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Pará

PF fecha cartel de manganês e prende vereador e empresários do Pebas-Curionópolis

Federais cumpriram hoje 24 mandados de prisão preventiva e 29 de busca e apreensão. Em Marabá, empresas da Vila União também foram “visitadas”

Um verdadeiro cartel de criminosos operava na região sudeste do Pará, entre os municípios de Curionópolis, Parauapebas, Marabá e Eldorado do Carajás na extração e comercialização ilegal de manganês. Pelo menos é esta a conclusão a que chegou a Polícia Federal, após vários meses de investigação. O resultado foi a Operação Migrador, desencadeada nesta terça-feira, dia 6, com 111 mandados judiciais em Curionópolis, Parauapebas, Marabá, Eldorado do Carajás, Salvador (BA) e Vila Velha (ES): 24 de prisão preventiva, 29 de busca e apreensão, 52 bloqueios de contas bancárias e sequestros de bens e seis ordens de suspensão de atividades de empresas investigadas.

Entre os presos estão o empresário Sidney Carlos Osterman, o Macarrão, que tem depósito de madeira e mineradora em Parauapebas; Sérgio Osterman, irmão de Macarrão. Outro empresário da Capital do Minério, conhecido como Tiaguinho da Favorita, também foi preso.

Em Curionópolis, o escândalo foi a prisão do vereador Edimar Pereira da Silva, conhecido como Júnior da Mariona (PPS), também acusado de envolvimento no cartel do Manganês.

A Reportagem do Blog também levantou, junto a fontes na Vila União, que pelo menos duas empresas que operavam na clandestinidade naquela região foram “visitadas” pela PF nesta terça-feira. Não foram confirmadas prisões nesta localidade.

Voltando ao empresário Sidney Carlos Osterman, o Macarrão, ele é velho conhecido da Polícia Federal. No ano passado, durante a Operação Concisor, que objetivava coibir crimes ambientais no Estado, os agentes foram ao escritório da Madeiras Rio Verde, de sua propriedades, e de lá levaram computadores e documentos, além de ele ter sido conduzido coercitivamente para prestar esclarecimentos.

O delegado Ricardo Viana, chefe da Delegacia de Polícia Federal em Marabá, disse hoje em entrevista que foram criadas empresas para que pudessem obter determinadas licenças e, a partir delas, o minério pudesse ser exportado. Com o avanço das investigações, porém, foi descoberto que a maior parte dessa documentação das empresas foi obtida de forma fraudulenta, inclusive, com falsificação de licenças de operação. “Eles extraiam manganês de determinada área para a qual não tinham autorização e “esquentavam” o minério com a autorização que havia sido emitida para a exploração em área diferente. Ou seja, nunca tiraram uma pedra da área para a qual foi emitida a licença”, revelou Viana.

Em relação ao transporte do manganês, o delegado explicou que as investigações aponta que havia uma cobrança sistemática de valores por parte de servidores públicos, para que esse minério pudesse sair da região de Serra Pelada e Vila União (em Marabá) e fosse até o Porto de Barcarena para que, de lá, chegasse a vários destinos internacionais. “O prejuízo é de forma diversa, desde o minério extraído sem autorização, com autorização, mas que não recolhe os tributos municipais, estaduais nem federais e os danos ambientais causados são enormes” destaca.

Segundo o delegado Viana, uma das pessoas presas nesta terça-feira é responsável pela segunda ou terceira maior mina de manganês do País. “É muita coisa. O prejuízo alcança a casa dos R$ 87 milhões. A estrada de Serra Pelada, no final do dia, parecia a Avenida Paulista, tamanho o trânsito de caminhões. Essa ação foi imperativa, tínhamos de fazer, porque da forma como estava não dava para continuar. Muita gente ganhando muito dinheiro à custa de poucos”, enfatizou Ricardo Viana.

Canaã dos Carajás

Semma intercepta carga de minério extraído irregularmente em Canaã

Denúncia anônima indicou o local em que estava sendo extraído o minério

Por meio de denúncia anônima, neste sábado (22), fiscais da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) chegaram até uma área localizada na Vila Planalto, a 17 quilômetros de Canaã dos Carajás. No local, uma escavadeira hidráulica, dois caminhões, uma prancha e um basculante trabalhavam initerruptamente na extração de minério sem qualquer autorização e fiscalização de órgãos responsáveis. Já carregado de minério, basculante se preparava para deixar o local quando foi interceptado pelos fiscais. Interrogado, Bento Alves, motorista, disse que foi contratado por um homem identificado como Haroldo para realizar o frete.

O homem, de 50 anos, disse ainda que não sabia para quem estava prestando o serviço, apenas estava desempregado e precisava trabalhar. “Eu estava desempregado e um rapaz, de nome Haroldo, me procurou perguntando se eu tinha o interesse em fazer duas diárias. Não sei quem é o dono do caminhão e nem de onde estão retirando as pedras minerais, Só ia fazer mesmo o transporte.”

