Caixa retoma imóveis do Minha Casa em Marabá cadastrados em nomes de defuntos

Paulo Costa – correspondente do blog em Marabá

Entre os ganhadores 1.410 casas do Residencial Tiradentes, financiado pelo governo federal através do Programa Minha Casa Minha Vida, havia defuntos. Isso foi constatado num bloco de 56 casas que acabam de ser retomadas pela Caixa Econômica Federal, que constatou a existência de fraude. Segundo a Secretaria de Assistência Social da Prefeitura (Seasp), após levantamento criterioso, ficou constatado que os cadastrados na gestão do ex-prefeito Maurino Magalhães não se enquadravam no perfil exigido pelo governo federal.

Muitos sequer moram em Marabá, outros têm renda superior a R$ 1.600, boa parcela não compareceu às convocatórias da prefeitura e várias foram cadastradas em nomes de pessoas que já morreram.

Segundo a assistente social Walkysmar Costa, da equipe de coordenação do “Minha Casa, Minha Vida”, a Caixa está liberando os novos contratos para os mutuários assinarem e ocuparem as casas durante esta semana. As 56 moradias já foram redistribuídas para mutuários que haviam sido inscritos, mas que excederam o número de beneficiados. De acordo com a assistente social, o critério de prioridade beneficiou mulheres chefes de família, idosos, cadeirantes e outros.

TIRADENTES

As 1.410 casas populares do Residencial Tiradentes começaram a ser entregue dia 8 de junho deste ano, custando mais de R$ 70 milhões aos cofres públicos, segundo estimativa da CEF, beneficiando cerca de 6 mil pessoas. Por sinal, a entrega das casas havia sido prevista para o aniversário da cidade, que transcorreu dia 5 de abril.

Nos dois residenciais do Minha Casa Minha Vida – Vale do Tocantins e Tiradentes – as queixas continuam. Os moradores fazem reclamações de toda ordem, como a dona de casa Kélvia Duarte Moreira, presidente da Associação dos Moradores do Residencial Tiradentes, a qual critica o abastecimento de água no Tiradentes: “Temos o líquido apenas das 5 da manhã às 6 horas e das 16 às 17. Não sei por que estão controlando nossa água. Eles alegam o tempo inteiro que é essa bomba queimada. Mas, se fosse ela, não teríamos água de forma alguma”.

O engenheiro civil Tiago Batista Koch, coordenador da parte de engenharia da prefeitura, garantiu que sua equipe está fazendo inspeção nos residenciais Vale do Tocantins e Tiradentes, no tocante ao saneamento, esgoto e toda a infraestrutura. Segundo ele, a obra não foi executada como deveria ser.

“O governo Maurino Magalhães assumiu compromissos que não poderia”, ressaltou. A prefeitura desprovida de recursos próprios cadastrou os residenciais citados nos ministérios da Saúde e da Educação, buscando recursos federais para construção de escolas, creches e postos de saúde, ainda segundo o engenheiro.

“Com o recurso próprio não teríamos condições de manter a obra”, disse Batista, lembrando que a presidente Dilma Rousseff, não veio para a inauguração do empreendimento por conta da falta dos aparelhos públicos prometidos, como creche, escolas etc.

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