COVID-19: Desde o final de março Ministério da Saúde aprova o uso da Cloroquina

Não se sabe, entretanto, por que, inexplicavelmente, o fármaco, não venha sendo empregado no combate ao vírus que já ceifou 2.906 vidas no País, onde quase 46 mil pessoas estão infectadas
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on print

Continua depois da publicidade

Embora o uso da Cloroquina, no combate aos efeitos da COVID-19 no organismo humano, venha sendo objeto de polêmica entre médicos e pesquisadores, e até tenha virado alvo de discussões políticas, o emprego desse fármaco é recomendado na Nota Informativa número 5, do Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos (DAF) da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde (SCTIE), do Ministério da Saúde, que aconselha seu uso, como terapia adjuvante no tratamento de formas graves da COVID-19.

Logo, não se sabe o motivo de a Cloroquina não estar sendo empregada pelos médicos no combate à doença, que, até às 18 horas desta quarta-feira (22), já havia infectado 45.757 brasileiros e ceifado a vida de outros 2.906, conforme dados do Ministério da Saúde.     

A nota considera a pandemia ocasionada pelo novo coronavírus humano (COVID-2019), declarada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), e a situação epidemiológica brasileira, e leva em conta, ainda, a inexistência de terapias farmacológicas e imunobiológicos específicos para COVID-19 assim como a taxa de letalidade da doença em indivíduos de idade avançada em razão da insuficiência de alternativas terapêuticas especificamente para essa população.

Considera também a nota, publicações recentes com dados preliminares sobre o uso da Cloroquina e hidroxicloroquina em pacientes com COVID-19, ressaltando o que é um tratamento de baixo custo, de fácil acesso e também facilmente administrada.

A Nota Informativa número 5 do SCTIE/DAF afirma levar em consideração a capacidade nacional de produção de cloroquina pelos laboratórios públicos brasileiros em larga escala e da capacidade de abastecimento do medicamento em nível estadual e municipal e informa que a Cloroquina e o seu análogo hidroxicloroquina são fármacos derivados da 4-aminoquinolonas, clinicamente indicados para o tratamento das doenças artrite reumatoide e artrite reumatoide juvenil (inflamação crônica das articulações), lúpus eritematoso sistêmico e discoide, condições dermatológicas provocadas ou agravadas pela luz solar e malária.

A apresentação farmacêutica da Cloroquina varia entre 50mg e 150mg, enquanto a da hidroxicloroquina é de 400mg. Ambos são fármacos administrados pela via oral ou injetável, no caso da Cloroquina, podendo se distribuir extensamente pelos tecidos. São metabolizados pelo complexo de isoenzimas CYP do fígado e possuem meia-vida de eliminação por volta de 60 dias (cloroquina) e 50 dias (hidroxicloroquina) com depuração predominantemente renal. Os resíduos desses fármacos podem perdurar semanas ou meses no organismo.

Algumas publicações cientificas internacionais têm sugerido que esses fármacos podem inibir a replicação de SARS COV, por meio da glicosilação terminal da Enzima Conversora de Angiotensina 2, produzida pelos vasos pulmonares, que pode afetar negativamente a ligação vírus receptor.

Com relação ao SARS COV 2, foi demonstrado que após 6 dias de tratamento com hidroxicloroquina (e hidroxicloroquina em associação com azitromicina), 70% dos pacientes estava sem detecção viral em relação ao grupo controle, o que em caráter preliminar, pode sugerir um potencial efeito antiviral no coronavírus humano.

Em uma recente revisão sistemática rápida foi observado o efeito da Cloroquina na inibição da infecção viral por meio do aumento do pH endossômico, permitindo assim a fusão viral/celular.

Ademais, também foi observado que esse medicamento contribuiu para a prevenção da disseminação do vírus em culturas celulares. Os modelos animais incluídos nesta revisão mostraram que a cloroquina e hidroxicloroquina podem interromper a infecção viral.

Os eventos adversos relatados a longo prazo devido ao uso da Cloroquina incluem retinopatia e distúrbios cardiovasculares. Considera-se que o uso de Cloroquina ou de hidroxicloroquina pode ser seguro, embora, a janela terapêutica (margem entre a dose terapêutica e dose tóxica) seja estreita.

O seu uso deve, portanto, estar sujeito a regras estritas, e automedicação é contraindicada.

Neste sentido, com base na Lei n. 13.979 de 06 de fevereiro de 2020, na Medida Provisória nº 926 e Decreto nº 10.282, ambos datados, a posteriori, 20 de março de 2020, que alteram a Lei já publicada, o Ministério da Saúde do Brasil disponibilizará para uso, a critério médico, o medicamento cloroquina como terapia adjuvante no tratamento de formas graves, em pacientes hospitalizados, sem que outras medidas de suporte sejam preteridas em seu favor.

A presente medida considera que não existe outro tratamento específico eficaz disponível até o momento. Importante ressaltar que há dezenas de estudos clínicos nacionais e internacionais em andamento, avaliando a eficácia e segurança de Cloroquina/hidroxicloroquina para infecção por COVID-19, bem como outros medicamentos, e, portanto, essa medida poderá ser modificada a qualquer momento, a depender de novas evidências científicas.

Observações importantes

A Nota Informativa recomenda realizar ECG (eletrocardiograma) antes do início da droga e acompanhar durante toda a internação o intervalo QT, pois a cloroquina pode aumentar esse intervalo, especialmente se utilizada com outras drogas que prolongam o QT. A suspensão se dará por avaliação clínica individualizada.

Na presença de insuficiência renal ou insuficiência hepática graves, reduzir a dose de Cloroquina para 50%.

Critérios para a primeira distribuição da Cloroquina na rede SUS

 Com o aumento dos casos da COVID-19 e a velocidade de transmissão do coronavírus no Brasil, projeta-se para a primeira distribuição um quantitativo calculado com base no número de casos notificados no último boletim oficial do MS e um estoque de reserva.

Portanto, o quantitativo enviado a cada Estado e Distrito Federal, será suficiente para atender de imediato os pacientes hospitalizados e para o pronto atendimento de novos casos.

Fator embalagem do difosfato de cloroquina – caixa com 500 comprimidos. Cada paciente receberá 2 blister com 10 comprimidos, para evitar fracionamento. Nenhuma UF receberá menos de 4 caixas (2.000 comprimidos). O medicamento será distribuído pelo Ministério da Saúde às Secretarias Estaduais de Saúde, que realizarão o envio aos hospitais de referência de sua região.

A Nota Informativa número 5 é assinada pela diretora do DAF/SCTIE, Sandra de Castro Barros, e pelo secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde, do MS, Denizar Vianna de Araújo, e datada de 27 de março último.

Publicidade