Coluna

Bolsonaro e o polêmico vídeo do carnaval

Não votei em Jair Bolsonaro pra presidente do Brasil. Continuo achando-o incompetente, incapaz e demagogo.  Mas ele soube aproveitar a maré baixa e navegou em águas rasas, discursando com inteligência e prometendo atender os desejos da maioria da população de um país desgastado pela corrupção e faminto por melhorias.

Nosso presidente, isso não se pode negar, não tem papas na língua. Usa as redes sociais com veracidade, mostrando que, certo ou errado, é, pelo menos, autêntico. Todavia, em uma situação doidivana, veiculou durante o Carnaval em sua página oficial no Twitter um vídeo contendo cenas de um inconsequente sujeito manipulando o ânus em público e recebendo um banho de urina de um suposto parceiro.  A postagem do presidente foi taxada de “loucura” por vários congressistas, por boa parte da imprensa local e internacional.

Eleito com quase 58 milhões de votos, Bolsonaro é isso, acima de tudo polêmico. O caráter do presidente não o deixa ficar de fora de polêmicas e isso não vai mudar de um dia para o outro. Várias opiniões surgiram logo após a postagem. Muitas criticando a atitude do presidente, outras apoiando.

Em minha opinião, o questionamento a ser feito é se o presidente deveria se meter em polêmicas ou não. Certamente seria mais tranquilo para o presidente (e principalmente para o assessor de imprensa do Planalto) que este fosse omisso com relação a assuntos polêmicos, mas esse não é o perfil de Bolsonaro e não esperem dele a omissão. Certo ou errado, com razão ou sem, Bolsonaro vai continuar usando sua página no Twitter para mostrar ao povo brasileiro que o Brasil precisa mudar. Não se trata mais de atitudes demagógicas para vencer uma eleição, trata-se de uma maneira de ser.

Eu, e acredito que a maioria da população, não postaria e/ou criticaria os personagens do tal vídeo se fosse presidente do Brasil. Certamente muitos dirão que o presidente tem muito mais o que fazer (e realmente tem). Mas Bolsonaro é diferente, e não esperem dele sensibilidade para saber a hora certa de digitar no Twitter ou de soltar uma aberração qualquer durante entrevista aos jornalistas. Lembre-se que ele só se elegeu porque foi autêntico. Cobrar parcimônia dele agora seria ser tão inconsistente quanto algumas ações dele à frente da presidência.

Lógico que a oposição vai tripudiar em cima da postagem. Haverá comparações com outros presidentes, manipulações da intenção dele ao publicar o vídeo e, talvez, até tentativas de removê-lo do cargo.

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