Bento e o maquinário foram levados para a Delegacia de Polícia Civil, onde ele foi ouvido e liberado. Carga e máquinas continuam apreendidos. Um dos veículos é de propriedade de uma empresa identificada como Transmarques Locação e Transporte e, até o fechamento desta reportagem, os proprietários ainda não haviam sido localizados.

O motorista, que mora em Parauapebas, disse ainda que não havia recebido o valor combinado pelo serviço prestado e que inclusive teve de pedir ajuda para voltar para casa. “Me dei mal. Não ganhei nenhum centavo e ainda pedi um dinheiro emprestado pra ir embora pra casa”, lamentou.

Marabá

Mineradora será convocada para explicar sobre sinterização do manganês em Marabá

Mineração Buritirama pretende expandir seus negócios no município, mas Câmara quer discutir condicionantes

Durante a sessão ordinária desta quarta-feira, dia 8 de agosto, o vereador Tiago Koch falou aos presentes sobre a necessidade de a Câmara convocar os representantes da Mineração Buritirama para uma reunião com o objetivo de apresentarem o projeto de sinterização de minério de manganês, que exploram na Vila União, zona rural de Marabá.

O projeto de expansão, segundo lembra o vereador, foi iniciado em meados de 2010, quando a Buritirama construiu uma unidade de sinterização de minério de manganês na cidade de Barcarena, onde possuía as licenças prévias e de instalação, porém nunca conseguiu as de operação.

Mais recentemente, foi noticiado que a referida mineradora objetiva desmobilizar a planta que está em Barcarena e trazê-la para a planta industrial da mina, na Vila União, em Marabá. Diante dessa proposta, Tiago Koch pede que a Câmara faça a intermediação e discussão com a empresa, para que sejam discutidas com a comunidade não apenas as condicionantes ambientais, mas também as sociais e estruturais, visto que a Vila União não dispõe de sistema de abastecimento de água, rede de esgoto não existe em nenhuma residência e os equipamentos públicos e de lazer são mínimos, além da dificuldade que há de capacitação de mão de obra. “Além de pedirmos a contratação de mão de obra da própria vila para a implantação do projeto, solicitamos formação técnica das pessoas que moram lá para atuarem de forma permanente e em boas posições quando iniciar a operação”, diz Tiago.

O vereador Alecio Stringari, que também reside na zona rural, mais precisamente na Vila Capistrano de Abreu, elogiou a propositura do colega Tiago Koch e colocou-se à disposição para ajudar a viabilizar a reunião com representantes da Buritirama e espera, também, que boa parte dos empregos para esta unidade seja gerada lá mesmo na região da Vila União.

SAIBA MAIS

O projeto prevê a criação de 400 empregos diretos na implantação – que deverá durar 16 meses – e 100 diretos quando as operações iniciarem, fora os empregos indiretos na prestação de serviços. A Buritirama comercializa seus produtos nos mercados nacional e internacional, que tem em seu processo de beneficiamento mineral a utilização apenas de água como agente para a concentração dos minérios de manganês.

A Buritirama produz anualmente 150 mil toneladas de manganês e prevê a duplicação da produção para 300 mil toneladas/ano, além da planta de sinterização ora em discussão.

A sinterização é um processo no qual o minério compactado é submetido a temperaturas elevadas, criando uma alteração na estrutura microscópica do elemento base. Sua finalidade é obter uma peça sólida coerente.

Ulisses Pompeu – de Marabá
minério

Centaurus Metals se esquiva de Audiência Pública e caixa-preta da Serra Misteriosa continua lacrada

DNPM revela, entretanto, que no local das pesquisas há indicativos de jazidas de cobre e ouro
Por Eleutério Gomes – de Marabá

A Centaurus Metals, mineradora australiana que faz pesquisas na Serra Misteriosa, território entre Marabá e Novo Repartimento, se esquivou da Audiência Pública promovida na manhã desta sexta-feira (27), na Câmara Municipal de Marabá, apesar de ter confirmado presença. De última hora, por meio de seus representantes, alegou ao vereador Ilker Moraes Ferreira (PHS), que presidiu a reunião, que a pesquisa não acontece em território marabaense e sim no solo de Novo Repartimento. A audiência tinha o objetivo de esclarecer os moradores daquela região, sobretudo da Vila Josinópolis, sobre o que vem ocorrendo na área há cerca de um ano.

Segundo relatos dos moradores, eles estão apreensivos com a movimentação dos técnicos que, munidos apenas da autorização do DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral) para a realização da pesquisa, agem como se o documento lhes abrisse todas as portas: entram em áreas particulares sem pedir licença ou explicar o que estão fazendo ali, perfuram, viram e mexem, sem explicação alguma.

