Lula, um especialista em esmagar pessoas

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Do Reinaldo Azevedo

Na entrevista concedida ao portal IG, Ciro Gomes afirma que pode até se afastar da política. Pois é… Quando brigou com os tucanos de São Paulo, fizeram dele um gigante. Depois de se aliar aos petistas, pode até desistir da política. Ciro precisa repensar que estranha relação é essa em que os inimigos servem para torná-lo grande, e os amigos, para destruí-lo. Não seria o caso de um ajustamento de conduta, de modo que estas duas categorias — aliados e relevância política — possam andar juntas?

Não creio que desista. Mas, caso o faça, poderia se dedicar, quem sabe?, à vida acadêmica. Há um campo de estudo bastante interessante, que jamais será investigado pela “subintelectuália esquerdopata” das universidades: “O que aconteceu, nos últimos 30 anos, com qualquer um que tenha contestado Lula?”

Uma boa pesquisa requer frieza analítica. Mas a experiência pessoal pode ajudar. Dou algumas pistas:
– Lula destruiu todos os seus adversários no sindicalismo, estivessem eles à “esquerda” ou  à “direita”. Sobreviveu quem se dobrou ou se vendeu. Vejam o caso de Joaquinzão, o dito grande pelego do “sindicalismo reacionário”: morreu pobre e abandonado num asilo. Lula, o “progressista e socialista”, é quem é;

– Lula relegou a uma expressão não mais do que regional lideranças de esquerda ou “progressistas” egressas do pré-64, como Leonel Brizola e Miguel Arraes;

– Lula esmagou politicamente todos aqueles que tentaram, quando isso não lhe era pessoalmente conveniente, qualquer diálogo com outras forças políticas. Vejam o que aconteceu com os três deputados petistas que participaram do Colégio Eleitoral que elegeu Tancredo Neves (José Eudes, Beth Mendes e Airton Soares) com ou Luíza Erundina, que aceitou ser ministra de Itamar Franco;

– Lula desmoralizou, chegando ao poder, as alas à esquerda do partido. Posso até achar que ele fez muito bem, mas elas eram suas aliadas, não minhas, e faziam o discurso histórico do petismo;

– Lula sempre tratou a pontapés qualquer um que ousasse contestar a sua liderança no partido (ou em qualquer outro assunto), como sabe, por exemplo, o senador Cristovam Buarque (DF), hoje no PDT, demitido por telefone;

E Lula, finalmente, trata como inimiga a ser destruída a própria história do Brasil, ao tentar desconstruir a biografia de todos os governantes que o antecederam — em parte, contou com a colaboração de Ciro por um período ao menos.

Nada cresce à sombra de Lula, deputado Ciro Gomes, se não for com a plena concordância do… frondoso Lula! E o que lhe garantiu tal poder? É dono, sem dúvida, de uma notável inteligência política. Isso conta muito. Lidera um partido que se estrutura para substituir a sociedade, não para governá-la. E isso é fundamental. E, não menos importante, o PT tem uma presença maciça na imprensa. E isso não é de hoje. Querem um exemplo até banal? Quem primeiro chamou o Democratas de “demo” e seus membros de “demos” foi o PT. O termo é hoje empregado como linguagem referencial pelos jornalistas — já o vi em títulos na primeira página.

Qualquer político que ambicione ter existência própria, deputado Ciro Gomes, deve se preparar para enfrentar essa máquina em vez de se aliar a ela. O PT entende duas categorias: oposição, que ele tenta destruir por meios lícitos e ilícitos, e subordinação.

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