Pará tem “9 Maracanãs” de analfabetos

Rico e desigual, estado ainda tem mais cidadãos sem instrução que pessoas com diploma de curso superior, segundo o IBGE. Volume de analfabetos da capital, Belém, lotaria um Morumbi.
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Detentor de alguns dos piores indicadores de educação do país, o Pará segue sendo um estado de analfabetos em plena era digital. Dados divulgados esta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Trimestral (PnadC-T), revelam que o estado contabiliza 713 mil cidadãos sem qualquer instrução escolar, exército suficiente para entupir três cidades e meia do tamanho de Parauapebas, que tem cerca de 200 mil habitantes, ou para lotar nove estádios do Maracanã, cuja capacidade é de aproximadamente 79 mil torcedores.

Em contrapartida, a população com ensino superior completo é menor. Atualmente, apenas 604 mil paraenses têm diploma de faculdade. O Pará é um dos dez estados brasileiros onde ainda hoje o número de analfabetos supera o de pessoas graduadas. Além dele, há o Acre e quase todos os estados nordestinos — a exceção é o Rio Grande do Norte. A maior torcida é para que o estado do Norte consiga turbinar seus indicadores educacionais e, ao mesmo tempo, sair da fossa do desenvolvimento socioeconômico, que o condena a ser um dos últimos do país.

Em números absolutos, conforme levantou o Blog do Zé Dudu junto ao IBGE, o Pará tem a 8ª maior população de analfabetos do país. Ele consegue superar até mesmo Unidades da Federação bem mais populosas, como Paraná (678 mil pessoas sem instrução) e Rio Grande do Sul (509 mil). Por outro lado, é o 12º em número de habitantes com diploma universitário concluído, sendo superado por lugares bem menos populosos, como Santa Catarina (941 mil pessoas com curso superior), Goiás (791 mil) e Distrito Federal (693 mil).

Belém “é 10” em número de sem instrução

Entre as capitais, o Blog apurou que Belém tem o 10º maior pelotão de analfabetos, com 72 mil habitantes nessa condição, o suficiente para lotar um estádio do Morumbi, que comporta exatos 72 mil torcedores. Se serve de consolo, por enquanto Belém ainda tem menos analfabetos que a rica Goiânia, onde 76 mil não sabem ler ou escrever.

Mas, diferentemente do caminho trilhado pelo estado do Pará como um todo, Belém tem mais pessoas formadas em universidades, 248 mil, que seu volume de analfabetos. Embora o número ainda esteja abaixo do ideal para uma metrópole de 1,5 milhão de habitantes, a capital não passa essa vergonha. Ainda assim, ela é apenas a 12ª em volume de população graduada, sendo superada por, entre outras, Porto Alegre (379 mil), Manaus (313 mil), Recife (301 mil) e Goiânia (282 mil).

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