Roginaldo Rebouças Rocha, que é engenheiro sanitarista e civil com especialização em gestão ambiental e em engenharia geotécnica, funcionário público do município de Parauapebas fez pertinente comentário sobre o post “Última morada dos pioneiros de Parauapebas virou um imenso matagal“. O engenheiro acrescenta alguns aspectos técnicos que devem ser levados em conta pela gestão quanto a possível contaminação do lençol freático e adequações previstas em resoluções dos órgãos competentes em relação aos cemitérios existentes. Confira o que comentou Roginaldo, ao qual o Blog desde já agradece pela valorosa contribuição.

“Também quanto a este tema cabe acrescentar, sob o aspecto técnico, que cemitérios como qualquer obra que altere as características do meio ambiente, afetando assim as condições naturais do solo e das águas, neste caso as subterrâneas, são obras que necessitam de obediência de uma série de requisitos, tais quais:

 – Resolução CONAMA 335/2003;

 – Resolução COEMA 110/2013;

 – Resolução CONAMA 402/2008.

Todas elas estabeleceram um prazo máximo de até 2010 para se adequar os cemitérios já existentes (o que não foi até hoje seguido), entre outros instrumentos legais.

Portanto, temos que considerar neste momento que mesmo já estado há vários anos já sem uso propriamente dito, lá ainda é um ponto de ocorrência de contaminação, que seja no solo ou na águas, através da saponificação (quebra das gorduras corporais e a liberação de ácidos graxos), composto de elevada acidez que caracteriza o retardo na decomposição dos corpos. O tipo de urnas e seus materiais também representa origem de contaminação; e ainda, no solo, os resultados oriundos da decomposição dos corpos que tenham passado por processos de tratamento por meios de emissão de radiação e produtos utilizados para dar maior conservação dos corpos (formol, embalsamento, etc..) que com decorrer do tempo são liberados. Citaria um conceito adicional o de NECROCHORUME.

Doenças relacionadas a cemitérios

Cito a existência de estudos que apresentam uma íntima relação quanto ao aspecto ambiental que relacionam riscos de certos tipos de patologias à pessoas moradoras de áreas vizinhas aos cemitérios, uma doença bastante citada é conhecida por “Doença do Bebê Azul”, que tem relação com consumo de água com elevados teores de Nitrato, o que se torna comum em áreas próximas de cemitérios.

Finalizando, seria importante que os órgãos municipais envolvidos possam, como parte desse processo de total desativação do referido cemitério, isto pela retirada dos ossos e demais resíduos, como caixões e etc, que seja realizado um amplo estudo na referida região, contemplando a análise do aquífero quanto ao abastecimento dos poços lá existentes, bem como a análise do solo, para assim dirimir essas questões e resguardar a população.

Um comentário em “Voz ao leitor: engenheiro sanitarista comenta possíveis problemas relacionados ao cemitério desativado em Parauapebas

  1. Eleutério Gomes Responder

    Esse é um aspecto realmente muito grave em relação aos cemitérios, sobretudo os que ficam em áreas residenciais urbanas. Aqui em Marabá, onde o Cemitério Jardim da Saudade está localizado na Folha 29, no Núcleo Nova Marabá, o assunto rendeu um livro de autoria do sindicalista Manoel Rodrigues, mais conhecido como Manoel da Cosanpa, que alertou a respeito da contaminação dos lençóis freáticos. Graduado em Ciências Naturais com ênfase em Biologia, ele fez um exame detalhado da situação e sobre o perigo que representa essa contaminação para a saúde pública. Lamentavelmente, nem sempre – ou quase nunca – esse tipo de alerta tem a repercussão e a atenção devidas!

Deixe seu comentário