Na fossa do saneamento, indicadores hidrossanitários do Pará desabam

Cerca de 1,2 milhão de paraenses não têm banheiro em casa, fazem necessidades ao relento; e só 976 mil dos que possuem banheiro têm dejetos encaminhados à rede geral de esgoto.
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on print

Continua depois da publicidade

As condições de vida da população paraense pioraram em 2019, no que diz respeito a indicadores sociais básicos, como oferta de água encanada e acesso à rede de esgotamento sanitário. É o que apontam dados apurados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por meio de sua Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). No ano passado, dos 8,561 milhões de paraenses, 4,222 milhões (ou 49,3%) não acessavam o serviço de água encanada da rede geral, mesmo sendo o estado um dos maiores do Brasil em disponibilidade hídrica. Esse é mais um dos contrassensos que revelam o grau de atraso do Pará, um dos maiores produtores de riquezas da nação.

As informações foram levantadas pelo Blog do Zé Dudu, que analisou os microdados apresentados pelo IBGE nesta quarta-feira (6) para todas as Unidades da Federação. Segundo o IBGE, 2,422 milhões de paraenses obtêm água por meio de poços artesianos (ou 28,3% do total) e, em pleno século 21, um população quase do tamanho de Belém, de 1,309 milhão de pessoas (15,3%), depende de água de cacimba, sem contar que 164 mil cidadãos (1,9%) só têm água porque pegam de rios ou nascentes. A situação é deplorável.

Além disso, nem todas as casas no Pará têm banheiro. E a taxa é elevada. Em 2018, 13,2% dos moradores do Pará ocupavam domicílios sem banheiro exclusivo. Essa taxa, em vez de diminuir em 2019, aumentou para 14,2%. Hoje, 1,2 milhão de paraenses habitam lares sem banheiro. É o equivalente a seis cidades do tamanho de Parauapebas com pessoas fazendo suas necessidades fisiológicas ao relento.

Para variar, apenas 976 mil paraenses ou 11,5% da população são privilegiados com coleta de esgoto pela rede geral — terceiro pior percentual do país, à frente apenas de Rondônia (7,4%) e Piauí (5%). Além das péssimas condições hidrossanitárias do estado, os dados do destino do esgoto gerado pelos domicílios têm impacto ambiental grave. É que, segundo o IBGE, 4,253 milhões de paraenses (50,1%) geram esgoto que vão para fossas sépticas não ligadas a qualquer rede geral.

A boa notícia em meio aos indicadores ruins é que a Pnad registrou a diminuição das casas de madeira no Pará, sinal de aumento do poder aquisitivo da população. Em 2018, cerca de 1,847 milhão de paraenses habitavam domicílios de madeira, número que caiu a 1,704 milhão em 2019. Em termos percentuais, a redução foi de dois pontos.

Publicidade