Natural de Belém, com raízes familiares no município de Mocajuba, no nordeste do Pará, o professor Carlos Edilson de Almeida Maneschy é engenheiro mecânico, professor titular da Universidade Federal do Pará (UFPA) e uma das maiores referências da educação superior brasileira e da produção científica na Amazônia.
Graduou-se em Engenharia Mecânica pela UFPA, concluiu mestrado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e doutorado, além de pós-doutorado, pela University of Pittsburgh, nos Estados Unidos. Ao longo de sua carreira consolidou-se como pesquisador de destaque nas áreas de Engenharia Mecânica, Mecânica dos Sólidos, Modelagem Matemática, Simulação Computacional e Inovação Tecnológica, formando mestres, doutores e pesquisadores que hoje atuam em diversas instituições do Brasil.
Entre 2009 e 2016, exerceu dois mandatos consecutivos como reitor da UFPA. O período foi marcado pela consolidação da instituição como uma das principais universidades da Amazônia e do país, a partir da sua expansão, fortalecimento da pesquisa científica e ampliação da interiorização do ensino superior.
Em reconhecimento à sua liderança nacional, Maneschy presidiu a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (ANDIFES), participando dos principais debates sobre educação, ciência, tecnologia e inovação nacional.
Ele também exerceu importantes funções na administração pública, entre elas, como secretário de Ciência, Tecnologia e Educação Profissional e Tecnológica Estado do Pará, e ocupando a presidência da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa); da Fundação Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (Fadesp) e da Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Pará (Prodepa), além de ter sido diretor da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Foi ainda um dos idealizadores do Programa Forma Pará, considerado uma das mais importantes iniciativas de interiorização do ensino superior no estado.
Com sólida formação acadêmica, expressiva produção científica e ampla experiência em gestão universitária e administração pública, o professor Carlos Maneschy é reconhecido como uma das principais lideranças do ensino superior brasileiro e um defensor permanente da universidade pública como instrumento essencial para o desenvolvimento da Amazônia e do Brasil.
Em entrevista exclusiva ao Blog do Zé Dudu, ele responde às titulares cinco perguntas acerca da importância do ensino superior e da pesquisa científica para o desenvolvimento local, estadual e nacional.
- A educação superior é uma das principais bandeiras de sua trajetória acadêmica. Qual a importância da universidade para o desenvolvimento do Brasil e, especialmente, da Amazônia?
A educação superior é um dos pilares fundamentais para a construção de uma sociedade mais desenvolvida, democrática e socialmente justa. Não existe país que tenha alcançado elevados níveis de desenvolvimento econômico, científico e tecnológico sem investir de forma permanente na formação de seus cidadãos por meio de universidades fortes, públicas e de qualidade.
Ao longo da minha trajetória na Universidade Federal do Pará, sempre tive a convicção de que a universidade precisa estar profundamente conectada com a sociedade. Ela não deve apenas formar profissionais, mas cidadãos preparados para pensar criticamente, produzir conhecimento e contribuir para a transformação da realidade em que vivem.
Na Amazônia, esse compromisso é ainda maior. Precisamos ampliar o acesso ao ensino superior, fortalecer os campi do interior, incentivar a permanência dos estudantes e garantir que nossos jovens tenham oportunidades de estudar sem precisar deixar suas regiões de origem.
A universidade é também um espaço de produção de conhecimento, inovação, cultura e cidadania. Ela impulsiona o desenvolvimento regional, fortalece as políticas públicas e prepara as novas gerações para enfrentar os desafios de um mundo cada vez mais complexo e competitivo.
Investir na universidade é investir na liberdade, no conhecimento e no futuro do Brasil.
- Como você avalia o papel da ciência, da tecnologia e da inovação para o futuro do Pará e da Amazônia?
A ciência, a tecnologia e a inovação são hoje os principais motores do desenvolvimento das nações. São elas que impulsionam a economia, aumentam a competitividade, geram empregos qualificados e melhoram a qualidade de vida da população.
A Amazônia reúne uma das maiores riquezas naturais do planeta, mas essa riqueza precisa ser acompanhada pela produção de conhecimento. Precisamos transformar biodiversidade em bioeconomia, recursos naturais em inovação e pesquisa em desenvolvimento sustentável.
