VASCO : Cristóvão caiu!

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Por Sidney Rezende
Cristóvão Borges caiu. Não resistiu à atual situação em que se encontra o combalido time vascaíno. Dizem as notícias que ele pediu demissão. Não se sabe. Ele jamais desmentiria qualquer coisa que lhe pedissem para dizer. Não é de seu feitio.

Aliás, seu feitio é de não dizer nada.

O Vasco está pagando caro, neste 2012, o alto preço da comiseração desembestada. Abandonou toda uma estrutura profissional e uma gestão de futebol para agir segundo concessões e interesses pseudofilantrópicos.

Diante do rebaixamento do clube, logo no inicio de sua gestão, Roberto Dinamite montou uma estrutura de futebol para superar o cataclisma. A direção de futebol, capitaneada por Rodrigo Caetano, empreendeu um plantel com vistas à subida para a Série A, com um elenco suficiente para tal. Apostou em algumas concessões do empresário Carlos Leite que, como se sabe, é vascaíno convicto e facilitou todos os caminhos para a chegada de reforços. O principal deles viria a ser o símbolo e o líder da campanha vitoriosa – Carlos Alberto, eterno renegado em busca de autoafirmação na carreira. Trouxe também Dorival Júnior, um treinador reconhecidamente competente no trabalho de integração entre as divisões de base do clube e o time principal. Dorival foi uma opção de Rodrigo Caetano, em quem acreditava ser capaz de fazer um bom trabalho de base no clube.

Após a subida, percebeu-se que a diretoria vascaína não estava muito a fim de cumprir o planejado. A divisão de base revelou-se vespeiro. Começou uma temporada de vendas estranhas, todas sempre atribuídas a uma “herança maldita”, e Dorival ficou sem dedos para trabalhar a subida de meninos. Acabou saindo do clube. Depois disso, o Vasco fez péssimo fim de temporada em 2010 e o próprio Rodrigo Caetano assinou o “planejamento” da pior campanha vascaína em um início de Campeonato Carioca em 2011. Sim, foi Rodrigo Caetano quem assinou a obra a quatro mãos com a presidência! O discurso era: “não faremos loucuras”.

Fizeram.

Finda a Taça Guanabara, ante o vexame histórico, montou-se um time que ganhou muitos reforços, quase venceu a Taça Rio e, de quebra, sagrou-se campeão da Copa do Brasil. De lá pra cá, achando-se suficiente ter boa posição na tabela sem ganhar título nenhum, o Vasco perdeu seu treinador campeão vítima de um AVC, perdeu jogadores, perdeu Rodrigo Caetano, perdeu mais títulos em 2012, perdeu vaga na Libertadores… mas – autossuficiente sabe-se lá de quê – achou que poderia encarar a maratona do Brasileirão numa boa. Sobreviveu até onde sobrevivem os cavalos paraguaios de tabela de campeonato.

Como se vê, a direção de futebol do Vasco é um time de pelada que só joga no improviso. É uma diretoria peladeira, que não treina. Basta comparar o Vasco com Fluminense e Corinthians, dois grandes que também caíram: todo ano se reforçam, o tempo todo querem mais! São ousados. O Vasco, não. Dinamite, dentro de seu gabinete, é acuado e medroso como nunca fora dentro da grande área. Em seu segundo mandato, ele apequenou o Vasco. Tanto que, mesmo estando um ano no G4, expôs ao ridículo o time que montou.

Vejamos como se deu o “Caso Cristóvão” como técnico para o Vasco. Era um interino. Não foi preparado para assumir quando assumiu. Não houve planejamento. O Vasco nunca admitiu, mas Cristóvão jamais seria opção: só o promoveram por não poderem pagar dois técnicos – um doente, um caro, do mercado. Optaram pelo interino. O drama de Ricardo fechou o grupo e o time correspondeu por seus brios e dedicação pessoal acima do que deveria ser um padrão tático ou técnico de equipe. Nunca foi campeão, demonstrou erros típicos de um treinador lançado ao fogo sem preparação em jogos decisivos. Cansou de irritar a torcida com opções, escalações e substituições que nada tinham a ver com o panorama do jogo. Até Felipe e Juninho reclamaram. Recentemente, Alecsandro também condenou uma escalação pífia com quatro volantes contra o “poderoso” Náutico. Algumas vaias de torcida foram vistas como “ato político” e ignoradas como insatisfação. Ser “contra” ou “a favor” de Cristóvão virou uma tendenciosidade boba e sem sentido: uns teimando em querer sua cabeça, outros jurando que valia a pena deixar o Vasco no meio do caminho das tabelas com o treinador no comando. Abnegado em sua missão, Cristóvão conduziu o time em campanhas destacadas, mas não pôde evitar, por exemplo, duas derrotas vergonhosas contra Fluminense e Botafogo – idênticas à de ontem! – na disputa das Taças Guanabara e Rio deste ano. Duas lavadas de 3! Pior: tínhamos Fagner, Diego Souza, Allan, Rômulo, Dedé em plena forma, Felipe longe da praia… e tomamos um vareio! Um, não… dois!!! O placar repetiu-se na mesma fase (jogo final) e da mesma forma (goleada de 3) nas decisões dos dois turnos!

Mas a comiseração desembestada continuou. Em vez de pensarem no que o Vasco precisava, pensaram na filantropia, na amizadezinha bonitinha. Longe da torcida, o presidente intensificou seu discurso “pelo bem do futebol carioca”. Prestigiaram mais as pessoas do que o clube. Não precisava disso: dava pra ser cavalheiro e ter atitude produtiva no comando do futebol.

Eis no que deu o brinquedo!

Cristóvão não foi o culpado de tudo. Mas achar que ele precisava ser culpado para ser demitido ou afastado do comando principal, é de um sentimentalismo barato que dá pena! Profissionalismo não precisa apontar culpados: precisa gerar resultados!

Não sabemos o que será feito. O Vasco é todo errado, de cima a baixo. Meteram Mauro Galvão lá embaixo, não se sabe exatamente o que ele poderá fazer por lá. Em cima, sabe Deus quem virá.

O recorde no G4 de Cristóvão lembrou a invencibilidade extensa de Paulo César Gusmão e sua passagem no Vasco. Estatísticas de vitrine esfaceladas sob risos ante a escassez de títulos.

Resta-nos aguardar as medidas do presidente vascaíno para aplacar essa crise. É bom que sejam rápidas e objetivas. O que não costuma ser praxe dessa diretoria lenta e incoerente.

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