Coluna Direto de Brasília #Ed. 187 – Por Val-André Mutran

Uma coletânea do que os parlamentares paraenses produziram durante a semana em Brasília
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Após a exposição mediática proporcionada a senadores cuja produção legislativa envergonha os eleitores dos estados que os elegeram; sem propostas, sem projetos e muitos sem vergonha, querem novamente montar o circo da CPI da Covid-19 versão ano eleitoral

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Protocolada
O pedido partiu do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que protocolou o requerimento de nova CPI, nos moldes da ocorrida em 2021. Para uma CPI ser criada, são necessárias as assinaturas de um terço dos 81 membros do Senado. Ou seja, 27 senadores.

Fiadores…
Interlocutores do parlamentar amapaense garantem que ele conta com a influencia política dos três mosqueteiros de plantão, Renan Calheiros (MDB-AL), Omar Aziz (PSD-AM) e Eliziane Gama (Cidadania-MA), para recolher as 27 assinaturas regimentais.

…ocultos
E, de forma oculta, como fiador Randolfe dobra a aposta e faz a fezinha que o Supremo Tribunal Federal não lhe faltará, exatamente como ocorreu na edição do espetáculo mambembe de 2021, quando o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), se ajoelhou e aceitou a descabida interferência do STF na independência do Senado, obrigando a abertura da CPI circo.

Extensa lista
A ansiedade para a montagem do picadeiro e lubrificação da lâmina da guilhotina já está em curso. A execração pública se justifica porque já há uma lista extensa de convocados. O amapaense da Rede Sustentabilidade declarou que o primeiro a ser convocado será o procurador-geral da República, Augusto Aras. Se a CPI sair do papel, Aras terá de se submeter à metralhadora verbal do próprio Rodrigues, de Calheiros, Gama e outros menos cotados como Humberto Costa (PT-PE) e companhia. Em seguida, será a vez do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. E lista seguem sem fim.

Fatos novos e determinados
Outro que aproveitou o recesso para conquistar os seus cinco minutos de fama, que desapareceram após o término da CPI do ano passado, foi o relator da CPI da Pandemia, Renan Calheiros. Ele declarou apoio à proposta de Randolfe, de uma nova CPI, opinando que já existem “fatos novos e determinados” que justificam sua abertura.

Calheiros sendo Calheiros
O alagoano listou como justificativa: o “Boicote à vacinação infantil, apagão de dados no Ministério da Saúde, tocado por um sabujo, além da explosão de casos. Bolsonaro é um delinquente reincidente. O Congresso está omisso diante do resgate do genocídio. Eles só respeitam CPI”, disse o senador, que se expressa como um cangaceiro, referindo-se ao presidente Jair Bolsonaro e ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.

De mãos vazias
Às vésperas de completar um ano à frente da Presidência do Senado e do Congresso Nacional, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) aproveitou o recesso parlamentar para constatar pessoalmente que não tem absolutamente nada para apresentar ao respeitável público, embora seja pré-candidato à Presidência da República.

Faz de conta
Pelo sim, pelo não, é melhor um pássaro na mão que dois voando. E, como por milagre e para tentar desfazer a fama de “engavetador-geral do Senado”, Pacheco apareceu nesta semana com a seguinte conversa: “Reforma tributária deve ser a primeira matéria na volta do recesso”.

Presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), ao centro, recebe o relatório da PEC 110, da reforma tributária| Foto: Pedro Gontijo/Agência Senado

Engavetador-geral
Pacheco engavetou no ano passado, as reformas administrativa, tributária e a reforma do Imposto de Renda. O relatório da PEC 110/2019, da reforma tributária, foi apresentado pelo relator, senador Roberto Rocha (PSDB-MA) em 5 de outubro de 2021.
Em acerto de Pacheco com o colega presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Davi Alcolumbre (DEM-AP), a matéria foi colocada numa gaveta trancada a chave, desde então.

Guido Mantega, Nelson Marconi, Affonso Celso Pastore e Henrique Meirelles: os economistas de Lula, Ciro, Moro e Doria, respectivamente.| Foto: Reprodução

Os gurus econômicos dos candidatos
O que une o pensamento dos “gurus” da economia adotados pelos candidatos que disputarão a Presidência da República?
— Todos contra Bolsonaro é a principal “tese” econômica.
Com postulados batizados com nomes de tratados econômicos, naturalmente supervisionados pelos marqueteiros das campanhas.

Importante pra burro
“Via do social-desenvolvimentismo”, “Plano nacional de desenvolvimento pactuado entre os setores público e privado”, “Estado forte (não significa ser grande)”, crescimento com “Aperfeiçoamento das instituições”. Economistas que assessoram os quatro pré-candidatos à Presidência: Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Ciro Gomes (PDT), Sergio Moro (Podemos) e João Doria (PSDB), expuseram suas visões para o setor, em artigos publicados recentemente num jornalão da velha imprensa paulista. Como se vê, os títulos tentam transformar cada um dos pré-candidatos em seres “importantes pra burro”.

