Em 2 anos, Câmara de Curionópolis acumulou mais de R$ 5 milhões

O “big” orçamento para o apagado e minúsculo Legislativo não foi suficiente para segurar o teto no toró da madrugada desta terça. População de Curionópolis quer saber: cadê o dinheiro que tava aqui?
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Os R$ 2.453.400 de orçamento da Câmara Municipal de Curionópolis previstos para o exercício de 2018 não foram suficientes para que o vereador Francisco Aderbal, também conhecido como Aderbal da Padaria, então presidente da Casa no período de 2017 a 2018, garantisse a segurança civil do prédio. E olha que ele já havia tomado conta de outros R$ 2.789.887,62 do orçamento de 2017.

Situada na Avenida Brasil, Bairro Planalto, e locada por dez salários mínimos, a Câmara não suportou as águas de inverno de um toró na madrugada desta terça-feira (5) e pediu arrego: seu teto caiu. Por sorte, não havia pessoas no local e os prejuízos foram apenas materiais. A última reforma no prédio ocorreu no início de 2017, quando Aderbal era ordenador de despesas.

Logo pela manhã, o presidente recém-empossado da Câmara, Raimundo Nonato Holanda da Silva, esteve no local e anunciou o início dos reparos necessários. O prédio é de propriedade de Valtemir da Campo, o popular Mirão, morador da cidade de Eldorado do Carajás.

A irregularidade é flagrante no parlamento daquele município, a começar pela forma com que se deu o contrato de locação do imóvel, negociado por dez salários mínimos, ou seja, R$ 9.540 — quando deveria ser em valor de moeda corrente. E detalhe: o vício vem de anos.

Desde a gestão do então presidente do Poder Legislativo no ano de 2014, o vereador Wilson Ferreira, o popular Wilson do Fórum, o contrato de locação “salarial” se arrasta. Em 2015, ele foi mantido pelo vereador Cassiano Bezerra Viana, presidente da Casa à época, e em 2016 ganhou fôlego ao ser renovado pela vereadora Jocenilde Oliveira. Com a nova composição da presidência da Câmara para mais um mandato, o vereador Francisco Aderbal renovou-o para o período em que esteve na presidência, o biênio 2017-2018.

De quem é a culpa?

Populares criticam a situação vexatória, atribuem a culpa ao gestor anterior, Aderbal, e cobram melhor aplicação dos recursos públicos. Porém, por se tratar de uma cidade pequena, onde as pessoas são conhecidas e reconhecidas praticamente pelo nome, todos têm medo de se identificar ou gravar entrevista. Mas garantem: se existir ou não, o Legislativo de Curionópolis não faz diferença porque os vereadores não fazem suas atribuições, entre as quais, e principal, a fiscalização da aplicação dos recursos públicos.

Dos quase R$ 2,5 milhões de orçamento da Câmara Municipal de Curionópolis em 2018, cerca de R$ 1,51 milhão foram destinados ao pagamento de pessoal até o segundo quadrimestre do ano passado, segundo informações do Blog do Zé Dudu levantadas junto à Secretaria do Tesouro Nacional (STN). Em 2017, a mesma Câmara liquidou R$ 1,41 milhão com o funcionalismo, entre os quais os vereadores, que recebem salário de R$ 7.590.

É possível que tenha sobrado — descontada a despesa com pessoal — cerca de R$ 1 milhão para tocar as demais despesas da Casa de Leis. Logo, será que não haveria caixa suficiente para evitar que o teto desabasse? Esse é o questionamento que se fazem os quase 17 mil eleitores de Curionópolis, boa parte dos quais aguarda ações de fiscalização do Poder Executivo no tocante às políticas públicas implementadas, que não chegam a contento às milhares de famílias em situação de pobreza do município.

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