Em julho “mais ou menos”, indústria do Pará tem menor crescimento do país

No comparativo entre julho deste ano e do ano passado, estado tomba 7,5%; no acumulado de janeiro a julho, queda é de 2%; e para período de 12 meses corridos, um “rombinho” de 0,7%.
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A atividade industrial paraense foi a que cresceu em ritmo menos acelerado entre 15 locais checados para a Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física (PIM-PF) Regional, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As informações foram levantadas pelo Blog do Zé Dudu, que analisou o levantamento divulgado na manhã desta quarta-feira (9) pelo órgão oficial de pesquisas.

Dos 15 locais pesquisados, 12 apresentaram crescimento em julho em relação a junho, e o Pará teve o mais tímido (2,1%). Outros três locais demonstraram recuo na atividade industrial no confronto de um mês para outro. A produção variou, no geral, de alta de 34,5% no Ceará a baixa de 4,2% no Mato Grosso. O Brasil cresceu a uma taxa de 8% em relação a junho, mas acumula perdas no ano em razão, fatalmente, da pandemia de coronavírus, que levou à paralisação da economia nos meses mais duros, entre março e junho.

No Pará, a produção de julho deste ano despencou 7,5% no comparativo com julho do ano passado. No país, a queda registrada é de 3%. Já no acumulado de janeiro a julho o estado registra perda de 2%, enquanto o país retraiu em 9,6%. Quando analisados 12 meses corridos, o Pará cai levemente 0,7%, ao passo que a queda nacional é de 5,7%.

Extração mineral derruba produção

O peso da indústria extrativa de minério de ferro é preponderante para o desempenho do Pará nas estatísticas mensais do IBGE e lança luz sobre a queda na produção do estado. O Blog do Zé Dudu cruzou dados do instituto com os do Ministério da Economia para buscar entender as razões pelas quais a produção física encolheu. E não há muito segredo.

De janeiro a julho deste ano, o Pará produziu 95,43 milhões de toneladas de minério de ferro, principal e mais pesado produto da cesta estadual. No ano passado, no mesmo período, foram 96,43 milhões de toneladas, escoradas pela contribuição da operação de Serra Leste, em Curionópolis, que embora, menos robusto em relação aos empreendimentos de Canaã dos Carajás e Parauapebas, hoje, paralisado, faz diferença. Com a suspensão da Serra Leste, os primeiros setes meses deste ano deixaram de contabilizar 2,01 milhões de toneladas de minério de ferro. É uma carga muito maior, por exemplo, que o valioso cobre que sai de Marabá e Canaã dos Carajás.

De janeiro a julho, a produção de minério em Parauapebas foi de 51,7 milhões de toneladas contra 55,34 milhões de toneladas no ano passado. O maior produtor dessa commodity no país está desacelerando o passo, estrategicamente, para dar espaço à participação de Canaã dos Carajás, que viu a lavra saltar de 39,08 milhões de toneladas nos sete primeiros meses do ano passado para 43,73 milhões de toneladas este ano. Canaã encontra-se em pleno avanço da capacidade de produção e deve expandi-la a partir da próxima década.

O Pará também produz outros recursos minerais de importância estatística para a balança, bem como itens derivados da indústria de transformação, alimentos, bebidas, produtos de madeira e de celulose. Mas nenhum faz o volume deles.