SEM OPORTUNIDADE: Parauapebas ganhou mais de 100 desempregados em março

No mês passado, capital do minério foi o 10º município do Pará que mais demitiu. Volume de trabalhadores expulsos do mercado traz prejuízo superior a R$ 4 milhões ao comércio local.
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Trabalhadores dormem à porta do Sine para tentar chegar mais próximo de uma vaga de emprego. Multidão de homens fecha ruas em protesto contra a falta de oportunidade e reclamam de boicote por parte das contratantes. A sociedade se questiona: cadê a oportunidade? E assim segue Parauapebas, um dos municípios mais ricos do país, que alimenta uma prefeitura com receita bilionária e que se posiciona entre as mais financeiramente nutridas do Brasil, mas que amarga desemprego.

Os cerca de 45 mil desempregados da “Capital Nacional do Minério de Ferro” ganharam uma adição numérica de 102 novos demitidos, de acordo com números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados ontem (24) pelo Ministério da Economia. São mais de 100 homens e mulheres que deixaram seus postos de trabalho para ingressar nas intermináveis filas do Sine local. Uma baixa que, para a economia local, tem efeito nefasto: R$ 4,16 milhões deixam de circular no comércio local no ano. De acordo com o Ministério da Economia, cada novo desempregado em Parauapebas impacta o município em R$ 40.820 ao longo de 12 meses.

Sem políticas públicas efetivas e eficientes para voltar aos trilhos do desenvolvimento econômico e do progresso social, a capital do minério fechou março como o 10º município paraense em volume de desempregados. No acumulado dos três meses (de janeiro a março), apenas em valores brutos de demissões, 4.765 trabalhadores levaram baixa na carteira. Em um ano, o contingente levaria o comércio local a uma retração da ordem de R$ 194,5 milhões em massa salarial — e só não o é, de fato, porque as contratações no período minimizam esses efeitos deletérios.

No mesmo mês em que acumulou 102 desempregados, a Prefeitura de Parauapebas arrecadou R$ 108,9 milhões. Uma parte desses recursos poderia ser aproveitada para implementar políticas voltadas à geração de emprego e renda, mas a dotação orçamentária para a função “Trabalho” é de lastimáveis R$ 325 mil para o ano inteiro de 2019, valor que não consegue fazer sequer cócegas para frear o grande volume de desalentados. Na esteira do crescimento do desemprego, os problemas sociais no município de prefeitura rica saltam aos olhos. E parecem irresolutos.

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