30 anos do Massacre de Eldorado do Carajás: memória, luta e mais de 4 mil vozes por justiça no campo

Mobilização contou a participação de lideranças políticas, representantes do governo federal e movimentos sociais

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Eldorado do Carajás (PA) – Três décadas após um dos episódios mais trágicos da história recente do Brasil, a Curva do S voltou a ser palco de memória, resistência e mobilização popular. Nesta sexta-feira (17), mais de 4 mil trabalhadores rurais sem terra participaram de um grande ato em alusão aos 30 anos do Massacre de Eldorado do Carajás, reforçando a luta pela reforma agrária e por justiça social no campo.

A mobilização, organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), reuniu lideranças políticas, representantes do governo federal e movimentos sociais. A caminhada simbólica, que percorreu cerca de 30 quilômetros entre Curionópolis e Eldorado do Carajás, ocorreu de forma pacífica e sem registro de incidentes, reafirmando o compromisso dos manifestantes com a luta democrática por direitos.

Estiveram presentes a ministra do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiaveli, o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Cesar Aldrighi, além de parlamentares como o deputado estadual Dirceu ten Caten e o deputado federal Airton Faleiro. Também participou o superintendente regional do Incra no sudeste do Pará, Andreyk Maia.

Durante o ato, as autoridades destacaram a retomada das políticas públicas voltadas ao campo. Sob o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) foi recriado, o Incra fortalecido e programas de reforma agrária voltaram a ganhar prioridade. Segundo os organizadores, essas ações têm contribuído para a redução dos conflitos e das mortes no campo desde 2023.

O deputado Dirceu ten Caten enfatizou que a luta atual é pela pacificação no campo e pela garantia de direitos básicos: acesso à terra, crédito, habitação rural e condições dignas de produção. Já o representante do Incra destacou que lembrar o massacre é também reforçar a necessidade de políticas estruturantes que assegurem o assentamento de famílias e a produção agrícola sustentável.

O resgate histórico

O Massacre de Eldorado do Carajás ocorreu em 17 de abril de 1996, quando uma operação da Polícia Militar do Pará resultou na morte de 21 trabalhadores rurais sem terra. O episódio chocou o país e o mundo, tornando-se um símbolo da violência no campo e da urgência da reforma agrária no Brasil.

À época, o então presidente Fernando Henrique Cardoso determinou o envio de tropas federais à região e cobrou a responsabilização dos envolvidos. O caso teve repercussão internacional e levou à criação do Assentamento 17 de Abril, formado nas terras desapropriadas da Fazenda Macaxeira, como forma de resposta estatal à tragédia.

Memória e compromisso com o futuro

Trinta anos depois, o ato na Curva do S reafirma que a memória das vítimas permanece viva. Para os participantes, lembrar o passado é essencial para evitar novos episódios de violência e garantir que a reforma agrária avance como política de Estado.

A mensagem central do evento ecoou entre os presentes: “Lembrar para que nunca mais aconteça.” A defesa de um campo mais justo, produtivo e pacífico segue como bandeira de milhares de brasileiros que veem na reforma agrária não apenas uma pauta social, mas um caminho para o desenvolvimento e a segurança alimentar do país.

Carlos Magno
Jornalista – DRT/PA 2627