Jovem executado na guerra de facções por ter feito um sinal equivocadamente

João Guilherme não pertencia a nenhum grupo criminoso, mas saudou desconhecidos com um sinal de "Paz e Amor" e pagou com a vida. O sinal hoje significa guerra, morte, aniquilação!
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João Guilherme Abreu, 20 anos de idade

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Um jovem de 20 anos de idade, identificado como João Guilherme Abreu, foi executado a tiros, por volta das 16h30 deste sábado (11), na Rua Rogério Cardoso, no Bairro Liberdade, em Parauapebas. Ele havia voltado de um banho de rio com amigos, quando ocorreu o assassinato, cometido por um homem que estava na garupa de uma motocicleta Honda Bros, preta, cuja placa não foi identificada.

O crime teve como testemunhas um jovem, na frente da casa do qual eles tomavam cerveja, na companhia de um terceiro, que foi baleado em um dos braços. O motivo do crime foi a guerra entre facções criminosas por pontos estratégicos de venda de drogas na cidade.

Entretanto, segundo as testemunhas, João Guilherme não pertencia a facção alguma, mas, equivocadamente, fez um sinal que deu a entender aos matadores que pertencia a um grupo inimigo ao deles.

“Eles passaram e mostraram três dedos na nossa direção, o João Guilherme mostrou dois. Eles pararam e perguntaram se ele pertencia a alguma facção. Ele disse que não e que havia feito apenas uma brincadeira. Eles, então, disseram ‘presta atenção, presta atenção’ e saíram. Mas, em um minuto voltaram e já chegaram atirando,” conta uma das testemunhas, que pediu para ter a identidade preservada.

Natural de Breu Branco, no sudeste paraense, onde ainda residem seus familiares, João Guilherme trabalhava em uma farmácia do Bairro da Paz, em Parauapebas, há cerca de três meses. Na tarde deste sábado, ele estava visitando um amigo. 

O “V” de Paz e Amor, que agora simboliza a morte

O sinal de Paz e Amor, feito com os dedos indicador e médio em forma de “V”, nasceu nos anos 60, junto com o movimento hippie, e até hoje muitos o usam como gesto de amistosidade. Porém, uma das facções criminosas que brigam pelo domínio do tráfico de drogas no Brasil inteiro adotou o gesto como símbolo. 

Outras pessoas em várias cidades do país, sobretudo jovens, já foram assassinadas pelo mesmo motivo que tirou a vida de João Guilherme. Ao desejarem apenas “Paz e Amor”, encontraram a morte. (Caetano Silva)