Absolvido ex-vigilante que matou adolescente em Marabá

Albert Mousinho confessou o crime em 2017, mas alegou legítima defesa. Ele segue preso, entretanto, por tentativa de assalto ao Banco do Brasil, dias depois, porque tencionava fugir da cidade
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Causou revolta na comunidade do Bairro Amapá e, sobretudo na mãe e demais parentes da estudante Dara Vitória Alves da Silva, a absolvição, em julgamento ocorrido ontem, quarta-feira (26), do réu confesso Albert Pereira Mousinho. Ele foi absolvido por maioria de votos pelo corpo de jurados, da acusação de homicídio. E condenado apelas por ocultação de cadáver, cuja punição imposta foi de dois anos e seis meses em regime aberto, mas que foi substituída por duas penas de restrição de direitos. Já o amigo de Albert Mousinho, que o ajudou a ocultar o cadáver de Dara Vitória, Rendimar Souza Leite, foi absolvido.

A professora Milza Alves da Silva, mãe de Dara, está inconformada com o perdão dado Mousinho e pede justiça. Por meio do Facebook, ela fez um desabafo: disse que os moradores do [Bairro] Amapá “estão inquietos com a absolvição dos réus confessos”.

Albert Mousinho, entretanto, continua preso, acusado de ter tentando roubar a agência do Banco do Brasil da Transamazônica, onde trabalhava como vigilante, ao perceber que seria preso pelo assassinato de Dara Vitória. Com o dinheiro, caso tivesse conseguido seu intento, ele fugiria de Marabá.

Dara Vitória

Atuou na defesa dos dois réus, Albert e Rendimar, o defensor público Alysson George Alves de Castro. O julgamento foi presidido pelo juiz Alexandre Hiroshi Arakaki, titular da 3ª Vara Criminal do Fórum de Marabá. Na acusação, o Ministério Público sustentou que Dara Vitória, pelo porte físico, não tinha como se livrar do ataque do acusado. Tese essa derrubada pela defesa.   

O crime

Na denúncia oferecida pelo Ministério Público consta que, em 27 de agosto de 2017, um domingo, o então vigilante Albert Pereira Mousinho passava de moto por uma das ruas do Amapá, onde a adolescente morava, quando Dara Vitória, então com 16 anos de idade, fez sinal para ele, que parou enquanto ela montava na garupa.

Dara, ainda segundo os autos do processo, pediu para que Mousinho comprasse maconha a fim de que os dois consumissem a droga. Eles foram até um ponto de venda do entorpecente, adquiriram a erva e seguiram para a casa do vigilante.

Lá, fumaram, mantiveram relações sexuais e, segundo o vigilante, minutos depois ele foi surpreendido pela adolescente, que tentava tirar dinheiro da carteira dele e, ao ser flagrada, tentou feri-lo a faca. Albert Mousinho, então, conseguiu dominar a jovem, cuja compleição física era muito frágil, a colocou de bruços na cama e a asfixiou até a morte, conforme confessou em depoimento ao ser preso, na época do crime, ao mesmo tempo em que alegou legítima defesa.

No dia seguinte, com a ajuda de Rendimar Leite, Mousinho jogou o corpo da adolescente na ribanceira do Rio Itacaiúnas, lá mesmo no Bairro Amapá. A princípio, a polícia prendeu o namorado da adolescente como principal suspeito do assassinato. Porém, dias depois, imagens de câmeras de monitoramento mostraram que a garota havia seguido na moto do vigilante.

Por Eleuterio Gomes – de Marabá

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