Parauapebas: Comunidade da Vila Cedere se organiza em cooperativa para explorar potencial turístico

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Desde que se iniciaram as discussões de criação do Parque Nacional dos Campos Ferruginosos, a comunidade da Vila Cedere, uma das portas de entrada para a área, tem sido provocada a estruturar uma cooperativa para explorar o potencial turístico da região, composto por belas cachoeiras, fauna e flora endêmicas, algumas em extinção, e mais de 300 cavernas.

“O ICMbio foi um grande incentivador da criação da nossa cooperativa. Hoje vemos tudo se concretizando e estamos avançando na legalização. Temos nosso estatuto e estão faltando só algumas questões burocráticas”, afirmou a secretária da Cooperativa, Elisama da Paixão Saraiva Silva. A Cooperativa conta atualmente como 75 cooperados.

Os cooperados vão participar de um curso sobre cooperativismo, que será ministrado por professores da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), na próxima semana. Em seguida, buscarão capacitações específicas para preparar guias turísticos que tenham condições de conduzir grupos dentro das rotas que serão criadas no Parque. “Nosso foco principal é trabalhar com o ecoturismo e turismo de aventura, e aproveitar para ter resultados extras com atividades agregadas como o artesanato e a culinária”, acrescentou Elisama Silva.

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Dentre os pontos que poderão se tornar áreas de visitação estão cavernas enormes, que contam com registros arqueológicos das primeiras ocupações da Amazônia. O espeleólogo Bruno Santos Scherer, da Casa da Cultura de Marabá, que realiza estudos e monitoramento das cavernas no Parque, afirma inclusive que será necessário definir bem como será o acesso à essas cavernas para não prejudicar o material arqueológico disponível no local.

Outro grande desafio para iniciar o processo de exploração turística é a melhoria do acessos aos possíveis pontos de visitação. “É justamente nisso que precisaremos do apoio do poder público municipal. Temos uma cachoeira, por exemplo, que fica em uma grande ladeira, parte do trajeto para chegar até ela só é possível ser feito de carro traçado, e ainda correndo risco, o restante do percurso deve ser feito a pé. Na ida é um pouco tranquilo, por que é descida, mas na volta é bem puxado”, afirmou Lemoel Gonçalves, presidente da Cooperativa.

O Rio Parauapebas passa por dentro do Parque e também poderá ser explorado em atividades turísticas. O trecho conta com pontos belíssimos de águas tranquilas e algumas corredeiras. A paisagem encanta.

O Parque e a relação com a comunidade

A área total do Parque é de aproximadamente 80 mil hectares, composta por dois platôs ferruginosos: o primeiro denominado Serra da Bocaina, também conhecido como Serra do Rabo, e o segundo conhecido como Serra do Tarzan, próximo ao projeto Sossego e 118, que hoje fazem parte da Floresta Nacional de Carajás.

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A Serra da Bocaina conta com uma extensa área e no seu topo encontra-se “um tipo raro de ecossistema, associado aos afloramentos rochosos de hematita, conhecido como vegetação de canga e, localmente, como Savana Metalófila. Este ecossistema é muito especial por sua singularidade, possuindo importantes atributos para conservação, entre eles: espécies da flora e da fauna raras, ameaçadas e endêmicas, ecossistemas aquáticos e cavernas”, informa o documento base para a criação do Parque.

A criação do Parque foi instituída por meio de decreto presidencial, publicado em junho deste ano. O trabalho junto às comunidades que estão no entorno da área é uma estratégia do ICMbio no sentido de conquistá-las com parceiros na preservação da área, o que é um grande desafio já que algumas propriedades rurais estão incluídas na área do Parque.

Um exemplo de que esse trabalho tem dado certo pode ser comprovado com relação à pesca, que hoje é proibida na área do Parque. Apenas a Associação de Moradores e Pescadores do Cedere I (Ampescoce) tem autorização do ICMbio para pescar e com certas limitações. “Não podemos usar tarrafas e nem malhadeira, e cada um de nós só pode pescar seis quilos e mais um exemplar por dia. Estamos conscientes da importância de preservar o meio ambiente”, relatou José Sebastião Moraes, que mora há mais de 25 anos no Cedere e integra a associação. Ele já foi caçador e hoje contribuiu com a fiscalização e vigilância de parte da área do Parque.