Condições de vida precárias revelam baixo acesso dos paraenses a bens

Os sem geladeira somam 804 mil pessoas e 28% dos imóveis são de chão batido, sem contar que 24% das casas ainda são de madeira. Atraso social é marca da maior economia do Norte.
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As mazelas que atormentam e atrasam o Pará saltam aos olhos em todas as mesorregiões do estado e vêm à tona a cada nova pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) exclusiva para tratar das condições de vida dos brasileiros revela que os paraenses estão no final da fila quanto à posse de alguns bens que são maciçamente presentes no dia a dia das sociedade economicamente ricas e socialmente desenvolvidas.

O Blog apurou que quatro bens, entre os mais comuns nos domicílios, empurram o Pará ao posto de um dos estados mais desiguais do Brasil. Carro e motocicleta estão longe de serem de uso universal por aqui, a máquina de lavar não está nem na metade das casas e nem mesmo a geladeira, o eletrodoméstico mais comum de todos, é para todo mundo.

De acordo com o IBGE, em 2019 o Pará era a Unidade da Federação com o menor percentual de geladeira nos lares. Enquanto em Santa Catarina apenas 0,4% dos domicílios não tinha esse eletrodoméstico, por aqui 8,9% das casas estavam sem. São 227 mil residências e 804 mil pessoas alheias a esse bem, um universo do tamanho da cidade de Ananindeua.

A presença de máquinas de lavar também é escassa e alcança apenas 32% dos lares, a 4ª pior proporção entre as 27 Unidades da Federação. Em Santa Catarina, campeão nacional, em cada 100 residências, 93,8 têm máquina de lavar ― não é tanquinho, é máquina mesmo. Santa Catarina também lidera em número de automóveis: de casa 100 casas, 74,8% têm um carro na garagem. No Pará, entretanto, só 21,6% da população têm essa comodidade, o 2º pior desempenho nacional.

Já as motocicletas estão em 31,2% dos lares paraenses, o que coloca o estado na 11ª posição nacional. Quando, porém, o assunto é carro e moto na garagem, o Pará cai para o 20º lugar, com 7,1% dos domicílios de posse desses bens, na lista encabeçada pelo Mato Grosso, onde 22,7% das casas guardam ambos.

Estrutura dos domicílios

As residências paraenses também estão entre as mais sem estrutura do país. Segundo o IBGE, 59,4% dos imóveis do Pará têm piso de cerâmica, a 5ª mais baixa proporção nacional. Ainda assim, 28% ainda estão no chão de cimento, sem piso, enquanto 10,2% habitam casas com assoalho de madeira e 2,3% moram em casas que usam formas diversas e improvisadas de piso. A cobertura por telhas está em 84,3% dos imóveis, enquanto a cobertura por laje alcança só 3,7%.

Além disso, as casas do Pará estão entre as piores quando se considera o critério de paredes de alvenaria com revestimento: só 65,8%, 5ª pior colocação. Por outro lado, o estado apresenta o 4º maior percentual de casas de madeira: 24%. Todos os indicadores revelam o equivocado caminho de progresso social tomado pela maior economia do Norte, que corre o risco de ostentar o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) na próxima rodada de medição do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) diante de sucessivas constatações tão ruins e abaixo da média.

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