Por contas exorbitantes em Marabá, Celpa vira alvo da fúria popular

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Por Paulo Costa – de Marabá

Elaine mostra suas contas antagônicasA conta de energia da comerciária Elaine Gomes da Silva Bequimam, residente em um bairro periférico de Marabá, saltou da média de R$25,00 mensais para R$ 890,00, 50% a mais que o salário que ela recebe.

O caso dela é um dos muitos que levaram mais de 600 consumidores de Marabá ao Procon nos últimos meses e 90% redundaram em multa para a empresa. É que a Celpa não consegue provar ao Procon que os consumidores que protestam contra as contas exorbitantes realmente consumiram aquela quantidade de Kwh. A empresa acaba cortando o fornecimento de energia e a revolta da comunidade aumenta ainda mais.

Por causa da grande e crescente quantidade de reclamações, nos últimos dias foi desencadeada um movimento pela rede social Facebook que redundou em uma passeata contra o alto valor das tarifas de energia cobrado pela Celpa. Embora o número de pessoas não tenha sido tão expressivo, o barulho que ele causou na cidade antes, durante e depois da passeata, através de reportagens na Imprensa local, incomodou a concessionária de energia, que tratou de mandar seus funcionários para casa mais cedo e fechar o escritório, para onde se dirigiu a manifestação popular.

Elaine soube da manifestação que aconteceria e pediu ao patrão uma meia folga na tarde daquele dia e se junto a outras dezenas de pessoas em frente ao Ginásio Olímpico da Folha 16 e de lá partiram em passeata por cerca de 4 quilômetros, mostrando à comunidade a indignação. “Não tenho condições de pagar essa conta. Lá em casa somos apenas três pessoas: eu meu marido e um filho pequeno. Passamos o dia fora, só temos uma geladeira, um ventilador, três bicos de luz, um liquidificador e ferro de engomar”, conta a comerciária.

Elaine reclama que ao reclamar junto ao Procon, a Celpa resolveu resolver o assunto sem consultá-la, sem entrar em sua casa para conhecer sua realidade. Um dia, quando cheguei, encontrei apenas várias faturas embaixo da porta. A Celpa tinha apenas parcelado a conta, o que não é uma solução para mim. Sei que nunca consumi tanta energia”, queixa-se ela. Cada um dos manifestantes tinha uma história para contar, todas parecidas com a de Elaine e por isso disseram que estavam protestando nas ruas.

Volta no tempo

Celpa 2Um dia antes da passeata, a Celpa foi chamada pelo Ministério Público para dar explicações sobre a grande quantidade de queixas populares em relação à grande variação das contas de energia.

A reunião foi convocada pela promotora do Consumidor, Aline Moreira Tavares, e congregou também o promotor de Itupiranga, Arlindo Cabral, e um grupo bastante representativo vereadores de Marabá, entre outras lideranças comunitárias.

O chumbo grosso contra a Celpa iniciou com o coordenador do Procon, José Ubiratan Sompré apresentar um relatório nada animador, mostrando que foram protocoladas este ano mais de 600 denúncias contra a Celpa, e que 90% delas se transformaram em multas contra a empresa. “Isso só aconteceu porque a resposta da Celpa nunca convence. A empresa só permite parcelamento e resolve o problema do consumidor queixoso. Alega que a instalação da residência está correta e não havia problema na leitura. Nos meses seguintes o mesmo acúmulo de consumo se repete, o que não é aceitável”, diz Sompré.

Diretores da Celpa ouviram bastante e anunciaram, após quatro horas de reunião, que a empresa vai enviar a Marabá uma agência móvel para passar em todos os bairros ouvindo as reclamações da comunidade e analisando caso a caso para dar celeridade às queixas de toda ordem, principalmente de cobrança abusiva. Além disso, a Celpa assumiu o compromisso de não suspender o fornecimento de energia elétrica das 33.133 unidades consumidoras que registrarem reclamação junto ao Procon até que seja feita a verificação das unidades in loco, bem como de não efetuar a inclusão dos nomes dos clientes nos órgão de proteção ao crédito.

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