Coronavírus: um risco real para a saúde humana e a economia global

Problemas na China podem refletir como uma catástrofe no Brasil
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Brasília – O diretor da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo disse que ainda é cedo para medir o impacto do coronavírus como nova epidemia no crescimento global. Ele concentrou seus comentários em desafios mais concretos e muito próximos, como as tensões comerciais – apenas atenuadas neste momento – e o impasse com os Estados Unidos a respeito do Órgão de Apelação da OMC. Em Brasília, o Ministério da Economia tem motivos especiais, para estar muito atento a essas questões e a qualquer nova possível ameaça que pode afetar de maneira catastrófica a economia do Brasil.

A epidemia de coronavírus na China, que derrubou o mercado financeiro no início dessa semana, acendeu um alerta em diversos países. Como se trata de um novo vírus, é preciso monitorar os casos chineses e decidir que protocolos serão adotados. Não é diferente no Brasil. Até esta terça-feira (28), o Ministério da Saúde havia confirmado nove casos suspeitos da doença em seis estados diferentes e descartado outras quatro notificações. A Anvisa ampliou a composição do Grupo de Emergência criado para monitorar o coronavírus.

Homem usa produto para desinfetar área em Qingdao, em Shandong, que responde por mais 8% do PIB chinês/Reuters

A Organização Mundial da Saúde (OMS) havia classificado o vírus, inicialmente, como risco global moderado, mas mudou a avaliação para elevado, levando em conta elementos como a gravidade da doença, velocidade de disseminação e capacidade de enfrentamento. O vírus já matou 132 pessoas e infectou mais de 6 mil em 18 países.

Como ainda é difícil de prever quais serão as consequências do coronavírus, tanto no que tange ao tratamento da doença quanto a implicações mais complexas para a comunidade global, é preciso estar informado sobre o vírus.

O que é o coronavírus?

Coronavírus é uma família de vírus que pode causar desde uma gripe comum até doenças respiratórias mais graves, como a Síndrome respiratória aguda grave (Sars, na sigla em inglês).

Existem casos confirmados de coronavírus no Brasil?

Não. O Ministério da Saúde não confirmou nenhum caso de coronavírus no país até esta quinta-feira (30).

Há casos suspeitos? Onde?

Sim. Foram confirmados nove casos suspeitos no país até terça (28), segundo o Ministério da Saúde. Os pacientes que são monitorados estão em Minas Gerais (1), Rio de Janeiro (1), Santa Catarina (2), São Paulo (3), Paraná (1) e Ceará (1).

Todos se enquadram nos critérios que são aplicados pelo Ministério da Saúde: passaram pela China nos últimos 14 dias e apresentaram sintomas, como febre ou problemas respiratórios. A pasta recebeu até o meio-dia desta quarta um total de 33 notificações por parte de hospitais e demais equipes de saúde, 20 das quais já foram excluídas. Outros quatro casos (três no Rio Grande do Sul e um no Paraná) foram classificados como suspeitos, mas a contaminação já está descartada.

Por que existe diferença entre os números do Ministério da Saúde e secretarias estaduais?

A diferença entre os números apresentados pelas secretarias estaduais e o Ministério da Saúde se deve ao momento de notificação dos casos suspeitos à pasta. Os números passam por constante atualização, o que pode gerar discrepâncias.

Como ocorre a transmissão do coronavírus?

Como se trata de um vírus, a transmissão se dá, em geral, por contato próximo de pessoa a pessoa. E como é um vírus que ataca o trato respiratório, o contágio ocorre pela via aérea, contato da mão com a boca ou olhos, pelo espirro ou tosse de uma pessoa infectada.

Quais são os sintomas?

Os sintomas clássicos são febre e dificuldade para respirar. Em casos mais graves, o paciente pode desenvolver a síndrome respiratória aguda grave (Sars) e insuficiência renal.

É possível que pessoas infectadas pelo novo tipo de coronavírus descoberto na China não apresentem sintomas – uma indicação de que pacientes podem transmitir a doença sem saber que estão infectados, o que pode dificultar a contenção do surto.

Quais são os critérios definidos pelo ministério da Saúde para investigar casos suspeitos?