Ilker Moraes lamentou a ausência da mineradora e, ao Blog, declarou que vai continuar tentando esclarecer à sociedade sobre as pesquisas da Centaurus e seguirá vigilante quando ao assunto, uma vez que, presente à audiência, o superintende do DNPM, Carlos Botelho, afirmou que na área pesquisada, segundo informações preliminares, há considerável concentração e ouro e cobre.

Botelho disse que o DNPM também não tem muitas informações, porque a Centaurus ainda não entregou ao órgão o relatório da primeira expedição de pesquisa. Ele explicou que a mineradora requereu, no final de 2016, autorização para pesquisa com duração de três anos, ao longo dos quais seriam feitos 19 furos de sondagem.

Até o momento, ainda de acordo com Botelho, já foram feitos nove furos de sondagem, numa área de 5 quilômetros, na tentativa de detectar ouro. Depois, segundo detalhou, vem a fase de ensaio do material retirado, quando a mineradora vai avaliar a possibilidade de execução do projeto de extração mineral.

Após os três anos de pesquisa e, na possibilidade de haver jazida, com o projeto aprovado pelo DNPM, a mineradora terá um ano para requerer o alvará e apresentar o plano de aproveitamento econômico, demonstrando que é viável, para, então aprovar a Licença de Operação.

E é nesse momento que, alerta Carlos Botelho, a população envolvida tem de estar atenta para os impactos que a exploração vai causar e cobrar as condicionantes. “Mesmo que a jazida seja em Novo Repartimento, vai impactar Marabá”, alerta o superintendente do DNPM.

Participaram ainda da audiência Lafaiete Bentes, presidente da Comissão Estadual de Assuntos Minerários da OAB-PA; Rodrigo Botelho, membro da Comissão de Assuntos Minerários da OAB-PA – Região de Carajás; Cláudia Chini, da OAB Subseção Marabá, os vereadores Irismar Melo, Tiago Koch, Mariozan Quintão, Frank Carreiro, Gilson Dias, além de sindicalistas e líderes comunitários da Vila Josinópolis.

Notícias

Vale substitui produção de minério menos competitiva após prejuízo

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A mineradora Vale deve substituir a produção de cerca de 22 milhões de toneladas de minério de ferro com menor qualidade e de maior custo neste ano, em meio ao cenário de preços baixos da commodity, afirmou nesta quinta-feira o diretor-executivo de Ferrosos da companhia, Peter Poppinga, comentando o prejuízo bilionário registrado no primeiro trimestre.

O executivo, no entanto, explicou que a interrupção da produção de minas menos competitivas será realizada ao mesmo tempo em que a companhia entrega nova capacidade no Sul e na Serra Leste, de cerca de 32 milhões de toneladas de minério.

“32 milhões menos 22 milhões (de toneladas de produção de minério), nós estamos aumentando 10 milhões de toneladas de um ano para o outro, em tese. Estamos com 330 milhões ano passado passando para 340 milhões neste ano”, afirmou Poppinga, em teleconferência com analistas para comentar os resultados do primeiro trimestre.

A maior produtora de minério de ferro do mundo registrou prejuízo líquido de 9,538 bilhões de reais no primeiro trimestre de 2015, terceiro trimestre consecutivo de perdas para a companhia, em meio a uma queda nos preços da commodity para mínimas em vários anos.

Poppinga e o presidente da Vale, Murilo Ferreira, ponderaram que irão operar de acordo com a lógica de mercado.

“Se o mercado demandar, nós estamos preparados para reduzir alguns fluxos de produção no Sul e no Sudeste para, além disso, otimizar e aumentar as nossas margens ainda mais”, afirmou Poppinga. “A capacidade vai existir, a utilização dessa capacidade nós vamos fazer de uma forma bastante racional.”

Ferreira disse que a Vale “tem minas de custos mais altos e que certamente podem ser ajustadas no decorrer do tempo”. Segundo o presidente, há cerca de 30 milhões de toneladas de capacidade que passam atualmente por uma análise.

“Mas isso não significa que vamos fechar 30 milhões de toneladas, nada disso, significa que elas estão sempre sob uma análise mais profunda”, afirmou.

Por diversas vezes, Poppinga e Ferreira frisaram o grande esforço que a companhia está fazendo com foco na redução de custos, para enfrentar o cenário de preços baixos.

Depois de serem parabenizados por alguns analistas em relação à redução dos custos de produção, em relatórios publicados por bancos e durante a coletiva, Ferreira afirmou que a empresa ainda não está satisfeita com os resultados.

As ações preferenciais da Vale operavam em queda de cerca de 2 por cento, às 12h15, enquanto o Ibovespa caía 0,13 por cento no mesmo horário.

Fonte: Reuters