Feira Literária de Paraty terá transmissão ao vivo em Parauapebas e Canaã

Quem é amante da literatura poderá acompanhar a Flip (RJ), que começa neste sábado (27). Evento tem patrocínio do Instituto Cultural Vale.
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Em mais uma edição virtual, parte das atrações da Flip, um dos maiores festivais literários do Brasil e da América do Sul, poderão ser acompanhadas em tempo real e gratuitamente em pontos instalados em dois municípios do sudeste paraense, com o apoio da Casa da Cultura de Canaã dos Carajás.

Em Parauapebas, a transmissão será feita no Museu Municipal Hilmar Harry Kluck, localizado na Rua E, número 513, no bairro Cidade Nova. Em Canaã dos Carajás será no Centro de Formação dos Profissionais da Educação Professora Rute Sampaio, que fica na Avenida dos Pioneiros, em frente ao Posto Xodó.

Cada transmissão terá um número limitado de público em respeito às normas sanitárias de prevenção da covid-19. Os espaços funcionarão seguindo o protocolo de distanciamento social controlado e o uso obrigatório de máscaras durante a programação.

Os participantes poderão interagir com os escritores a partir de chats, com a ajuda de mediadores no local. Em Parauapebas, a mediadora será Rebeca Valquíria, diretora do Museu Municipal. Em Canaã, o mediador será Júnior Vaz Kanaí, presidente da Academia Canaanense de Letras.

Pela primeira vez, a Flip será exibida na TV, em parceria com o canal por assinatura Arte1. Em ação que também é patrocinada pelo Instituto Cultural Vale, serão transmitidas todas as mesas dos finais de semana e, durante a semana, as mesas das 20h.

Saiba quais eventos serão transmitidos

Canaã dos Carajás

Local: Centro de Formação dos Profissionais da Educação Professora Rute Sampaio, Avenida dos Pioneiros, bairro Centro, em frente ao Posto Xodó́.

27/11, às 16h – Mesa 1: Nhe’éry Jerá

Carlos Papá, Cristine Takuá e Cerimônia Guarani

Cristine é filósofa, educadora e artesã da aldeia do Rio Silveira. Já Carlos é líder e cineasta do povo Guarani Mbya. O trabalho deles contribui para o reconhecimento e fortalecimento da cultura de seus povos.

27/11, às 18h – Mesa 2: Literatura e plantas

Stefano Mancuso e Evando Nascimento

Mediação: Prisca Agustoni

As plantas pensam? Como pensam? E que tipo de conhecimentos são produzidos a partir desse pensamento? Nesta mesa, o botânico italiano Stefano Mancuso encontra-se com o crítico literário Evando Nascimento para que ambos, cada um a seu modo, nos campos de conhecimento pelo qual transitam, apontem para os caminhos possíveis de compreensão do pensamento vegetal.    

27/11, às 18h – Mesa 4: Folhas e verbos

Véronique Tadjo e Edimilson Pereira de Almeida

Mediação: Joselia Aguiar

No encontro entre os poetas, pesquisadores e romancistas Véronique Tadjo e Edimilson Pereira de Almeida, suas histórias convergem em reflexões sobre a força e fragilidade do lugar do humano no mundo.

28/11, às 16h – Mesa 3: Naturalismo e violência

Micheliny Verunschk e David Diop

Mediação: Milena Britto

Há pontos de contato entre os mundos criados por Micheliny Verunschk e David Diop em seus romances mais recentes. Em “O som do rugido da onça”, a escritora pernambucana evita a historiografia hegemônica e parte da vida curta de Iñe-e e Juri, crianças indígenas arrancadas de suas terras por exploradores europeus, para meditar sobre os vazios de memória causados pelo desterro. O livro “A porta da viagem sem retorno”, do romancista francês David Diop, faz a operação oposta. Em referência à Ilha de Gorée, um dos maiores centros de comércio de escravizados do continente africano durante quatro séculos, o escritor projeta a subjetividade do botânico Michel Adanson, um homem do Iluminismo, movido por desejos como o de formular uma enciclopédia de todos seres vivos. Não é surpresa que em ambos os livros o leitor se depare com vidas desintegradas pelo progresso, corpos e mentes distantes dos próprios passados, ameaçados de esquecerem até mesmo de si.

04/12, às 16h – Mesa 16: Em busca do jardim

Alice Walker e Conceição Evaristo

Mediação: Djamila Ribeiro

São muitas as aproximações possíveis entre as obras de Alice Walker e Conceição Evaristo. Vozes fundamentais da ficção negra em seus respectivos países, as escritoras, a partir de universos próprios, usam a literatura para iluminar a história de violência que condiciona as relações étnicas no Brasil e nos Estados Unidos.

