Parauapebas: Semurb tem novo gestor

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O prefeito de Parauapebas nomeou ontem (15) o novo secretário municipal de urbanismo. Trata-se de Augusto Marques, de 29 anos. Com indisfarçável ironia, formadores de opinião não se cansaram em deixar claro que o neófito secretário é filho do vereador Zacarias de Assunção Vieira Marques (PP), atual líder do governo na Câmara de Parauapebas. Não houve a preocupação em saber se Augusto é capaz de cumprir as determinações que a pasta lhe cobrará.

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A política hoje está assim. Jogam-se todos os atores em vala comum antes mesmo de saber quem são. A oposição faz o seu papel de rechaçar a indicação de um filho de político para ocupar cargo púbico e a opinião pública segue a fila, já que “bater” no atual governo virou ponto de honra para todos.

Eu, como democrata, direitista convicto e legalista inveterado, tenho opinião formada sobre o nepotismo. Seguindo o que ficou pacificado pelo STF, não vejo problema jurídico algum em se nomear o filho de um vereador para um cargo de confiança, já que o STF, ao analisar o Recurso Extraordinário 579.951, afirmou que a restrição para nomeação de parentes  vale apenas para os cargos de confiança ou comissão. Tal lógica permite, como é o caso, a indicação de parentes para ministérios ou secretarias. Se a justiça autoriza, eu não questiono.

No caso específico da nomeação de Augusto Marques para a secretaria de urbanismo, independente das qualificações do escolhido, acredito que, mais uma vez o prefeito Valmir Mariano foi politicamente mal orientado. Com o índice de popularidade abaixo de dois dígitos e com o governo nas cordas, não era hora de procurar sarna para se coçar, e sim de fazer o simples, o trivial. Mas, como o que está feito, está feito… vamos dar um tempo para o secretário mostrar a que veio.

Enquanto as conveniências – que não nasceram com o atual governo – forem o norte da política, não há o que falar de tal nomeação. Está tudo muito claro e só não vê quem não quer… O governo passa por uma das maiores crises políticas jamais vista e é preciso alinhavar acordos políticos para sair dela. A solução transpassa por negociar secretarias, distribuir entre os partidos aliados os dotes governamentais. A oposição fez isso. Ângela e Massud negociaram com os vereadores de oposição todas os cargos possíveis caso a assumam o lugar de Valmir. Não pensem que os vereadores de oposição teimam em tirar do cargo o atual prefeito só porque acreditam que ele não é bom para Parauapebas. Não, eles querem isso porque não conseguiram emplacar seus interesses, ou queriam mais do que o prefeito podia dar.

Outro dia fui questionado das razões de alguns vereadores ainda apoiarem o governo, de não se incluírem entre os querem seu afastamento. Respondi de forma simples e convicta. Pede à Ângela para renunciar ao cargo que, certamente, a oposição ganhará vários outros adeptos. Assim o fazendo, já que ela acredita que Valmir é ruim para Parauapebas, no caso da Câmara afastar o prefeito quem assumiria seria o presidente do legislativo. Parauapebas estaria livre de Valmir e a oposição feliz.

Sobre nepotismo nesse governo, há processos tramitando, com liminar negada, pedindo o afastamento da secretária de planejamento, que é filha do prefeito. Um processo judicial altamente político. Porque motivos não impetraram ações contra a nomeação da esposa do vereador Maridé para secretária da Mulher, ou, à época, contra a nomeação da filha do ex-vereador Odilon como adjunta da Semas; ou contra outras nomeações oriundas de indicação de vereadores?