Terminou há pouco a primeira sessão da 7ª Legislatura da Câmara Municipal de Parauapebas, assim como a sessão de posse do prefeito, vice e vereadores.
O que se viu por lá foram ânimos exaltados em torno da eleição do presidente da casa para o biênio 2013/2014. Duas chapas foram apresentadas, encabeçadas por Professor Josineto (PSDC) e Pavão ( PTB).
Logo mais publicarei post sobre a posse, agora pretendo me debruçar a contar os fatos ocorridos durante a discussão para a eleição da nova mesa diretora.
Abertos os trabalhos de escolha da mesa, o vereador pavão, pela ordem, solicitou ao vereador Odilon Rocha de Sanção, que presidia a mesa dos trabalhos por ser o mais velho dos vereadores, uma suspensão da sessão pelo prazo de vinte minutos para que, segundo ele, fosse discutida uma nova versão da chapa apresentada.
Democraticamente, Odilon colocou a solicitação para que os vereadores decidissem se haveria ou não a suspensão. Houve empate em sete votos, ficando decidido através do “voto de minerva” do presidente que o prazo não seria dado e que a sessão continuaria.
Isto foi o bastante para que os vereadores que supostamente apoiavam a candidatura do vereador Pavão a presidência se revoltassem, alguns chegaram a acusar o então presidente de ditador. Os ânimos ficaram acalorados, a população que lotava o plenário se revoltou e como massa de manobra também começou a vaiar e xingar o vereador peemedebista.
Depois de muita discussão, acusações e até ameaças ( os vereadores Major da Mactra e Braz disseram ao vereador Odilon que havia terminado o tempo de ditadura naquela casa e que ele veria, no futuro, que as “coisas” por lá iriam mudar pois “essa casa agora tem vereador” ) foi estipulado um prazo de quinze minutos para que os vereadores discutissem um novo cenário.
Nos bastidores, o que se via era a tentativa do grupo de apoio ao candidato Pavão de cooptar o vereador Josineto para sua chapa, cedendo-lhe a presidência em troca da retirada dos nomes dos vereadores Odilon e Devanir na formação da mesa. Para seus lugares seriam inseridos os vereadores Braz e Irmão Luzinete.
Muito bate boca, invasão de pessoas alheias ao Legislativo e articulações depois os vereadores voltaram ao plenário e elegeram a chapa composta por Josineto (PSDC) como presidente, Arenes (PT) como vice-presidente; Odilon Rocha de Sanção (PMDB), como 1º secretário e Devanir Martins (PP) como 2º Secretário.
Para muitos foi a primeira derrota política do prefeito Valmir Mariano. Para outros, dizem, o prefeito não teve ingerência alguma nas chapas apresentadas. Josineto, apesar de compor sua chapa com vereadores eleitos por partidos que se opuseram ao PSD, foi eleito com o apoio de Valmir e até então continua na base aliada ao governo.
Fato curioso e que pode ter alguma repercussão política foi a mudança no cronograma da sessão. Em um primeiro momento estava previsto que prefeito e vereadores tomariam posse, o prefeito empossado apresentaria seu secretariado e depois concederia uma entrevista coletiva à imprensa que cobria a sessão. Não se sabe por qual motivo mas o anúncio do secretariado ficou para um outro momento, fato que gerou a especulação de que o PSDC, que foi contemplado com a Secretaria de Habitação, poderia perder a Secretaria se Josineto não retirasse seu nome da chapa apresentada. Josineto foi eleito, os secretários não foram anunciados mas, se haverá ou não mudança só o tempo dirá.
A polêmica sessão de hoje serviu para ratificar o poderio político de Odilon Rocha e Devanir Martins, os dois jurássicos edis mantiveram sob suas batutas o acordo pré-estabelecido, mostrando um grande poder de articulação. Serviu também para mostrar aos que agora chegam que o parlamento é o lugar correto para as discussões e que elas, em alguns momentos, podem ser acaloradas e até ríspidas, todavia, jamais se deve, no futuro, perder a ternura.
É preciso que os novatos tenham a consciência que a cada sessão interesses serão postos em jogo e que algumas vezes se ganha e em outras se perde. Aconselho aos mais intempestivos que doravante mantenham em seus gabinetes um bom estoque de maracujina para amansar a excitação e a ansiedade. Como diz o velho ditado: cautela e caldo de galinha nunca fez mal a ninguém!
Uma coisa não se pode negar. Populares, convidados e a imprensa simplesmente adoraram a sessão. Que venham outras!


