Marabá

Polícias e comerciantes se unem contra o crime em Marabá

Empresários do Núcleo Cidade Nova voltam a pedir socorro aos órgãos de Segurança Pública, sobretudo após o baleamento de um comerciante na semana passada

Conforme antecipado pelo Blog, o Sindicato do Comércio de Marabá (Sindicom) reuniu, na noite de ontem (21), comerciantes e representantes da Segurança Pública estadual e municipal e comerciantes do Núcleo Cidade Nova no auditório do Sesc (Serviço Social do Comércio). A finalidade foi, mais uma vez, debater e tentar encontrar soluções para a insegurança que ronda o centro comercial daquele núcleo, sobretudo depois do baleamento do empresário Antônio Cláudio de Oliveira, no último dia 16, quando ele, indignado, reagiu a um assalto à ótica de sua propriedade.

Estiveram presentes: o delegado Élcio de Deus, representando a 21ª Seccional Urbana da Polícia Civil; o advogado Odilon Vieira Neto, coordenador de Segurança Pública da Secretaria Regional de Governo do Sul e Sudeste do Pará; o tenente-coronel David Sarah Lima, comandante do 4º Batalhão de Policia Militar (BPM), o tenente-coronel Heriberto dos Santos Furtado, comandante do recém-instalado 34º BPM; o secretário-adjunto municipal de Segurança Institucional, Wender Morais; a diretora do Disque-Denúncia Marabá, Hellen Araújo; o presidente da Associação Comercial e Industrial de Marabá, Raimundo Nonato Júnior;  o vice-presidente do Sindicom, Raimundo Alves Neto; e os diretores Maria do Livramento Sá de Almeida, Quívio Gustavo dos Santos e Francisco Arnilson de Assis.

Comerciantes expuseram suas queixas às autoridades 

Raimundo Alves Neto abriu a reunião explicando que o propósito do encontro era ouvir o que os empresários tinham a relatar aos órgãos de segurança e ouvir destes o que pode ser feito em conjunto para minimizar os furtos, assaltos e ameaças que já fazem parte da rotina de pânico do comércio do Cidade Nova.

Aberta a palavra aos empresários, as queixas e reclamações mais recorrentes foram: demora no atendimento ou não atendimento no número de emergência 190; a dificuldade para registar Boletim de Ocorrência na Delegacia de Polícia Civil do Cidade Nova e até na 21ª Seccional Urbana; ausência de policiamento ostensivo em grandes perímetros em que há empresas comerciais; ausência de policiamento em horários considerados críticos, como por volta das 8h, na abertura do comércio, e das 12h às 14, quando é menor a movimentação de pessoas, entre outras queixas.

O presidente da Acim, Raimundo Júnior, também se pronunciou e disse que naquele momento a comunidade estava se manifestando diretamente para as autoridades, a fim de que estas tomassem conhecimento das ameaças que rondam aquele centro comercial. Ele ressaltou que o sentimento de medo não pode ser um empecilho para o trabalho daquelas pessoas, afirmando que a Associação Comercial está de portas abertas para que, se for o caso, seja feito um plano estratégico, com os órgãos de segurança, para que se possa ter uma Marabá melhor.

Raimundo Alves Neto, vice-presidente do Sindicom, reivindicou a volta das barreiras policiais, mais policiamento em motos, interação entre as polícia e comerciantes, ampliação do menu da Delegacia Virtual, que hoje não contempla o registro de todos os tipos de crime, o funcionamento 24 horas da Delegacia do Cidade Nova e a Polícia Cidadã.

Delegado fala da importância do registro do BO

Pela Polícia Civil, o delegado Élcio de Deus explicou que a corporação trabalha com pessoal limitado, por isso a Delegacia do Cidade Nova não tem plantão 24 horas e só funciona das 8h às 18h, mas ressaltou que a 21ª Seccional funciona em tempo integral, recomendando que as pessoas, mesmo com a demora, não deixem de fazer o Boletim de Ocorrência (BO), pois é esse documento que norteia o trabalho tanto da Policia Civil quanto da Polícia Militar, no mapeamento da criminalidade.

Odilon Vieira Neto, por seu turno, prometeu se reunir com o secretário Regional de Governo, Joao Chamon Neto, ao qual está subordinado, para que Chamon tente, na esfera governamental, fazer com que a Delegacia do Cidade Nova volte a funcionar ininterruptamente, facilitando o registro do BO.

Wender Morais, da Secretaria Municipal de Segurança Institucional, anunciou que falta pouco para que o sistema de videomonitoramento do CCO (Centro de Controle Operacional) do município volte a funcionar, com tecnologia mais avançada.     

Polícia Militar e Disque-Denúncia reforçam que informação é fundamental

Pelo 4º BPM, o tenente-coronel David Lima falou das limitações que a PM enfrenta no dia a dia, ressaltando que a corporação “não tem pernas” para estar em todos os lugares e tempo todo e, por isso, os cidadãos têm um papel muito importante no trabalho policial, pois eles “são os olhos da PM”.

Ele se referiu ao fato de as pessoas estarem mais atentas e, a qualquer suspeita de comportamento criminoso, ligarem imediatamente para o 190, não dando oportunidade a que o crime aconteça. Se houver falha no atendimento da PM, dizer onde foi essa falha, informar e, assim direcionar o trabalho policial.

David também ressaltou a importância tamanha do Boletim Policial e dos relatórios do 190 e do Disque-Denúncia, porque é, por meio desses documentos, que as polícias, por intermédio de estatísticas, ficam sabendo sobra as áreas de risco, os horários críticos, os tipos de crime recorrentes, entre outras informações.

Pelo 34º BPM, criado para policiar todo o Núcleo Cidade Nova, o município de Itupiranga, a Vila Cajazeiras e a região do Rio preto, o tenente-coronel Heriberto Furtado disse que ainda está em fase de estruturação do batalhão, mas prometeu montar imediatamente duas equipes por motos para começar a fazer um trabalho ostensivo no centro comercial do Cidade Nova, a fim de levar mais tranquilidade aos cidadãos.

Anunciou também que já conseguiu um prédio para o 34º BPM e, a partir disso, pretende dinamizar o trabalho policial nas ruas, onde, a partir de maio vai contar com mãos 100 homens, que estão em curso de formação. Furtado também apesentou os quatro oficiais que trabalharão com ele em tempo integral.

Hellen Araújo, do Disque-Denúncia, disse que o serviço já ajudou a solucionar inúmeros casos em Marabá desde que foi instalado, informou que os dados estatísticos gerados por ele também norteiam bastante o trabalho policial e estimulou as pessoas a utilizarem essa ferramenta cada vez mais.

Após as explanações, vários empresários se manifestaram e concordaram em seguir as orientações repassadas, afirmando que se dispuseram a mais uma vez estar ali, trocando ideias e informações e esperam que o resultado sejam ações mais efetivas, de ambas as partes, contra a criminalidade reinante. 

Por Eleuterio Gomes – de Marabá

Um comentário em “Polícias e comerciantes se unem contra o crime em Marabá

  1. Luis Sergio Anders Cavalcante Responder

    O Núcleo Pioneiro com pequenas lojas como lanchonetes casas de suco etc… tem sido alvo de assaltos por menores com idade entre dez e doze anos. Vários tem sido vistos com uniformes de Colégios próximos Catedral Igreja Católica.

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