Segundo o Ministério da Saúde, os pacientes se enquadraram na atual definição de caso suspeito para novo coronavírus (nCoV-2019), estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), apresentam: febre, pelo menos um sinal ou sintoma respiratório e viajaram para área de transmissão local nos últimos 14 dias.

Como se prevenir?

O coronavírus geralmente causa sintomas respiratórios. Por isso, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda:

  • Evitar contato com pessoas infectadas;
  • Higiênica básica das mãos, como lavar as mãos com água e sabonete;
  • Quando tossir ou espirrar, levar o braço até a boca;
  • Evitar contato com animais vivos na natureza;
  • Lavar as mãos após o contato com um animal;
  • Garantir que carnes estejam bem cozidas antes de consumi-las. Quais são os níveis de classificação de risco?

Existem três níveis de classificação de risco sobre a propagação e transmissão do vírus:

Nível 1 – alerta: quando existe um risco elevado de contaminação pelo coronavírus, mas não há casos suspeitos.

Nível 2 – perigo iminente: é determinado quando existem casos suspeitos.

Nível 3 – emergência em saúde pública: esse nível só entra em vigor quando forem confirmados casos de transmissão no país.

No Brasil, o governo aumentou o nível de alerta para o nível 2, de perigo iminente. Segundo o Ministério da Saúde, a OMS aumentou o nível de alerta para alto em relação ao risco global do novo coronavírus.

A orientação é que viagens para a China devem ser realizadas apenas em casos de extrema necessidade. Com quase três mil casos confirmados, segundo o boletim da OMS de 27 de janeiro, todo o território chinês passa a ser considerado área de transmissão ativa da doença.

Existe tratamento?

Não há tratamento e nem vacina específicos para este novo coronavírus, mas a OMS afirma que os sintomas podem ser tratados. A detecção do vírus ocorre a partir de um exame de exclusão, em que é descartada a existência de outros tipos de vírus como influenza, já que não existe uma co-infecção.

Há risco de contaminação por encomendas vindas da China?

Não há possibilidade de contágio simplesmente por receber encomendas vindas da China. A principal forma de transmissão é de uma pessoa para outra pelas vias aéreas. Por isso é necessário cuidado ao tossir e espirrar, cuidados com a higiene pessoal e uso de álcool em gel. O coronavírus, assim como o vírus da gripe, tem uma estimativa de vida de 24 horas fora de um corpo.

Fake news sobre o coronavírus se espalham

Estão sendo compartilhados via redes sociais e aplicativos de mensagens inúmeras fake news sobre a transmissão e formas de cuidado sobre o coronavírus. As mensagens oferecem soluções caseiras para prevenção e cuidados em caso de infecção. Algumas delas são repassadas como se fossem informações de diretores de hospitais ou infectologistas. Caso tenha sintomas, procure a rede de assistência médica e informe-se sobre ter contato com pessoas que viajaram à china ou outras áreas afetadas.

China tem voos cancelados, e OMS avalia emergência

Companhias aéreas estrangeiras cancelaram voos de e para a China, diante da propagação do coronavírus, e empresas suspenderam viagens de executivos ao país. A medida impacta a indústria global de aviação, que cresceu na última década puxada pela demanda chinesa. Tido até agora como menos letal porém mais contagioso que o da Sars, o vírus atingiu 7.711 pessoas e deixou 170 mortos em menos de um mês na China. O Brasil tem nove casos suspeitos. Passageiros que chegaram ontem a São Paulo vindos da Ásia, muitos com máscara, relataram preocupação com a doença. A OMS decide hoje se vai declarar a epidemia uma “emergência global”.

Grandes companhias aéreas estrangeiras estão cancelando voos para a Ásia ou restringindo operações. A medida é uma resposta ao aumento dos casos de coronavírus e à queda na demanda por viagens à China.

Nos últimos dez anos, a indústria global de aviação cresceu puxada pela demanda da China, o maior mercado de viagens internacionais e o segundo maior de aviação doméstica. O setor, que já havia sentido o impacto da crise do 737 MAX, sofrerá novo golpe com o avanço do coronavírus, avaliam especialistas.

Reportagem: Val-André Mutran – Correspondente do Blog do Zé Dudu, em Brasília.

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