Carnaval: Estácio de Sá apresenta sinopse do enredo para 2020

A pedra será tema do Carnaval da escola, e Parauapebas, com seu minério de ferro, será mostrada pela escola na Sapucaí.
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A Escola de Samba carioca Estácio de Sá apresentou, na noite da última quarta-feira, dia 31 de julho, para imprensa, diretoria, segmentos e convidados, a sinopse do seu enredo para o Carnaval 2020.

“Pedra” será o tema que a escola vai levar para a Marquês de Sapucaí no ano que vem e marcará a volta da carnavalesca Rosa Magalhães na vermelha e branca do morro de São Carlos aonde assinou os enredos “O ti-ti-ti do sapoti”, em 1987, e outros dois desfiles seguintes: “O boi dá bode” , em 1988 e “Um, dois, feijão com arroz” no ano de 1989. A Estácio de Sá será a primeira escola a desfilar no domingo de carnaval 23 de fevereiro.

Conhecendo o tema

A pedra, para o ser humano, representa a permanência do tempo. A camada externa e dura da Terra, a rocha. A beleza sólida desse material é a essência de nosso planeta. E foi essa beleza sólida que nossos ancestrais usaram como caminho para registrar suas passagens pelo mundo.

Descobriu-se a beleza dos diamantes, de tantas pedras preciosas ou semipreciosas e do ouro. Foi esta uma das primeiras atividades de exploração dos homens no Brasil, mais precisamente em Minas Gerais, no século XVIII. A partir de 1771, criou-se a Real Extração, sob o controle da Coroa portuguesa, decreto que durou até mesmo depois da Proclamação da Independência. Foram as primeiras pedras que trilhamos no nosso caminho.

E vamos seguir pela estrada de Minas, pedregosa, afirmou emocionada Rosa Magalhães, esclarecendo que o poeta Carlos Drummond de Andrade nasceu e cresceu em Itabira, em Minas. Da janela de seu quarto, costumava observar o perfil montanhoso cujo destaque era o pico do Cauê.

‘’Chego à sacada e vejo minha serra, a serra de meu pai e meu avô, a serra que não passa … Essa manhã acordo e não a encontro britada em bilhões de lascas…”

Fora-se a Pedra, engolida pelo enorme trem, fora-se a pedra do poeta.

Outro escritor mineiro, Guimarães Rosa, enfocou “a biodiversidade do cerrado e o relevo constituído pelo calcário, rocha maleável e moldável pela ação das águas. O Morro da Garça só emite recados porque é uma pirâmide no meio de Minas e de uma história imemorial do garimpo, da pecuária, dos boiadeiros viajantes e da surda vidência sertaneja.”

Parauapebas

Outra pedra que faz parte do nosso caminho é a Serra dos Carajás. Recebeu o nome de seus antigos moradores – os índios Carajás. Segundo suas crenças, eles nasciam do interior do solo – solo rico e pedregoso, repleto de grutas. Quando nasciam, saíam desse mundo subterrâneo para ir habitar a superfície.

A região é uma pedra enorme toda feita de ferro, e em seu entorno nascem pequenas cidades. Segundo uma artesã do Centro Mulheres de Barro, na cidade de Parauapebas, surgiram muitos conflitos por aquele rico pedaço de chão.

A própria cidade é um amálgama de pessoas vindas de todos os cantos do Brasil. Vêm do norte e do nordeste, do sul e do sudeste, vêm do centro e vêm do leste. Todas sonhando em extrair daquela terra as muitas riquezas que ela guarda. E acabam também formando uma amostra da variedade do povo brasileiro.

A rocha mais antiga que conhecemos uma lasca com pouco mais de dois centímetros, foi coletada na Lua pelos astronautas da nave Apollo. Tem quatro bilhões de anos. A nossa Terra, vista da Lua, ainda é linda, azulzinha… Até quando? Questiona Rosa Magalhães.

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