Eleições 2014: Vale foi quem mais doou dinheiro para campanhas até o momento

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O setor de mineração e siderurgia doou, até o momento, pelo menos R$ 91,5 milhões para candidatos e partidos políticos que disputam as eleições deste ano, de acordo com a segunda parcial das prestações de contas entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), referentes à doações e despesas até o dia 2 de setembro.

Plenário-da-Câmara-do-Deputados

O destino principal de doações diretas do setor foi para candidaturas à Câmara dos Deputados. Dos R$ 32 milhões distribuídos, 42,3% foram investidos na eleição para a Câmara Federal, onde o projeto do Novo Código de Mineração tramita atualmente. Os senadores ficaram com 5,5% do montante, e as campanhas presidenciais, com 30,4%.

As mineradoras também fizeram aportes para os partidos, que repassam o dinheiro para os candidatos de sua preferência. Foram R$ 59,5 milhões doados desta maneira. Até este ano, esse tipo de transferência não revelava a origem do recurso, mas o TSE mudou a legislação para que seja obrigatório informar a fonte.

A Vale é a empresa que mais contribuiu este ano, com R$ 52,8 milhões distribuídos nos dois primeiros meses da campanha. As doações da mineradora foram feitas em nome de seis empresas do grupo: Vale Energia, Salobo Metais, Vale Mina do Azul, Mineração Corumbaense, Vale Manganês e MBR.

Entre as grandes doadoras, até o momento, estão ainda a ArcelorMittal, com R$ 13 milhões; a Votorantim, com R$ 6,8 milhões; a CBMM, com R$ 4,8 milhões; Grupo Rima, com R$ 2,38 milhões; e Gerdau, com R$ 2,3 milhões. A próxima prestação de contas é no dia 30 de outubro.

De acordo com Maurício Guetta, advogado do Instituto Socioambiental (ISA), é recorrente no Brasil que os setores que mais dependem de regulação do Estado ou tenham negócios com os governos sejam os maiores doadores das eleições.

“Via de regra, mineração, construção civil e os bancos são os que mais doam dinheiro para campanhas, principalmente para o Poder Legislativo, para tentar influenciar ao máximo possível o processo”, afirmou Guetta, em entrevista ao jornal Valor Econômico.

Ricardo Vicintin, diretor-presidente do Grupo Rima, quinto maior doador do ranking, afirmou que procurou ajudar a eleição de deputados que trabalham a favor do setor produtivo. “Não compro nem vendo nada do governo, não faço isso para me beneficiar. A única coisa que quero é alguém para defender os interesses legítimos da empresa, que não deixe que o setor seja prejudicado”, disse.

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