Cultura: O encontro entre Pará e Maranhão em “Desaglomerô”, single de estreia de AQNO

Trabalho do artista marabaense Diego Aquino tem fortes influências dos dois estados e será lançado no final de agosto nas plataformas digitais
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Nome bastante conhecido da noite no sudeste paraense, Diego Aquino, que daqui por diante assume a identidade AQNO, lança nesta quinta-feira (26) o single “Desaglomerô”. O trabalho autoral do artista nasceu em meio ao ápice da instabilidade política e sanitária que o País atravessa e já chega cheio de significado.

Embora explore alguns sentimentos potencializados pelo isolamento social, “Desaglomerô” foge da melancolia e é um hit dançante, característica das performances de AQNO nos palcos. O single chega cheio de referências rítmicas do Pará e do Maranhão e é uma mistura que o artista define como ‘breggae’, um encontro do nosso brega com o reggae maranhense. “Este casamento de gêneros musicais, que flerta com beats eletrônicos, resultou num ‘breggae’ envolvente”, conta.

Já o videoclipe, vem com uma plástica de ficção científica típica dos anos 1970 e 1980, protagonizada pelo próprio AQNO, em uma narrativa que inicia na interferência de seres extraterrestres na programação da televisão. Ao longo da produção, o roteiro sugere como momentos de caos são capazes de provocar profundas mudanças emocionais e comportamentais.

“Ignoro a tentativa de comunicação, mas o episódio me afeta e me coloca num estado gradual de mutação à medida em que me relaciono com o ambiente de isolamento, acessando diversos sentimentos, como ansiedade, revolta, delírio, apatia, loucura e carência, até enfim chegar ao estado final, caótico e fantástico da mutação”, adianta o artista.

Como o próprio AQNO define, é um projeto que segue uma vertente Pop-Amazônica-Psicodélica, justamente por ser uma mistura de manifestações musicais tão enraizadas no sudeste paraense. Tanto single quanto videoclipe foram gravados e produzidos em São Luís (MA) e têm elementos latinos, como metais e uma pitada da guitarrada amazônica. “Marabá é um lugar completamente atravessado pela relação entre Pará e Maranhão e fizemos em Desaglomerô um casamento intuitivo de dois gêneros populares desses estados. Posso citar como referência artistas clássicos do brega paraense, como Wanderley Andrade, Banda Calypso e Companhia do Calypso e do reggae maranhense, como a banda Reprise”, avalia.

“Desaglomerô” tem produção musical do multi-instrumentista Sandoval Filho, que também assumiu guitarra, bateria, contrabaixo, teclado e programações do trabalho, que também tem participações dos músicos Derkian Monteiro, Sarah Byancci e Thalysson Nicolas nos metais, com gravações no BlackRoom Studio (São Luís/MA).

O Álbum

O single “Desaglomerô” é um mostra do que vem por aí no álbum “O Retorno de Saturno”, álbum de estreia de AQNO. Todo o contexto astrológico do videoclipe está presente na essência do álbum, outra característica que acompanha AQNO inclusive nas ruas relações pessoais. “Aproveitando o momento de caos em meio à pandemia em que compus ‘Desaglomerô’, decidimos conectar o roteiro do videoclipe ao tema do álbum e criar uma atmosfera de ansiedade e solidão, na qual o personagem é afetado pelo contato com seres saturninos, representando o retorno de saturno, passando por esse processo de metamorfose”, conta AQNO. O trabalho trará 11 canções autorais e tem previsão de lançamento para 24 de setembro. Os projetos foram viabilizados por meio da Lei Aldir Blanc, da Secretaria de Estado de Cultura do Pará (Secult/PA).

O artista

Natural de Gurupi (TO), Diego Aquino tem na cidade de Marabá (PA) o seu berço artístico. Vivendo na cidade há 17 anos, o artista tem construído uma trajetória de sucesso com apresentações em casas noturnas, festivais de música e grande eventos. Hoje, com 33 anos de idade, AQNO também tem assumido cada vez mais um protagonismo sócio-político no meio artístico. Enquanto homem gay, vivendo com HIV há seis anos, ele usa sua voz e visibilidade para desmistificar esses e outros assuntos com seu público. Seu trabalho tem traços marcantes de referências como Lenine, Elis Regina, Clara Nunes, Caetano Veloso, Secos e Molhados e Novos Baianos, até lendários artistas paraenses como Fafá de Belém, Wanderley Andrade, Companhia do Calypso, além de artistas internacionais como A-ha, Queen e Michael Jackson.

(Tay Marquioro – Assessoria de Comunicação)