04/12, às 18h – Mesa 17: Ouvir o verde

Alejandro Zambra e Ana Martins Marques

Mediação: Rita Palmeira

Ouvir o verde foi uma tarefa a que se prestaram Alejandro Zambra e Ana Martins Marques. São muitas as maneiras pelas quais as plantas – e o modo como vivem – estão presentes em “Bonsai” e em “A vida privada das árvores”, textos do início da carreira de Zambra, e que agora ganham reedição no Brasil. Já Ana Martins dedicou-se a escutar as plantas no “Livro dos jardins”, obra de pequena tiragem que reúne 21 poemas divididos entre homenagens a flores e a escritores que, como ela, têm nas plantas inspiração para seus universos poéticos.

05/12, às 16h – Mesa 18: Metamorfoses

Emanuele Coccia e Adriana Calcanhotto

Mediação: Cecilia Cavalieri

O italiano Emanuele Coccia se propôs um desafio: construir um sistema filosófico da própria metamorfose. Nesta obra inovadora fica claro que é essa a experiência elementar e originária da vida, que dela surgem as possibilidades e os limites da existência. Se para Coccia é certo que a vida é um ato metamórfico, o encontro com a cantora Adriana Calcanhotto possibilitará explorar os sentidos dessa experiência nas diversas formas de arte.

05/12, às 18h – Mesa 19: Cartografias para adiar o fim do mundo

Ailton Krenak e Muniz Sodré

Mediação: Vagner Amaro

Muniz Sodré é sociólogo, professor e ensaísta, membro da Sociedade de Estudos da Cultura Negra no Brasil e pesquisador das línguas iorubá (nagô) e do crioulo de Cabo Verde. É também Obá de Xangô do terreiro baiano de Axé Opô Afonjá. Sua obra é vasta, passando pelo campo dos estudos comunicacionais à escrita de livros de ficção. Já Ailton Krenak é uma das vozes de liderança do movimento socioambiental e de defesa dos direitos indígenas. Junto a comunidades ribeirinhas e indígenas da Amazônia, ele organizou a Aliança dos Povos da Floresta. Ele também recebeu diversas honrarias acadêmicas, como o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Juiz de Fora, em Minas Gerais, em reconhecimento ao seu trabalho como ativista e pensador.

Parauapebas

Local: Museu de Parauapebas Hilmar Harry Kluck, Rua E, número 513, bairro Cidade Nova.

01/12, às 18h –  Mesa 9: Fios de palavras

Leonardo Froés, Júlia de Carvalho Hansen e Cecilia Vicuña

Mediação: Ludmila Lis

Há meio século, Leonardo Fróes usa as palavras como enxada. É com elas que o poeta revira a terra para colher versos. Do trabalho no sítio surgem imagens, cenas e meditações sobre as relações entre homem, bichos e plantas. Já o caminho da poética de Júlia de Carvalho Hansen passa ainda por outra instância. Além de escritora, Júlia é astróloga, e se talvez as estrelas e os planetas não estejam tão presentes nos seus textos, certamente a familiaridade com as palavras lhe serve de ajuda para fazer sentido do que dizem os astros. Os caminhos desviantes de Leonardo Froés e Júlia de Carvalho Hansen coincidem justamente porque deslocam o eixo antropocêntrico de apreensão do mundo. Em “Culturas”, os escritores brasileiros encontram-se com Cecilia Vicuña, poeta e artista chilena que fez do seu trabalho uma plataforma de luta, seja na defesa aos direitos humanos, como na denúncia da destruição ecológica.

01/12, às 20h – Mesa 10: Utopia e distopia

Margaret Atwood e Antonio Nobre

Mediação: Renata Tupinambá

Margaret Atwood ocupa um lugar de destaque na ficção contemporânea. Desde 2016, com a adaptação televisiva de “O conto da Aia”, o caráter especulativo da sua ficção foi transfigurado em uma espécie de premonição das crises do século XXI. Se o romance de 1985 oferece uma chave de compreensão para a misoginia das culturas humanas, a trilogia MaddAddão ilumina a urgência da crise climática. Na série de romances, a autora oferece uma narrativa dedicada a explorar, ao limite da dor, questões éticas e morais sobre o futuro da humanidade após o colapso do clima. Se o estranho da ficção de Atwood tem recentemente assumido um caráter assustador e premonitório, a conversa entre ela e o cientista Antonio Donato Nobre é, de certo modo, um encontro entre aqueles que viram, no avanço sobre a atmosfera e sobre as florestas, a caminhada humana em direção ao cadafalso. É de Nobre o relatório “O Futuro Climático da Amazônia”, texto no qual expõe alguns dos “segredos da floresta” de modo a demonstrar a extensão dos danos da ação humana e a urgência de uma cura. Nenhum dos dois poupa o leitor do horizonte sombrio que se aproxima.

Com informações da Casa da Cultura