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Brasília pode virar principal centro financeiro da América do Sul

A representação brasileira da UWI, com sede nos Estados Unidos, inicia conversações com o Governo do Distrito Federal. O intuito é dar à capital do país um complexo de investimentos …

A representação brasileira da UWI, com sede nos Estados Unidos, inicia conversações com o Governo do Distrito Federal. O intuito é dar à capital do país um complexo de investimentos de alto risco, considerando que o Brasil é a sexta economia mundial

A ideia de transformar o Distrito Federal no principal centro financeiro da América do Sul, defendida pelo governador Agnelo Queiroz durante missão internacional ao Oriente Médio, começou a atrair empresas interessadas em financiar o projeto. A United World Infrastructure do Brasil (UWI) quer investir, inicialmente, R$ 3 bilhões na construção de um complexo de pelo menos 1 milhão de metros quadrados, localizado em um raio máximo de 30km da área central de Brasília. A companhia quer trazer para o país grupos internacionais que aplicam recursos em capital de risco.

O presidente da UWI Brasil, Fernando Fantauzzi, explica que Brasília é a capital da sexta maior economia do mundo. A cidade passou por um processo de amadurecimento financeiro e democrático nos últimos anos, além de ter se tornado um porto seguro para investimentos de baixo risco. De acordo com ele, como o eixo Rio-São Paulo abriga um centro financeiro mais comercial, ainda há espaço para que o capital de risco se instale em outra localidade.

Fantauzzi cita o exemplo de Iskandar, no estado de Johor, na Malásia. A região de floresta tropical se transformou em um centro urbano moderno, a partir de investimentos de empresas, inclusive da UWI, com sede nos Estados Unidos. Foram construídos redes de saneamento básico, estradas, prédios, pistas e viadutos. Apenas em 2012, os investimentos somaram aproximadamente R$ 60 bilhões, dos quais 80% são da iniciativa privada.

As negociações entre o Executivo local e a companhia ainda estão em fase inicial, mas, caso uma parceria seja firmada, as obras de terraplanagem da área escolhida devem começar no primeiro bimestre de 2013. Segundo Fantauzzi, após a primeira etapa, o projeto será divido em fases e todo o complexo deverá ser concluído em 2018. “A empresa decidiu que essa obra deve ser executada em Brasília. Falta definir se será um investimento totalmente privado ou haverá participação do governo local. Mas todos os recursos para construção do complexo são da UWI. Também traremos parceiros interessados em investir em capital de risco”, completa.

Viabilidade

A possibilidade de transformar o DF em um polo de referência para investimentos de capital de risco foi bem recebida por especialistas. Para o professor de relações internacionais da Universidade Católica de Brasília (UCB) Creomar de Souza, um empreendimento como esse movimentará uma grande soma de recursos financeiros, criará mais empregos para os brasilienses, que poderão trabalhar diretamente na construção do complexo e nas atividades desenvolvidas posteriormente. “Brasília deixará de ter uma vocação apenas política e atrairá outras empresas vinculadas a esse modelo de negócios. Como os jovens daqui têm um bom nível de educação, serão absorvidos a partir da demanda que será criada. Agora, é importante definir a contrapartida do governo nessa empreitada e se a empresa tem capacidade para tocar o negócio”, comenta.

O doutorando em economia da Universidade de Brasília (UnB) Cesar Frade ressalta que o modelo de negócios que sucede à construção do complexo é baseado na captura de grandes ideias de quem não tem meios para tirá-las do papel. Na avaliação de Frade, essa metodologia será responsável por criar um número considerável de postos de trabalho. Segundo ele, investimentos como esse estão atrelados às inovações produzidas dentro de instituições de ensino e, nesse caso, professores e alunos da UnB podem se beneficiar. “Empresas como o Facebook e o Google cresceram a partir desse tipo de aporte de recursos. Os investidores se tornam sócios dos negócios e, o passo seguinte é a abertura do capital nas bolsas de valores.”

Três perguntas para Fernando Fantauzzi, presidente da United World Infrastruture do Brasil (UWI)

O que torna o país atrativo para investimentos em capital de risco?
O Brasil poderia ter vários Bill Gates (criador da Microsoft) e outros tantos Steve Jobs (fundador da Apple) se houvessem investidores que apostassem nas ideias. A criatividade dos brasileiros é reconhecida mundialmente e temos vários executivos daqui em empresas multinacionais de diversos segmentos de atuação na economia global.

Quais são as vantagens de se tornar um polo em capital de risco?
A cidade ganha ao entrar em um circuito fechado dos centros financeiros  e passa a ter um peso em todo cenário mundial. Parte dos investimentos é internacional. Além da infraestrutura, traremos um grupo de empresas para se instalar aqui. Toda essa movimentação ampliará a oferta de postos de trabalho, em diversos setores da economia local.

Como o Executivo local pode colaborar com esse trabalho?
Como o empreendimento é construído com recursos privados, o governo pode ajudar para acelerar os processos de concessões de licenças para viabilizar o empreendimento. Mas tudo é feito dentro da legalidade. A postura do Executivo tem sido bastante construtiva na medida em que prioriza projetos que somam de maneira significativamente para o DF.

Fonte: Correio Braziliense

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