Despesas com aluguel e transporte dos paraenses ficam mais ‘salgadas’ em março

Inflação do estado, que tem Grande Belém como referência, avançou 0,8%. Comida, aluguel e transporte levam embora 61% do orçamento das famílias paraenses, cujo rendimento é R$ 883
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Com uma das piores rendas per capita do país e elevado contingente de cidadãos na pobreza, o Pará ainda tem de conviver com um drama que geralmente a população carente sente mais, no bolso e na pele: a inflação. E ela não para de crescer. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (9) mostram que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — que, no Pará, tem a medição feita na Grande Belém como referência — subiu 0,8% em março e já computa 2,18% no acumulado do ano.

As informações foram levantadas com exclusividade pelo Blog do Zé Dudu e dizem respeito diretamente ao seu bolso. O IPCA é medido mensalmente pelo IBGE para identificar a variação dos preços no comércio. Ele é considerado, pelo Banco Central, o índice oficial da inflação.

No Pará, estado cuja média de rendimento per capita é de míseros R$ 883 (5ª pior do país), alimentação (27,78%), transporte (18,15%) e aluguel (15,35%) têm peso significativo no orçamento das famílias. Juntos eles sequestram R$ 61,28 de cada R$ 100 que entram no bolso da população do estado, segundo o IBGE.

O Blog apurou que, no mês passado, enquanto a renda do trabalhador seguiu em franca estagnação, o preço dos alimentos subiu 0,3% e já acumula alta em 2021 de 2,25%. Já o custo do aluguel disparou 1,66%, acumulando alta de 0,7%. No caso dos gastos com aluguéis, o acumulado está menor que o aumento de março porque, em meses anteriores, a inflação do setor de habitação vinha despencando.

Enquanto isso, as despesas com transporte, puxadas pelo aumento desenfreado dos combustíveis, não param de crescer. Em março, o aumento foi de 2,56% no Pará, e a alta acumulada já chega a 5,78% em apenas três meses completos do ano. Atualmente, o paraense gasta mais com locomoção do que, por exemplo, com aluguel, que sempre foi um dos vilães do orçamento das famílias brasileiras.

Outro serviço que disputa preferência com o pão de cada dia no bolso na população é o de saúde. Os paraenses gastam 12,75% do que ganham com ela, que praticamente se manteve estável em março (aumento de 0,03%), ainda assim acumula alta de 1,44% em 2021. As despesas com educação, por sua vez, já subiram 5,6% este ano, mesmo com as constantes restrições impostas ao retorno de aulas presenciais por efeito da pandemia de Covid-19. E os artigos de vestuários subiram 3,95% este ano.

Pandemia encolhe as vestes

Por outro lado, os gastos dos paraenses com produtos e serviços de três nichos comerciais está diminuindo. A pandemia afetou sensivelmente o setor de festas e eventos, em razão das medidas de distanciamento social, o que, por efeito cascata, bateu à porta do setor de vestuário. Sem festas e eventos para ir, os paraenses estão se recolhendo mais em casa e causando prejuízo a quem vive da venda de roupas e calçados, que teve de baixar os preços em 0,52% em março e acumula baixa de 1,12% no ano. Gastos com comunicação também foram reduzidos em 0,6% no mês passado e 0,66% no ano. E as despesas pessoais caíram 0,14% em março e 0,06% no ano.

Ainda assim, com inflação crescente no contexto geral, o paraense que, na média, sobrevive com menos de um salário mínimo vigente (R$ 1.100), vai tentando se equilibrar na atual gangorra da economia, a qual tem enfrentado tempos difíceis dada a disseminação acelerada do coronavírus. A maior das desvantagens é o fato de que, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário mínimo necessário para um paraense sobreviver deveria ter sido, em março, de R$ 5.315,74, seis vezes acima do atual rendimento revelado pelo IBGE. A realidade, no Pará, é dura e cruel.