É disso que se trata !

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Parauapebas voltou à estar entre os trending topics das redes sociais brasileiras. Não por sua pujança econômica do tempo em que o minério de ferro batia a casa dos 150 dólares, ou por ser o município com  maior saldo na balança comercial brasileira. Parauapebas é hoje um município cheio de problemas, e a corrupção na Câmara de vereadores durante a gestão Josineto Feitosa fez, mais uma vez, com que a mídia nacional virasse todas as suas lentes para o município.

A corrupção no Brasil existe desde o descobrimento, quando saiam daqui caravelas lotadas de pau-brasil. O município de Parauapebas não é nem mais, nem menos corrupto do que tantos outros Brasil a fora (hoje somos  5.570 municípios). Parauapebas replica a máxima contumaz da política tupiniquim de que o importante é se dar bem. É disso que se trata!

As prisões dos vereadores Josineto Feitosa e Odilon Rocha de Sanção, se por uma lado nos levou de volta à mídia nacional, de forma pejorativa, por outro serviu de experiência para tantos políticos profissionais parauapebenses que a cada eleição coloca seus nomes para serem avaliados pelos eleitores, mesmo com a absoluta certeza de que dificilmente têm alguma chance de alcançar a graça de assumir uma vaga no legislativo local.

No passado, e afirmo isso na certeza de que doravante os objetivos dos nobres postulantes ao legislativo serão outros, o que se via eram negociatas de todo tipo com o único objetivo de se dar bem. Não havia a mínima preocupação com a população. Salvo um ou outro, nossos legisladores sempre tiveram a Câmara Municipal de Parauapebas como os seus quintais, onde tudo podia para o bem comum dos que conseguiram a cadeira.

Votação do orçamento era uma pauta onde todos sabiam que havia chegado a hora de limpar o pelo. Fiscalizar a aplicação dos recursos; fiscalizar as execuções das obras; solicitar benefícios à população? Pra quê?

O importante era se dar bem!

Lembro-me de um ex-vereador, muito popular, que, após ter perdido o mandato, voltou a se candidatar. Seu discurso para o povão era cheio de emoção e carisma. Esse mesmo, quando estava com os seus colegas não se cansava de dizer: “eu quero é me dar bem. Estou louco para sentar de novo naquela cadeira macia e encher o bolso”. Pois bem, ele não se elegeu e hoje é político com o carimbo de NÃO CONFIÁVEL na testa.

Eu continuo a pensar que a “Operação Filisteus”, em Parauapebas, serviu para que esse tipo de político não tente mais se candidatar. Por dois motivos: a população já aprendeu a reconhecer àqueles que gastam pequenas fortunas para assumir um cargo onde a remuneração é menor que os gastos; e eles próprios já são sabedores que o trato com a coisa pública mudou. Que não será tão fácil, como outrora, surrupiar os cofres do município alugando carros que não existem, fazendo reformas sem necessidade, comprando notas fiscais, chantageando o executivo e inchando os gabinetes de pulhas que se sujeitam a devolver metade da remuneração recebida por não fazer nada. 

Mas, como vivemos no Brasil, e por aqui as coisas na política geralmente não funcionam como nos outros países democráticos, restará ao eleitor fazer valer seu papel de escrutinador, nesse caso de carrasco. Sim, só ele pode decepar essas cabeças que usam a estrutura burocrática da política para se dar bem.

Acredito que depois da passagem da “Operação Filisteus” por Parauapebas, o eleitor corrupto – aquele que troca seus voto, seu apoio político, por ninharias –  terá a vergonha de entrar em tal empreitada. Muito pelo contrário, ele denunciará qualquer tentativa de cooptação de votos de forma fraudulenta e será o mais célebre fiscal da justiça eleitoral. Fazendo isso, poderá cobrar, no futuro, uma melhor educação, saúde, etc., sem ter a vergonha de calar-se em virtude do seu escolhido ser um corrupto e tê-lo comprado.

É disso que se trata! Você só pode cobrar aquele que você colocou no poder com o coração carregado de esperanças e com o bolso sem nenhuma nódoa de corrupção. Os outros, os corruptos, não lhe  devem nada, eles já pagaram o seu preço.

Lembre-se, CANDIDATO vem do latim candidatus, isto é, vestido de branco (candidus). Na antiguidade, aquele que disputava um cargo público e precisava angariar votos vestia-se de branco para simbolizar sua pureza. É lógico, portanto, que exijamos de um candidato que a sua vida, e não apenas as suas roupas, estejam limpas!

É disso que se trata!

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