Sempre defendi que universidades, centros de pesquisa, empresas e poder público atuem de forma integrada para construir soluções inovadoras para os desafios da região. O Pará possui enorme potencial para liderar projetos estratégicos em energias renováveis, inteligência artificial aplicada ao desenvolvimento regional, biotecnologia, mineração sustentável e economia do conhecimento.
O século XXI será marcado pela capacidade das nações de produzir conhecimento. Quem investir em ciência e inovação estará preparado para gerar riqueza, oportunidades e qualidade de vida para sua população.
Nenhuma nação alcança protagonismo sem transformar conhecimento em desenvolvimento.
- Qual é a importância da pesquisa e da produção científica para o desenvolvimento do país?
A pesquisa científica é o instrumento que permite compreender os desafios da sociedade e construir soluções baseadas no conhecimento.
As universidades públicas brasileiras respondem pela maior parte da produção científica nacional. É nelas que se formam mestres, doutores, pesquisadores e profissionais altamente qualificados, que contribuem para o avanço do país em praticamente todas as áreas do conhecimento.
O Pará possui enorme potencial para liderar pesquisas em biodiversidade, mudanças climáticas, saúde, mineração sustentável, energias renováveis, agricultura, educação e desenvolvimento regional.
Precisamos fortalecer o financiamento da pesquisa, ampliar os programas de pós-graduação, incentivar a cooperação internacional e criar condições para que nossos jovens pesquisadores permaneçam produzindo conhecimento na Amazônia.
A pesquisa científica não beneficia apenas a comunidade acadêmica. Ela gera inovação, fortalece políticas públicas, melhora a qualidade de vida da população, impulsiona a economia e prepara o Brasil para competir em igualdade com as grandes nações.
A pesquisa é o caminho que transforma perguntas em soluções para a sociedade.
- Como formar profissionais capazes de liderar o desenvolvimento sustentável da Amazônia?
A Amazônia precisa ser protagonista do próprio desenvolvimento. Para isso, necessita formar profissionais altamente qualificados, comprometidos com a realidade regional e preparados para enfrentar os desafios sociais, econômicos, ambientais e tecnológicos que caracterizam nossa região.
As universidades amazônicas desempenham papel estratégico nesse processo. Elas conhecem a realidade local, desenvolvem pesquisas voltadas às necessidades da população e formam profissionais capazes de atuar tanto nas grandes cidades quanto nas comunidades mais distantes.
Defendo uma formação acadêmica baseada na excelência científica, no compromisso social, na inovação e na valorização da diversidade cultural amazônica. Precisamos estimular o empreendedorismo, fortalecer a pesquisa aplicada e aproximar cada vez mais a universidade da sociedade e do setor produtivo.
O desenvolvimento sustentável da Amazônia dependerá, acima de tudo, da capacidade de formar pessoas preparadas para transformar conhecimento em oportunidades.
O maior patrimônio da Amazônia não está apenas em sua floresta, mas na inteligência, na criatividade e no talento do seu povo.
- Qual deve ser o papel das universidades no desenvolvimento econômico e social do Pará?
As universidades são agentes fundamentais do desenvolvimento. Elas formam profissionais, produzem ciência, desenvolvem tecnologias, promovem inovação, fortalecem políticas públicas e estabelecem uma relação permanente com a sociedade por meio da extensão universitária.
No Pará, esse papel torna-se ainda mais relevante. Nossa diversidade ambiental, cultural e econômica exige soluções construídas a partir do conhecimento científico produzido na própria região.
As universidades devem atuar lado a lado com os governos, o setor produtivo e a sociedade civil para promover um desenvolvimento sustentável, gerar oportunidades para os jovens, fortalecer a economia, reduzir as desigualdades sociais e ampliar a inclusão.
Tenho plena convicção de que investir nas universidades significa investir diretamente no futuro do Pará. É por meio da educação, da ciência e da inovação que construiremos um estado mais competitivo, mais desenvolvido e socialmente mais justo, preparado para enfrentar os desafios do século XXI.
Fortalecer as universidades é fortalecer o Pará e construir um Brasil mais justo, competitivo e sustentável.
Produção e edição: Carlos Magno – Jornalista – DRT/PA 2627

