Vilmar Pereira da Silva Júnior é natural de Porto Nacional (TO), bacharel em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Tocantins (UFT) e pós-graduado em Saneamento Ambiental pela mesma instituição. No momento, ele cursa MBA em Gestão Empresarial, com ênfase em Saneamento, pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
Atua no setor de saneamento desde 2017, com experiência em projetos de Engenharia, Gestão de Perdas de Água e operação dos sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário. Ao longo da carreira, exerceu funções de supervisor, coordenador e gerente, liderando equipes multidisciplinares em operações no Tocantins e em Santa Catarina, sendo responsável por polos regionais e múltiplos contratos de concessão.
Vilmar faz parte do grupo Aegea Saneamento há quase cinco anos. Em julho de 2025, assumiu a Gerência Executiva de Operações da Águas do Pará na Regional Parauapebas. Responsável por 13 municípios, ele lidera as ações de operação, expansão e melhoria dos sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário.
- Qual é o seu maior desafio após a Aegea assumir o Serviço de Água e Esgoto de Parauapebas e Canaã dos Carajás?
O maior desafio tem sido acompanhar o crescimento urbano acelerado das duas cidades, que expandiram acima da média nacional, pressionando diretamente a infraestrutura de abastecimento.
Esse cenário exigiu reorganização operacional, modernização dos sistemas e ampliação da capacidade de produção e distribuição de água, partindo de uma realidade marcada por rodízios no abastecimento e baixa pressão em diferentes regiões. Além disso, as diferenças de relevo e ocupação urbana entre os bairros impõem desafios adicionais à operação, demandando soluções técnicas específicas.
Apesar disso, o trabalho vem avançando com planejamento e investimentos contínuos, com foco em ampliar a regularidade do abastecimento e evoluir gradualmente para um sistema mais estável e contínuo.
- Quais investimentos a concessionária está fazendo em Parauapebas e Canaã?
Os investimentos da Águas do Pará [nesses municípios] estão voltados principalmente para a reestruturação e ampliação dos sistemas de abastecimento de água, com foco em aumentar a capacidade operacional e melhorar a regularidade do serviço.
Em Parauapebas, as ações incluem ajustes em redes de distribuição, readequação de estações elevatórias, reforço da produção de água e intervenções em áreas com histórico de rodízio e baixa pressão. Como resultado desse trabalho, já foram eliminados rodízios em nove bairros, beneficiando mais de 17.500 moradores dos bairros Liberdade II, Novo Brasil, Jardim Canadá I e II, Maranhão I e II, Califórnia, Casa Branca e Chácara da Sol, que passaram a contar com abastecimento contínuo.
Também em Parauapebas, em março, a Águas do Pará concluiu a substituição da adutora de água bruta da ETA 02, implantando uma nova tubulação com 600 milímetros de diâmetro e 230 metros de extensão. A obra reforçou a segurança operacional do sistema de abastecimento e beneficia diretamente cerca de 30 bairros do município.
Em Canaã, o foco está na ampliação da oferta diante do crescimento acelerado do município, com estudos e implantação de novos poços, além de melhorias na distribuição. A concessionária também está em fase final de elaboração de um projeto que prevê mais de 13 mil metros de extensão de rede e a implantação de um booster, equipamento responsável por reforçar a pressão da água e melhorar a regularidade do abastecimento nas partes altas da cidade, reduzindo ocorrências de baixa pressão.
Os investimentos ocorrem de forma planejada e estruturada para modernizar os sistemas e avançar na universalização do abastecimento, com meta de ampliar o acesso à água de qualidade até 2033.
- Parauapebas recebeu algum tipo de retorno financeiro da Aegea ou do Governo do Estado pela estrutura do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Parauapebas (Saaep)?
Sim. O processo de concessão dos serviços de água e esgoto envolve o pagamento de outorgas previstas em edital e contrato. Esses valores representam uma contrapartida financeira pela concessão do direito de operar os serviços e são pagos pela concessionária ao poder concedente, conforme as condições estabelecidas no processo licitatório.
É importante destacar que o pagamento dessa outorga não significa a venda dos ativos. Toda a infraestrutura de saneamento permanece como patrimônio do Município.
Durante os 40 anos de concessão, a Águas do Pará será responsável pela operação, manutenção, ampliação e realização dos investimentos previstos. Ao término desse prazo, toda a infraestrutura existente, incluindo as melhorias executadas e os novos sistemas implantados, como redes, reservatórios e estações de tratamento, retorna ao patrimônio público municipal, integralmente modernizada.
- No contrato de concessão em Parauapebas há alguma cláusula referente ao passivo financeiro do Saaep, já que alguns investimentos anteriores à concessão ainda não foram pagos pelo município?
O contrato estabelece uma separação jurídica e financeira muito clara.
A Águas do Pará é responsável pela operação, manutenção e novos investimentos realizados estritamente a partir do início da operação, em 5 de janeiro de 2026. Eventuais pendências, passivos financeiros ou dívidas anteriores permanecem sob responsabilidade do antigo operador do serviço.
Da mesma forma que as dívidas dos antigos clientes com o Saaep não foram transferidas para a concessionária, os débitos anteriores da estrutura também não são incorporados pela empresa.
- Como ficará a política de reajuste das tarifas?
Os contratos de concessão preveem atualizações monetárias anuais reguladas e homologadas pela Agência de Regulação e Controle de Serviços Públicos do Estado do Pará (Arcon-PA), mas o grande diferencial da estrutura aprovada pelo Poder Concedente é o respeito à realidade local por meio de um período de transição de até cinco anos.
Como os 126 municípios paraenses apresentavam realidades tarifárias bastante distintas, foi realizado um estudo técnico conjunto entre a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e a Arcon-PA para criar mecanismos de transição, conhecidos como “colchões de amortecimento”. Na prática, isso significa que a chegada à tarifa contratual definitiva ocorrerá de forma gradual.
O objetivo é garantir a sustentabilidade dos investimentos em saneamento, promovendo a expansão e a melhoria dos serviços sem gerar impactos abruptos para a população.