Exclusivo: novo diretor do DMTT promete mudanças radicais no trânsito de Parauapebas

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Texto e foto: Lima Rodrigues

As ruas de Parauapebas não mais serão interditas para a realização de cultos ou eventos, salve raríssimas exceções; os caminhões só vão poder descarregar suas cargas nas empresas no período da noite; as obras de recapeamento de asfalto nas principais ruas da cidade só ocorrerão à noite ou nos finais de semana; as paradas de ônibus serão mudadas de locais para acabar com a bagunça que vem ocorrendo em alguns pontos e as empresas não poderão mais estacionar seus veículos nos estacionamentos públicos por muito tempo, como vem ocorrendo no dia a dia nos principais pontos da cidade. Estas são algumas das propostas a serem implantadas pelo novo diretor do Departamento Municipal de Transporte Terrestre (DMTT) de Parauapebas, Levindo Ferraz, 53 anos, natural de Montes Altos (MA), que mora na cidade desde março de 1991.

Levindo é formado em direito pela AUDF, de Brasília, foi assessor jurídico da Câmara de Vereadores e do Procon e depois coordenador geral do Departamento de Defesa do Consumidor de Parauapebas. Ele foi nomeado em 26 de março de 2012 e tomou posse dez dias depois com o espírito de mudança total no DMTT, “doa a quem doer”, conforme deixou bem claro nesta entrevista exclusiva ao blog. Confira os principais pontos da entrevista.

Site
Será criado um site moderno no DMTT para interagir com a população.

Faixa de pedestre
Estamos fazendo o trabalho de pintura das faixas nas ruas e das lombadas em toda a cidade. Vamos comprar uma máquina de pintura para facilitar o trabalho de todos nós e com isso, com certeza, vamos economizar também.

Parada de vans
Vamos mudar as paradas de vans e colocá-las em locais adequados para evitar esse tumulto que vem ocorrendo todo dia.

Estacionamentos
Na rua “A”, na Cidade Nova, vamos intercalar o estacionamento. Em uma quadra o motorista vai estacionar do lado direito e em outra, do lado esquerdo.

O senhor pretende procurar as escolas públicas e privadas para intensificar as campanhas educativas nas escolas?
Nós estamos fazendo isso nas escolas, inclusive usando mensagem via teatro. Nossa base é a educativa.

Educação
Nossa principal meta é a educação do trânsito. Eu acredito que este tema nunca foi discutido com profundidade aqui no DMTT. Já estamos trabalhando isso com nossos funcionários. Isto inclui campanhas educativas. Como estou assumindo o DMTT agora, estou me inteirando das coisas, arrumando a casa, mas já avisei para minha equipe que vamos mudar muita coisa aqui e tudo isso passa pela educação. E vamos até quebrar alguns paradigmas.

Fim de interdição de ruas para eventos
Se você observar aqui tem uma cultura de que tudo que é evento pede-se a interdição de uma rua. E nós vamos acabar com isso. Quero deixar bem claro que isso afronta o Código de Postura do Município. Afronta o bom senso. A lógica. Até porque não tem como você interditar uma rua sem causar transtorno. Então, não é uma coisa saudável você pedir para interditar uma rua, seja para fazer um culto ou uma festa, e receber uma resposta negativa. Mas não vamos permitir mais isso.

Mas o senhor vai cortar de vez ou cada caso é um caso?
A princípio 90% dos casos serão cortados de vez. São raríssimos os casos em que vamos estudar com mais carinho.

E no caso da Praça de Eventos, onde acontecem inclusive eventos promovidos pela prefeitura de Parauapebas, o senhor vai proibir?
Olha, qualquer evento que traga transtorno eu estou autorizado a proibir por força da lei que criou Código de Postura do Município.

O senhor já conversou com o secretário de Urbanismo sobre o assunto?
Já. E um evento como o carnaval, que acontece uma vez por ano, é um caso que eu vou estudar, até porque é uma coisa que envolve vários órgãos e secretarias. Então a gente tem que ter o bom senso.

Mas a Festa da Semana da Mulher também ocorre uma vez por ano…
Mas não vejo a Semana da Mulher como uma coisa que justifique fechar a rua.

Mas então eu posso dizer que o senhor vai proibir os eventos nas ruas, mesmo sendo da prefeitura?
Mesmo sendo da prefeitura, porque a prefeitura também tem que cumprir a lei que ela mesmo encaminhou para a Câmara aprovar. Então, tem que cumprir. Já falei sobre isso com o prefeito Darci Lermen e com o secretário de urbanismo.

E quanto ao recapeamento de ruas que hoje ocorre ao longo do dia, causando transtorno ao trânsito nas horas de pico nas principais avenidas da cidade. O senhor vai também alterar isso? É possível pedir para a secretaria de Obras fazer o recapeamento à noite ou nos finais de semana?
Sem dúvida. Tudo que causa transtorno ao trânsito nós vamos trabalhar para evitar, doa a quem doer. Inclusive eu já convidei os representantes da empresa que está fazendo a recuperação das ruas para uma reunião, para solicitar que eles executem as obras no período da noite porque é assim que ocorre nos grandes centros civilizados. Parauapebas não pode ficar para trás e não podemos ficar aqui trabalhando com uma mentalidade de 30 anos atrás. Parauapebas é uma cidade grande com um fluxo de veículo grandioso e o trânsito precisa estar organizado.

