No último final de semana, a riqueza da música instrumental amazônica tomou conta de Parauapebas com a realização da segunda edição do festival Carajás Instrumental II. Com programação totalmente gratuita e livre para todos os públicos, o evento celebrou a diversidade cultural da região. A realização foi da Laje Produções e do Ministério da Cultura, com curadoria de Jackson Gouveia, apoio da Kayapó Produções e patrocínio master da Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet).
A programação oficial do festival teve início na manhã de sexta-feira (11), com foco na educação ambiental e na formação jovem. Alunos do 6º ano da Escola Crescendo na Prática, situada na Vila Palmares II, participaram da Oficina Eco Musical. Ministrada pelo arte-educador Jonatas Lima, conhecido como “Peixe Vibe”, a atividade aliou sustentabilidade e expressão artística ao ensinar os estudantes a produzir instrumentos musicais a partir de materiais recicláveis. “Hoje, eu aprendi que as garrafas pets não precisam só ir pro lixo. A gente pode usar para produzir brinquedos, instrumentos e muitas outras coisas”, disse a estudante Izabela Gomes, de 11 anos.

Já no sábado (12), o ponto de encontro do festival voltou-se inteiramente para a Praça Mahatma Gandhi, que ficou movimentada desde as 19 horas. O espaço ganhou uma ambientação cenográfica especial produzida pelo Teto das Artes, além da Feira Criativa. Quem passou pelo local pôde conferir produtos artesanais exclusivos enquanto acompanhava as atrações do palco.
“Pra gente, eventos como esse são uma oportunidade de mostrar nossos produtos para a comunidade ver. É uma forma de estimular ainda mais as pessoas a não pararem, porque a gente trabalha principalmente com mulheres que precisam de uma fonte de renda”, explicou Joseane Santos, do Coletivo Flor de Carajás. “Eventos como esse, que unem música e economia criativa, trazem mais repertório para nossas expositoras e é um incentivo pra gente ocupar espaços públicos importante como a Praça Mahatma Gandhi”, analisou Deca Reis, empreendedora do Quintal Criativo.
A programação de shows começou com a valorização da prata da casa e de talentos regionais. O grupo local Muke Pebas abriu a programação musical destacando o som das cordas de ukulelê com ritmos entoados pelas mãos de mulheres musicistas de Parauapebas. Na sequência, Dauro Remor & Banda, vindo de Marabá, apresentou ao público um repertório de sofisticação instrumental, aquecendo a plateia e demonstrando a diversidade da produção cultural do sudeste do Pará.
O momento mais aguardado da noite foi a apresentação histórica do mestre Manoel Cordeiro, natural de Ponta de Pedras, na Ilha do Marajó. Pela primeira vez em Parauapebas com seu show solo, o icônico compositor, arranjador e produtor — pioneiro da guitarrada, da lambada e do carimbó eletrônico com mais de 50 anos de trajetória — conduziu o público por uma viagem ritmada e dançante. “Eu nunca tinha vindo a Parauapebas. Então quando recebi o convite para tocar em um festival de música instrumental, eu fiquei muito feliz”, contou Cordeiro, que aproveitou a ocasião para elogiar ainda a realização do projeto. “A qualidade desse festival, de som, de palco, de iluminação foi impecável. E isso é muito legal porque, quando a estrutura é boa, a gente parece que toca melhor. Fora a interação com o público que foi sensacional”, concluiu o mestre.
A programação do Carajás Instrumental II em Parauapebas marcou o encerramento do projeto com chave de ouro. Antes de voltar à sua cidade natal, o festival já havia passado por Marabá e Canaã dos Carajás, com atividades totalmente acessíveis e gratuitas. A proposta de ocupar a Praça Mahatma Gandhi também foi simbólica, já que o local é um histórico centro cultural da cidade.
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(Texto: Tay Marquioro)







