Parauapebas vive ‘pandemia’ de acidentes de motos, mostra Ministério da Saúde

Capital do Minério chegou à estarrecedora média de um cidadão internado por dia em hospitais locais por acidente com motocicleta e registrou 2º maior volume de sinistros, só atrás de Belém
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Um levantamento realizado pelo Blog do Zé Dudu nesta segunda-feira (16) mostra que Parauapebas já é, infelizmente, o segundo município do Pará com mais motociclistas indo parar nas alas de emergência dos hospitais da cidade. Os dados colhidos junto ao Ministério da Saúde, referentes ao primeiro semestre deste ano, são estarrecedores: o sistema de saúde recebeu, em média, uma pessoa por dia em decorrência de acidentes envolvendo o ágil, mas perigoso veículo de duas rodas. As motos se tornaram armas no trânsito da Capital do Minério.

Nas últimas semanas, Parauapebas tem vivido “dias de cão”, com situações diárias reportadas pela imprensa local sobre acidentes. São batidas de moto com ônibus, moto com caminhão, moto com caçamba, moto com caminhonete, moto com carro de passeio, moto com moto, moto com pedestre. Como ainda não há dados consolidados sobre julho e agosto, que têm sido caóticos à enésima potência, a primeira metade deste ano fala por si: foram 181 internações de motociclistas, que passaram em média 6 dias em observação. O número é triste, assustador e recorde.

Com cerca de 250 mil habitantes no município, sendo 230 mil deles na área urbana e uma frota de 56 motos em circulação, Parauapebas não é nem a segunda cidade mais populosa do Pará nem tampouco a segunda em número de motocicletas, mas já ostenta o lamentável recorde de segunda que mais interna seus moradores por causa de sinistros no trânsito.

Belém, com 1,5 milhão de habitantes e frota de 160 mil motos, registrou no primeiro semestre deste ano 247 internações por acidentes de trânsito, enquanto Marabá, com cerca de 300 mil moradores, observou 165 internações. Se Parauapebas tivesse o tamanho de Belém, poderia ter visto uma multidão de 1.086 motoqueiros acamados nos hospitais locais em razão de colisões envolvendo motos, o que seria aterrador.

O Ministério da Saúde revela que os acidentes envolvendo moto custaram no primeiro semestre deste ano R$ 137 mil aos cofres de Parauapebas — os gastos vão desde esparadrapos até cirurgias de alta complexidade para emendar um braço ou uma perna, por exemplo.

Educação para o trânsito

De olho no horror de acidentes que vêm ocorrendo em Parauapebas, fazendo a Capital do Minério bater recorde negativo no estado, a Câmara de Vereadores já se movimenta. Nesta segunda, a vereadora Eliene Soares ficou de protocolar dois projetos de lei para tentar criar uma consciência de paz no trânsito municipal, que, entre carros e motos, acumula 115 mil veículos em circulação.

Em um dos projetos, a parlamentar propõe criar a “Semana de Prevenção aos Acidentes de Moto”, com vistas a conscientizar e difundir a educação para o trânsito, com foco em motoboys. “Os números locais estão subindo assustadoramente. Enquanto Marabá viu suas estatísticas de acidentes cair de 211 registros em 2020 para 165 em 2021, Parauapebas, ao contrário, disparou de 131 para 181”, explana Eliene, reportando dados do Ministério da Saúde. Ou seja, o trânsito de motos em Marabá ficou 22% mais pacífico, enquanto em Parauapebas piorou 38%. Ambas as cidades têm atualmente o mesmo número de habitantes na área urbana, embora Marabá tenha 70 mil motos, 14 mil a mais que Parauapebas.

A pressa e a imperfeição

Por meio de outro projeto, a vereadora busca impor regras para frear práticas econômicas apressadinhas. Atire a primeira pedra quem, no tráfego pesado de Parauapebas, nunca se deparou com entregadores de delivery a mil por hora sobre motos e com pesadas caixas de entrega nas costas.

“Embora os entregadores facilitem nossa vida, o trânsito nas grandes e médias cidades tornou-se letal e cruel para eles, já que esses trabalhadores se expõem a riscos para garantir entregas ágeis, a serviço de vários estabelecimentos e cumprindo diversas rotas”, lembra ela, observando que os entregadores muitas vezes trabalham sem direitos constitucionais e previdenciários para aplicativos. “Precisamos garantir, no mínimo, as condições de trabalho desses tão úteis profissionais”, reforça.

Para aumentar seus ganhos, o entregador tenta fazer um número maior de entregas possível num dia, até mesmo impulsionados por estabelecimentos de onde partem as entregas (e não necessariamente os aplicativos), na forma de “um extra”. É quando começa a cometer infrações de trânsito e a correr o risco de sofrer acidentes. “Quando o assunto é trânsito, a pressa é inimiga da perfeição. É melhor você garantir uma entrega segura do que, por excesso de pressa, se acidentar e permanecer por dias acamado sem poder trabalhar. Isso, para um pai de família, é terrível.”

Por esse cenário, no sentido de dar um basta à onda crescente de acidentes, Eliene propõe tornar proibido, pelos estabelecimentos comerciais, o emprego de práticas que estimulem o aumento de velocidade por motociclistas profissionais no município de Parauapebas, a partir de adaptação da Lei Federal nº 12.436, de 6 de julho de 2011, que parece ser descumprida em todos os municípios brasileiros.

MUNICÍPIOS COM MAIOR INTERNAÇÃO DE ACIDENTES COM MOTOS

  • 1º — Belém: 247
  • 2º — Parauapebas: 181
  • 3º — Marabá: 165
  • 4º — Ananindeua: 147
  • 5º — São Félix do Xingu: 106
  • 6º — Itaituba: 78
  • 7º — Canaã dos Carajás: 66
  • 8º — Porto de Moz: 64
  • 9º — Redenção: 63
  • 10º — Santo Antônio do Tauá: 51

Fonte: Ministério da Saúde (jan-jun 2021)