Bancada do Pará I
Membros da Bancada do Pará visitando as regiões paraenses atrás de apoios e votos. Em quatro anos muitos nada fizeram nos municípios que agora visitam na maior cara de pau. Dizem que é porque está havendo escassez de óleo de peroba nas respectivas praças.

Bancada do Pará II
Lideranças de regiões historicamente insatisfeitas e rebeldes do estado, andam dizendo, em falas reservadas, que não votarão em candidatos foras de seus redutos. Essa conversa é velha e só convence os incautos. Basta um bem articulado parlamentar aparecer com as credenciais certas, ou seja, R$ R$ R$, que tudo se ajeita.

Bancada do Pará III
Entretanto, não será fácil a reeleição para deputado federal de 70% da bancada paraense. Nomes conhecidos e outros que estão despontando como novidades no cenário político, especialmente do sul e sudeste do Pará, vão surpreender muitos postulantes no dia da contagem dos votos.
A decisão para a única vaga ao Senado e as 17 cadeiras na Câmara dos Deputados que cabem ao estado do Pará será conhecida em 2 de outubro, logo no 1º turno.

Três no 2º turno
Aliás, por falar em turno eleitoral, tramita no Senado, projeto de emenda constitucional (PEC nº 29/2021), que altera o artigo 77 da Constituição Federal para determinar que os três candidatos mais votados no primeiro turno concorram ao segundo turno das eleições presidenciais. O autor do projeto é o senador Oriovisto Guimarães (Podemos-PR).

O que faz um deputado federal?
Vídeo curto produzido pela Agência Câmara dos Deputados, resume o que faz um deputado federal. Confira.

O que faz um deputado federal?

Amnésia pós-pleito I
Um dos fenômenos diagnosticados por uma pesquisa que ajuda a explicar porque a maior parte dos brasileiros sofre de um mesmo mal depois das eleições: a amnésia pós-pleito, explica também porque essa massa eleitoral vota tão mal.

Amnésia pós-pleito II
Segundo sondagem da empresa de pesquisas Ideia Big Data, 79% dos eleitores do país não se lembram nos candidatos em que votaram para o Congresso Nacional em 2014. Se for repetida, é capaz que o número seja ainda pior, quanto ao levantamento de 2018.

Amnésia pós-pleito III
Apenas 15% deles afirmam que acompanham o desempenho dos parlamentares que ajudaram a eleger. “A crise de representatividade é um problema global, mas isso é uma coisa muito brasileira”, afirma Maurício Moura, presidente da Ideia Big Data.

Pesquisa do Ideia Big Data revela que 79% dos eleitores do país sofrem de amnésia pós-pleito. Simplesmente não se lembram nos candidatos em que votaram para o Congresso Nacional nas últimas eleições

Números
Para 84% dos entrevistados pela pesquisa, os membros do Congresso não representam o povo brasileiro e, para 73%, eles não trabalham em prol dos interesses da Nação. Por outro lado, a população parece dividida com relação aos resultados das próximas eleições. Para 35%, o Congresso eleito em 2018 seria melhor do que a formação anterior, para 39% não haverá qualquer diferença e para 26%, será pior.

Novatos tem mais chance?
O colunista discorda totalmente da pesquisa ao analisar a tabulação feita sobre o quesito “novatos”. Segundo a sondagem, os novatos na política podem sair em vantagem: 10% dos entrevistados apontam que não ter um passado na política é um atributo valioso para o próximo pleito. Agora, se esse grupo vai chegar até lá é outra história. Em 2022 seria o ano da renovação política no Brasil? Provavelmente não. A Ideia Big Data ouviu 5.003 pessoas em 37 cidades do Brasil. A margem de erro é de 1,95% para mais ou menos.

Efemérides
A Coluna informa que não existe efemérides nessa semana e envia abraços a todos os leitores.

De volta na semana que vem
Estaremos de volta na próxima semana publicando direto de Brasília, as notícias que afetam a vida de todos os brasileiros, com as reportagens exclusivas aqui no Blog do Zé Dudu.

Como a vacina já está disponível para todos, tome as três doses do imunizante e continue usando máscaras, álcool em gel nas mãos e evite lugares onde houver aglomeração de pessoas, mesmo ao ar livre.
Cuide de sua saúde e da sua família. Um ótimo final de semana a todos, especialmente os aniversariantes da semana.

Val-André Mutran – É correspondente doBlog do Zé Dudu em Brasília.
Contato: valandre@agenciacarajas.com.br
Esta Coluna não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Zé Dudu e é responsabilidade de seu titular.