Mesmo hospitalizado, Bolsonaro elege Alcolumbre ao Senado, neutralizando a velha política

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Por Val-André Mutran – de Brasília

Internado no Hospital Israelita Albert Einstein desde a semana passada, o presidente Jair Bolsonaro deu gritos que preocuparam o corpo médico. Não era dor, nem mal estar: era alegria. Em segundos, uma força tarefa correu e adentrou ao quarto, monitorado em tempo real. A equipe relaxou ao saber que o presidente estava vibrando por causa não da dor, mas de mais uma vitória subscrita na “onda” que o elegeu presidente da maior economia da América Latina.

Apoiado pelo ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, Davi Alcolumbre (DEM-AP), em segredo, desafiou o então todo-poderoso Renan Calheiros (MDB-AL) e, após dois dias de duros embates em plenário, venceu a eleição para a presidência do Senado. O resultado anulou qualquer esperança do então vigente “toma lá, dá cá” da bancada paraense do Senado.

Sob a liderança de Jader Barbalho (MDB/PA), que determina, há anos, o comportamento do PT, do senador Paulo Rocha (PT/PA) e do obediente Zequinha Marinho (PSC/PA), novato na Casa, o sentimento era de um clima de velório.

O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), filho de Jader, irritado com o pedido de 500 homens da Força Nacional feito ao ministro da Justiça Sergio Moro negado de imediato, viu na eleição do histórico aliado, Renan Calheiros (MDB/Al), a possibilidade de resistência ao desprezo do pedido.

Bolsonaro, Sergio Moro e toda a inteligência do novo governo sabe quem é, como atua e como funciona o método de atuação do grupo político que assumiu o controle do estado do Pará.

Adversário da candidatura de Bolsonaro desde primeiro momento, uma fonte disse ao repórter que: “O Pará, hoje, só não é mais vermelho que a Venezuela, no continente”.

Davi Alcolumbre recebeu 42 votos, contra apenas cinco de Renan Calheiros, que abandonou a disputa durante a votação. Sua candidatura foi beneficiada pela desistência de outros senadores contrários ao emedebista – Simone Tebet (MDB-MS), Major Olímpio (PSL-SP) e Alvaro Dias (PODE-PR) anunciaram em discursos na tarde deste sábado que não concorreriam.

Para tentar viabilizar o voto aberto para a presidência da casa – movimento considerado prejudicial a Renan Calheiros, mas que acabou derrubado pelo presidente do STF, Dias Toffoli –, Alcolumbre se antecipou aos rivais e ocupou a cadeira da presidência do Senado no início da tarde de sexta-feira. Um ato aparentemente banal, sentar à cadeira garantiu o êxito da manobra que levou à aprovação de voto aberto e deu a ele o controle do Senado em um dia crucial. Uma de suas medidas foi exonerar Luiz Fernando Bandeira de Melo Filho, secretário-geral do Senado e aliado de Renan.

Por sugestão do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Alcolumbre sentou-se na cadeira da presidência às 14h45m, quinze minutos antes do início da sessão de posse dos senadores eleitos, e só abandonou o posto depois das 22h15m, quando terminou a segunda e mais tensa sessão do dia. Aliada de Renan Calheiros (MDB-AL) — que tenta presidir o Senado pela quinta vez — a senadora Kátia Abreu (PDT-TO) até tentou, com apoio de outros senadores, desalojar Alcolumbre, mas o senador do Amapá resistiu no posto até o fim.

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