Mineração do Pará dispara 51% e movimenta R$ 146,5 bilhões em 2021

De 2020 para 2021, Vale faturou R$ 47 bilhões a mais de terras paraenses. Aliás, se empresa fosse estado, ela teria PIB maior que 13 das 27 Unidades da Federação com o que retira daqui
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Foi um ano de ouro (de ferro e de cobre, sobretudo), e ninguém sabe se se repetirá nas pranchetas da indústria extrativa mineral. O movimento de lavra do estado do Pará saltou 51,1%, passando de R$ 97,016 bilhões em 2020 para R$ 146,573 bilhões em 2021, consolidando o estado amazônico como o primeiro do Brasil em atividade mineradora, à frente de Minas Gerais, que encerrou o ano com R$ 142,962 bilhões operacionalizados.

As informações foram levantadas com exclusividade pelo Blog do Zé Dudu, que rastreou nesta terça-feira (4) os dados da Agência Nacional de Mineração (ANM) e verificou que a indústria mineral do país teve dois nomes em 2021: Parauapebas e Canaã dos Carajás. Juntas, as duas estrelas paraenses do minério de ferro foram responsáveis por movimentar entre R$ 36 e R$ 37 de cada R$ 100 que a mineração conseguiu render no país ano passado. A força da mineração passou de R$ 208,998 bilhões para R$ 339,149 bilhões nos últimos dois anos.

Parauapebas, líder nacional, produziu em 2021 um total de R$ 69,992 bilhões em recursos minerais, 59,4% a mais que em 2020. Canaã dos Carajás vem na cola, com R$ 54,401 bilhões e taxa de sucesso de 54,7%. No ranking dos dez municípios que mais movimentaram recursos de mineração no Brasil ano passado, quem também tem assento é Marabá, que operacionalizou R$ 7,989 bilhões, crescendo somente 1,46%. Líder na produção nacional de cobre, Marabá viu a produção de manganês — a qual também já liderou — encolher drasticamente.

Na lista estendida aos 20 maiores caciques municipais da indústria extrativa, o Pará ganha outros três nomes: Itaituba, Paragominas e Curionópolis. Mas a lista é dominada por municípios de Minas Gerais, que, no entanto, têm média de produção consideravelmente inferior às localidades paraenses. O único “estranho” — isto é, que não é do PA ou MG — é o município goiano de Alto Horizonte.

SAIBA QUEM SÃO OS 20 MAIORES MINERADORES DO PAÍS E SEU CARRO-CHEFE

1º Parauapebas — R$ 69.992.383.933,94 | Ferro

2º Canaã dos Carajás — R$ 54.401.285.623,90 | Ferro

3º Conceição do Mato Dentro (MG) — R$ 19.108.718.733,72 | Ferro

4º Congonhas (MG) — R$ 16.727.997.383,54 | Ferro

5º Itabirito (MG) — R$ 14.979.429.554,23 | Ferro

6º Mariana (MG) — R$ 11.607.979.797,20 | Ferro

7º Itabira (MG) — R$ 11.514.921.274,43 | Ferro

8º São Gonçalo do Rio Abaixo (MG) — R$ 9.869.359.444,77 | Ferro

9º Nova Lima (MG) — R$ 9.261.403.993,72 | Ferro

10º Marabá — R$ 7.989.103.296,12 | Cobre

11º Belo Vale (MG) — R$ 7.379.308.867,82 | Ferro

12º Itatiaiuçu (MG) — R$ 6.627.091.872,04 | Ferro

13º Paracatu — R$ 5.532.231.101,19 | Ouro

14º Brumadinho (MG) — R$ 5.103.674.457,02 | Ferro

15º Itaituba — R$ 4.224.597.615,85 | Ouro

16º Alto Horizonte (GO) — R$ 3.055.019.575,11 | Cobre

17º Santa Bárbara (MG) — R$ 2.843.930.824,09

18º Sabará (MG) — R$ 2.834.335.640,83 | Ouro

19º Paragominas — R$ 2.294.849.460,65 | Alumínio

20º Curionópolis — R$ 2.269.921.768,58 | Ferro

Vale: R$ 47 bi a mais nas costas do PA

A mineradora multinacional Vale, protagonista “oculta” dos indicadores econômicos e financeiros escalafobéticos de Parauapebas, Canaã dos Carajás e estado como um todo, no tocante à indústria mineral, retirou do Pará no ano passado R$ 134,282 bilhões em recursos minerais — 54,5% acima dos R$ 86,87 bilhões de 2020. Sozinha, a picareta da mineradora retirou 91,6% de todos os recursos minerais lavrados por aqui.

As empresas que vêm em 2º, 3º, 4º e 5º lugares no ranking paraense parecem crianças diante da força da Vale. São elas: Mineração Paragominas (R$ 2,294 bilhões), Mineração Rio do Norte (R$ 1,634 bilhão), Alcoa (R$ 1,061 bilhão) e D’Gold (R$ 1,015 bilhão). Mesmo em comboio, elas não teriam fôlego sequer para peitar a empresa Salobo Metais (R$ 7,949 bilhões), que nada mais é que a Vale “vestida de cobre”.

Cálculos do Blog do Zé Dudu mostram que em 2021 a produção mineral da Vale no Pará foi maior que o Produto Interno Bruto (PIB) inteiro de metade dos estados brasileiros, como os vizinhos Amazonas (sede da Zona Franca) e Maranhão (entreposto de embarque do minério). Com outras fontes de riqueza somadas à produção mineral, o PIB do Pará no ano passado superou o dos estados de Pernambuco e Goiás, o que o torna a 9ª Unidade da Federação mais rica do Brasil. Esses números só serão amostrados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2023.