Cidades do Pará são as piores do Brasil em saneamento básico, revela Trata Brasil

Instituto divulgou nesta terça (23) panorama do saneamento no país e resultado: Pará é 2º pior, Grande Belém é a 2ª pior e São Félix do Xingu e Portel são os piores dos piores.
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Há pouco mais de um mês, o Blog do Zé Dudu traçou o panorama do saneamento básico do Pará (veja aqui), a partir de dados lançados na ocasião pelo Sistema Nacional sobre Saneamento Básico (SNIS), gerido pelo Ministério do Desenvolvimento Regional. O Blog destacou com serenidade que a vergonha do Pará e seus municípios se consagraria com um estudo sobre o tema do Instituto Trata Brasil, referência nacional no assunto.

Não deu outra: o Instituto Trata Brasil acaba de divulgar nesta terça (23) dados e análises quentes sobre a situação do saneamento no país que confirmam o alerta feito pelo Blog. Os dados são de 2017, os mesmos analisados em março por este portal de notícias, e trazem uma situação aterradora: o Pará e seus representantes, os municípios, estão literalmente na fossa quando o assunto é saneamento. Municípios com prefeituras pobres e ricas, todos estão em situação vexatória, em condições quem os tornam verdadeiras pocilgas urbanas.

O estado tem, hoje, o 2º maior déficit de água encanada, já que 54,7% da população não têm acesso ao líquido precioso que sai da rede geral. Só o Amapá, com 62,9% de sua população sem água, ostenta condição mais lastimável. Em se tratando de esgoto, este corre a céu aberto para 93,7% da população paraense. Só Rondônia, com 95,5%, tem situação mais crítica.

Saneamento “assassino”

O Pará é um dos lugares brasileiros mais distantes da política de universalização do saneamento básico. A falta de investimentos secular nessa área, tanto dos sucessivos governantes do estado quanto dos prefeitos, tratou de sepultar o estado sob escombros de dejetos. É como se em pleno século 21 o Pará vivesse no século 19 no tocante a saneamento, atraindo para si uma legião de doenças e mazelas decorrentes da escassez de água potável e de tratamento de esgotamento.

Não muito distante da realidade do Pará está a Grande Belém, região metropolitana com as mais precárias condições de saneamento do país entre as metrópoles e segundo lugar no geral. Em Belém, de acordo com os dados compilados pelo Trata Brasil do SNIS, 44,6% não têm água encanada e 91,4% não têm acesso a esgoto. Esses percentuais só não são piores que os registrados em Macapá (AP), onde a situação é ainda mais degradante.

Lamentavelmente, segundo o Trata Brasil 31.510 paraenses adoecem anualmente em decorrência da falta de saneamento e 91 morrem acometidas por doenças relacionadas à veiculação hídrica. E as complicações de saúde não respeitam se o município é menos ou mais populoso, rico ou pobre.

No recorte do Trata Brasil que considera os municípios mais populosos do Brasil, todos os municípios paraenses destacam-se negativamente. Belém, Ananindeua, Santarém, Marabá, Parauapebas, Castanhal e Abaetetuba estão, sem tirar nem pôr, entre os piores da nação. A situação é tão grave que, em Parauapebas, segundo o Trata Brasil, está uma das mais elevadas incidências de doenças decorrentes da ausência de saneamento, que internaram 113 pessoas em 2017 e levaram cinco a óbito no mesmo ano.

Nem em Marabá, onde as taxas de saneamento são mais tímidas que em Parauapebas, não se viu uma situação do tipo. Com muito mais habitantes que Parauapebas, Marabá apresentou apenas 40 internações em 2017 decorrentes de problemas com saneamento e nenhum óbito, conforme apontam dados do Ministério da Saúde.

Piores municípios do Brasil

O Blog do Zé Dudu contabilizou um a um os 839 municípios brasileiros com mais de 50 mil habitantes destacados pelo Instituto Trata Brasil para compor a radiografia do saneamento e chegou à triste conclusão, expressa em números e indicadores: dos 25 piores municípios brasileiros em saneamento, 16 (ou 64%) são do Pará. E não é só isso: os campeões são as localidades de São Félix do Xingu e Portel.

Em São Félix, rei do gado brasileiro por ser o maior produtor e, agora, detentor do título de rei da falta de saneamento, 98,1% da população não sabem o que vem a ser água encanada e 100% da população convivem com esgoto a céu aberto. Parece contrassenso o detentor do maior rebanho nacional e um dos maiores produtores de leite e carne viver assim, à míngua na área do desenvolvimento social, mas é apenas mais um recorte das políticas gravemente equivocadas implementadas (ou não) no Pará.

O mesmo ocorre em Portel, segundo pior município brasileiro em saneamento básico. Maior produtor nacional de commodities de extração vegetal e segundo maior produtor mundial de açaí, como já destacado aqui mesmo no Blog (veja aqui), Portel tem 97,1% de sua população desprovidos de água encanada e 100% de seus moradores não sabem o que é rede de esgoto.

Moju, Igarapé-Miri, Breu Branco, Viseu, Itaituba, Vigia, Tailândia, Santana do Araguaia, Itupiranga, Abaetetuba, Capanema, Bragança, Alenquer e Monte Alegre são os outros representantes paraenses para os quais o esgoto corre a céu aberto, livre, leve e solto e nos quais a oferta de água encanada é tão precária que se conta nos dedos os privilegiados. O Pará escancara suas mazelas em todas as pesquisas de desenvolvimento e em todos os indicadores nos quais se insere.

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