O senhor está chegando então para moralizar o trânsito na cidade, é isso?
É por aí.

Outro assunto polêmico: muitas empresas utilizam os estacionamentos públicos para estacionarem seus inúmeros veículos, prejudicando o motorista que procura uma vaga nas principais ruas da cidade, especialmente, na Cidade Nova, para resolver seus problemas em bancos ou até mesmo outros assuntos. Como fica esta situação?
Sem dúvida esse é um outro ponto que vamos tratar com atenção. Já entramos em contato com as empresas que utilizam esses estacionamentos públicos, prejudicando os usuários, que ficam impedidos de estacionar seus veículos. Esses são estacionamentos rotativos. Ninguém pode comprar ou alugar. Eles são públicos e do povo. As empresas privadas devem procurar outros locais para estacionar seus veículos e não ocupar uma área pública, que é rotativa, para uso de uma pessoa que vai a um banco, por exemplo, e demora 20 minutos ou meia hora e precisa estacionar naquele local. O que estamos vendo hoje é que tem empresa que está utilizando o espaço como se fosse dela. Isso não é legal e não vamos permitir que aconteça.

Com relação ao corre corre das vans brigando por passageiros nas paradas?
Olha, eu moro em Parauapebas desde 1991 e não vi ainda a fiscalização do transporte público. Sabendo disso, já criei um Departamento dentro do DMTT exatamente para fazer a fiscalização rotineira das vans para evitar essas coisas erradas que vêm ocorrendo no trânsito da cidade.

O senhor diria então que o DMTT passa a viver uma nova fase?
É uma nova fase e uma nova etapa de sua história. É um novo capítulo.

O DMTT conta hoje com quantos fiscais?
35 fiscais. Mas já foi aberto edital para a realização de novo concurso. E 20 agentes que estavam em outras áreas foram treinados e capacitados em 20 horas aulas para atuar nas ruas. Foram treinados por agentes de trânsitos experientes. Pouca gente sabe, mas 90% dos nossos agentes de trânsito têm curso superior ou estão cursando faculdade.

Muitos jovens usam veículos tipo camionete com caixas de som tomando toda a carroceria e passam pelas ruas e avenidas da cidade com o som bem alto e uma latinha de cerveja na mão. O DMTT fará alguma blitz surpresa para acabar com esses abusos, talvez aí contando com o apoio da secretaria de Meio Ambiente por causa da poluição sonora?
Tudo que é relacionado ao trânsito nós vamos atuar. Conheço bem esse problema porque ouça o barulho e a casa até estremece quando esse tipo de veículo passa na rua. Isso é um abuso e com certeza vamos agir em conjunto com a secretaria de Meio Ambiente para evitar essa poluição sonora. Nós vamos atacar todos esses pontos, porque o poder público pode não fechar os olhos para isso.

Quando falta energia, o trânsito fica tumultuado em algumas áreas. O que fazer para resolver esse problema?
Já discutimos esse assunto aqui em reunião. Mas não é só nesse caso da falta de energia no centro da cidade. Há também a questão do trânsito lá do viaduto na saída para Canaã dos Carajás. Aquilo lá é terrível. Já apresentamos um projeto ao prefeito Darci solicitando a duplicação da rodovia naquela área e a construção de uma rotatória ali para desafogar o trânsito e evitar transtornos. Já fui lá e presenciei a situação in loco. Vamos tomar uma providência para resolver o problema. Nosso Departamento de Engenharia já fez um projeto. E prefeito informou que a prefeitura já está elaborando um projeto nesse sentido. Enquanto isso, vamos colocar um agente no local para orientar o trânsito nos horários de pico, especialmente das 17h às 20h.

E o que mais o senhor pretende fazer para melhorar o trânsito de Parauapebas?
Vamos alterar o acesso de caminhões nas principais ruas para evitar transtornos, porque eles chegam qualquer hora e tumultuam o trânsito. Então, vamos estabelecer horário igual ao que acontece em São Paulo e outras cidades. Os caminhões vão ter que descarregar suas mercadorias à noite, possivelmente das 20 ou 21hs até às cinco ou seis da manhã.

Mas as empresas vão alegar que isso vai provocar aumento de despesa porque vão ter que pagar hora extra para seus funcionários….
Aí o problema não é nosso….o problema é delas. Elas vão ter que se virar, porque vamos fazer isso em breve. Vamos baixar uma portaria sobre o assunto e não vamos permitir o estacionamento de veículos de cargas tumultuando o trânsito da cidade. A lei existe para facilitar o relacionamento entre as pessoas, então vamos ter que cumprir. Isso não é uma punição às empresas, apenas querendo que elas se ordenem à uma nova realidade. A proibição ocorrerá principalmente nas Ruas “A”, “14” e “F”.

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