Com incentivo da Vale, Canaã e Parauapebas recebem oficinas de criação de pássaros juninos

O projeto vai criar os cordões de pássaros Arara Azul, em Canaã dos Carajás, e a Arara Vermelha, em Parauapebas. As oficinas começam nesta quinta-feira (6)
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Com o apoio do Instituto Cultural Vale, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, o projeto de Criação de Pássaros e Bichos Juninos, coordenado pela guardiã Laurene Ataíde, vai realizar oficinas em Canaã dos Carajás e Parauapebas, onde serão criados novos cordões de pássaros. As atividades para implantação dos pássaros juninos iniciaram em dezembro de 2021.

As oficinas começaram nesta quinta-feira (6) e contam com a orientação de Laurene, uma das principais articuladoras de fomento e visibilidade dos pássaros juninos, considerada uma manifestação genuinamente paraense, que voltou a ganhar destaque depois do I e II Festivais de Pássaros e Outros Bichos, realizados respectivamente nos anos de 2016 e 2017, em Belém. Por meio do Projeto Colibri, além das instruções sobre a criação e importância dos cordões de pássaros, os participantes, entre jovens, crianças, adultos e idosos, também receberão materiais necessários à confecção de indumentárias e adereços que serão usados nas encenações dos grupos.

As oficinas seguem até março e finalizarão com apresentações nas comunidades de Canaã, Parauapebas e também em Belém. Em Parauapebas será criado o cordão de pássaros Arara Vermelha e, em Canaã dos Carajás, o Arara Azul.

A oficina de Parauapebas começou nesta quinta-feira, na Associação Ramos de Karate (ARPAK). A Oficina de Canaã dos Carajás inicia nesta sexta-feira (7), no Centro Cultural da Funcel.

Para Laurene Ataíde, essa manifestação cultural dos paraenses não pode parar. “Por si só, a cultura dos pássaros juninos já é uma forma de resistir, já que resgata a história de um povo, traz mensagens de preservação da natureza e ajuda os jovens, adultos e crianças a terem confiança em si mesmos e a participarem de forma ativa da arte, a mantendo uma tradição cultural, além de trazer benefícios à economia local”, ressalta a guardiã.

Sobre as oficinas, ela enfatiza que é uma alegria poder retornar com as atividades. “Esse circuito é importante pra nós, pois vamos levar os pássaros juninos às comunidades que precisam ter momentos lúdicos como esses. Levar essa manifestação para lugares onde não existe, onde o povo não conhece, é de grande relevância”, acrescenta Laurene, que reinventou o Cordão de Pássaro Colibri de Outeiro, para que pudesse continuar com as atividades no formato virtual durante a pandemia.

Para a gerente do Instituto Cultural Vale, Christiana Saldanha, apoiar esse projeto é muito gratificante. “A Amazônia possui uma fauna exuberante. Uma rica variedade de pássaros e um imaginário colossal traduzido em sua cultura. Para o Instituto Cultural Vale, que foi criado para a salvaguarda de nossos bens culturais e levá-los a mais pessoas, é uma alegria estar ao lado do Cordão de Pássaro Colibri do Outeiro nesse belo trabalho que vai levar a tradição dos cordões de pássaros para Parauapebas e Canaã dos Carajás. Que, juntos, possamos preservar esta manifestação popular folclórica paraense e mantê-la viva, encantando a todos por onde passa”, destaca Christiana Saldanha, observando que o projeto tem o patrocínio, via edital e também Lei de Incentivo à Cultura, do Instituto Cultural Vale, que está apoiando mais de 145 projetos por todo o país.

Origem

O teatro do pássaro ou teatro caboclo como também é conhecido, tem sua origem no Theatro da Paz, quando ainda no rico período da borracha, vinham as grandes óperas europeias para se apresentarem na capital paraense. Para estudiosos e pesquisadores acadêmicos, a população carente viu as óperas e começou a reproduzir, mas do lado de fora do teatro.

Outra explicação para a origem dessa cultura popular é que foi uma readaptação feita por negros alforriados e viúvas que iam para as óperas com o intuito de vigiar as filhas dos senhores da borracha, dentro do Theatro da Paz. É chamado de ópera cabocla porque os personagens encontrados nas histórias são do universo da corte real, como a rainha, as princesas, os reis, os duques, fadas, mas também estão presentes as figuras dos caboclos, dos índios e diversos personagens das lendas amazônicas. A programação do projeto Colibri de Outeiro pode ser acompanhada pelas redes sociais: @cordao.de.passaro.colibri (Facebook e Instagram).

Tina DeBord- com informações do Colibri de Outeiro