Inflação galopa no Pará e deixa aluguéis “pela hora da morte” em Parauapebas

No rico município, onde 30 mil são extremamente pobres, despesa com aluguel sequestra 15% da renda. Os gastos com transportes chegam a 18,5% e arroz com feijão levam embora 27,6%
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Não é querendo desanimar, mas quem tem planos de caçar casa ou quitinete para alugar na Capital do Minério terá muita dificuldade por estes tempos. Parauapebas voltou a ter o mesmo agito verificado entre os anos 2008 e 2011, época do “boom” do minério de ferro, só que agora em tamanho maior. Em 2010, quando imóvel vago era coisa rara no município, a população era de 154 mil habitantes. Atualmente, seriam, nas contas defasadas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 60 mil a mais. No entanto, o número de habitantes que Parauapebas ganhou desde 2010 pode ser 90 mil a mais, 92% deles vivendo na área urbana.

Com a atual onda de empregos por que passa o município, escorada por ampliações de minas da Vale em Carajás e por obras públicas de saneamento da Prefeitura de Parauapebas, a demanda por moradia disparou. Muita gente procurando onde passar sol e chuva nesta safra farta de oportunidades e poucos imóveis disponíveis para locação são a combinação perfeita para um fenômeno ingrato muito conhecido de todos: a subida de preços. A superinflação das quitinetes — isso quando se encontra alguma vaga — está de volta a Parauapebas.

Esse momento encarecedor enfrentado por quem está à procura de imóvel para alugar no município mais rico do interior do Pará é apenas um recorte da inflação que assola o estado como um todo. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) consolidado, tendo a Grande Belém como ponto de medição, fechou em 0,48% no mês passado, sendo que os gastos com habitação dispararam 0,66%. A informação foi levantada pelo Zé Dudu, que analisou dados da inflação oficial de maio divulgada nesta quarta (9) pelo IBGE.

Em Parauapebas, trabalhador que mora de aluguel precisa estar ciente: esse tipo de despesa consome não menos que 15,33% da renda. Ela só não será maior que o arroz, o feijão e o restante do pão nosso de cada dia, responsáveis por deixar nos supermercados, pelo menos, 27,61% do salário. O gasto com aluguel em Parauapebas é pouco inferior que os custos com transporte.

Na cidade com cerca de 112 mil veículos e que vê 22 novas unidades serem emplacadas por dia em média, custos com manutenção e, principalmente, combustíveis a preços exorbitantes sequestram um quinto do orçamento de quem tem transporte próprio. Quem não tem e, ainda assim, depende de transporte coletivo, desembola pelo menos 18,57% com os serviços. A vida tem sido ainda mais difícil para quem só anda de transporte por aplicativo, cujas corridas dispararam inexplicavelmente nas últimas semanas, levando muitos usuários a abandonarem a modalidade.

E o salário ó…

Em maio, a inflação paraense ficou abaixo da média nacional, que foi de 0,83%. No acumulado deste ano, no entanto, os paraenses já sentem a “facada” de 3,39% sobre seus ganhos. Pode parecer pouco, mas para quem sobrevive com apenas um salário mínimo, essa taxa corresponde, na prática, a menos um quilo de carne entre as compras do mês.

O Pará detém uma das piores rendas per capita do Brasil. Um trabalhador do estado tem rendimento médio de R$ 1.797, segundo o IBGE. Mas, para o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), esse mesmo trabalhador paraense deveria ganhar R$ 5.351 para passar o mês com o mínimo de conforto.

Mesmo em Parauapebas, onde o rendimento médio do trabalhador é, segundo o Ministério da Economia, de R$ 3.158 (quase o dobro da média estadual), a inflação causa bastante estrago, principalmente porque o custo de vida no município está entre os mais elevados de toda a Região Norte. A gasolina de Parauapebas, por exemplo, está entre as mais caras do país. Além disso, nem todo mundo “ganha bem” na Capital do Minério, como pregam fora dos muros do município. Há, segundo dados do Ministério da Cidadania, 30 mil cidadãos na extrema pobreza e para os quais qualquer por cento de inflação os condena à fome e à miséria. Não está fácil para ninguém.

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