Parauapebas é o município não capital campeão de Covid-19

Mas a notícia não é necessariamente ruim e tem a ver com a eficiência da testagem em massa pelo exame de referência RT-PCR, o que põe o município também na liderança dessa testagem.
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Um levantamento inédito realizado pelo Blog do Zé Dudu nesta terça-feira (30), com base em dados consolidados na noite de ontem (29) pelo Ministério da Saúde, revela que Parauapebas é o município não capital com maior número de casos confirmados de Covid-19. Conforme boletim divulgado pela prefeitura local na segunda, já são, pelo menos, 10.421 positivos no município que mais produz minério de ferro no país. Com esse número, entre os 5.570 municípios brasileiros, Parauapebas ocupa a 17ª colocação.

Apenas grandes metrópoles como São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Brasília (DF), Fortaleza (CE), Salvador (BA), Manaus (AM), Recife (PE) e Belém (PA), além de capitais de estados com porte menor, superam o contágio da capital do minério. Mas o fato de Parauapebas estar na dianteira do número de casos confirmados, a esta altura da pandemia, não é necessariamente ruim.

Dados o alastramento e a extensão da Covid-19 no Brasil, as mais de 10 mil confirmações diagnósticas em Parauapebas também revelam a eficiência da testagem em massa adotada pela prefeitura local. E é exatamente por causa dessa testagem que está sendo possível alcançar o número recorde de contaminados quando comparado às demais localidades. Proporcionalmente, Parauapebas já é o município que mais testa no Brasil, mérito da administração local, muito embora o número de óbitos ainda seja crescente, tendo alcançado 125 registros na noite de ontem.

Mas a testagem em massa, principalmente feita pelo método RT-PCR, por mais que seja uma medida positiva, está muito longe de fornecer a real dimensão dos contaminados. É que muitos que tiveram sintomas leves sequer se deram conta de que estivessem com o coronavírus no organismo e não fizeram testagem. Só o exame sorológico pode, hoje, dizer se essas pessoas já tiveram contato com o vírus no passado.

Pico já passou?

Por outro lado, Parauapebas parece ter superado o pico da pandemia. Segundo a Universidade de Saúde Pública de Brown, nos Estados Unidos, o platô é alcançado quando o número de recuperados rompe 50% do total de casos confirmados. Até ontem o número de recuperados, 5.370, correspondia a 51,5% do total de positivos para Covid.

Isso, no entanto, não quer dizer que o número de casos diagnosticados vá diminuir. Com base em recorte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada na semana passada, Parauapebas já teria pelo menos 170 mil infectados (ou pessoas que tiveram uma gama de sintomas clássicos de coronavírus, como perda de olfato e paladar, dor no peito e falta de ar), mas outros 65 mil moradores ainda estariam suscetíveis ao vírus.

Logo, a definição da universidade norte-americana converge por inferência com os achados do IBGE, de maneira que a maioria dos reais infectados apresentou sintomas que não exigiu correr para a emergência das unidades de saúde. E, assim, a maioria da população em Parauapebas já teria experimentado Covid-19 em algum momento e sequer se deu conta.

Com a franca expansão dos “casos reais”, aqueles confirmados por exame, a taxa de letalidade, que chegou a estar entre as mais altas do país no começo da pandemia, hoje baixou a praticamente 1%. E tirou Parauapebas do olho do furacão, já que o município não está mais no grupo dos 50 lugares onde o coronavírus mais matou. São os primeiros indícios de vitória numa guerra que ainda está longe de acabar e contra a qual não se pode relaxar nas medidas, tendo em vista seu potencial evidente e grave de deixar mortos e feridos.

Municípios com mais casos de Covid-19 no Brasil

1º São Paulo (SP): 125.012

2º Rio de Janeiro (RJ): 56.351

3º Brasília (DF): 47.071

4º Fortaleza (CE): 35.081

5º Salvador (BA): 32.673

6º Manaus (AM): 27.132

7º Recife (PE): 20.656

8º Belém (PA): 19.133

9º Maceió (AL): 15.038

10º Aracaju (SE): 14.486

11º Macapá (AP): 12.952

12º São Luís (MA): 12.938

13º Porto Velho (RO): 12.795

14º João Pessoa (PB): 12.694

15º Natal (RN): 11.357

16º Boa Vista (RR): 10.942

17º Parauapebas (PA): 10.421

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