Preciso comentar a sessão de ontem da Câmara Municipal de Parauapebas. Todavia, ainda não sei por onde começar. Vice-prefeita usando a tribuna da Câmara para desacatar vereadores e dizer que está em processo de rompimento com o prefeito e com o governo. Está rompendo por estar insatisfeita, revoltada, arrependida, mas não vai renunciar ao cargo.
“Precisamos mudar este governo”; “Convido a todos, todos vereadores dessa casa que me acompanhe nesse gesto”, disse Ângela aos vereadores. Não sei se por bom senso ou por falta de coragem, não completou a frase dizendo: cassem o mandato desse homem, tirem-no de lá que eu quero assumir essa bagaceira!
Antes do início da sessão, conforme adiantado aqui neste Blog, era notório que a CPI para investigar a compra dos contraceptivos Implanon e Essure por parte da Secretaria de Saúde seria instaurada. O próprio prefeito havia dito que não usaria sua base para contê-la. Sabendo disso, e ainda que, se bem usada pela oposição, essa CPI poderá desgastar o prefeito e sua relação com a Câmara, Ângela aproveitou o momento que lhe era conveniente para apresentar seu rompimento com o governo. Porque só agora? Ângela tem objetivos bem definidos e acredita piamente que essa CPI será o elo de ligação entre ela e a cadeira mais macia do palácio do Morro dos Ventos.
Vivenciamos hoje uma era de políticos sem nenhum pragmatismo em suas ações. O único pragmatismo que ainda se vê nos políticos atuais é aquele baseado no conceito de que as ideias e atos só são verdadeiros se servirem para a solução imediata dos seus problemas. Alegar preocupação com o cidadão, com a gestão direcionada à população não passa de mais um conto do vigário onde quem levará a pior será o sofrido povo mencionado por Ângela em seu discurso, ou será que ela tem o dom de mudar as coisas em um passe de mágica? Aos mágicos, como todos sabem, cumpre o papel de levar o espectador a desviar a atenção para outra coisa quando na verdade não pode mostrar o que realmente está fazendo. Nesse caso Ângela marcou seu primeiro ponto, apresentando uma cortina de fumaça convenientemente orquestrada para que seu verdadeiro objetivo possa ser alcançado. O azar dela é que em Parauapebas ainda existem alguns Mister M para mostrar como é que as coisas andam.
Hoje a moda é moralidade, respaldo moral. Fica a pergunta: qual o respaldo moral que tem os vereadores de Parauapebas (excluindo-se a necessidade do pragmatismo, tão necessário em tempos de safra ruim de homens bons na política), qual o respaldo moral que têm frente a população para reclamar de mal feitos? Eles próprios são o exemplo de mal feito quando exercem o cargo legislativo em causa própria, inclusive com gastos estapafúrdios como o jardim de 2 metros quadrados da Câmara, que mesmo o menos esclarecido ficaria estarrecido e envergonhado com tanto dinheiro gasto inutilmente num pedacinho tão pequeno de flores.
Esses fatos suscitam dúvidas (para alguns certeza) de que o nosso quadro de vereadores tem qualidade moral duvidosa. E aí fica a pergunta: qual o real interesse desses cidadãos eleitos pelo povo? Legislam pelo interesse do povo ou em causa própria?





