Bolsonaro desafia STF no 7 de setembro em discurso em Brasília e São Paulo

Partidos convocam reuniões para discutir impeachment
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Milhares de brasileiros se deslocaram de suas cidades para o protesto contra atos dos poderes judiciário e legislativo

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Brasília – Após participar ao lado de ministros da cerimônia cívico-militar no Palácio da Alvorada, comemorativa ao transcurso dos 199º da independência do Brasil, o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), discursou a apoiadores durante a manhã desta terça-feira, no feriado de Sete de Setembro, em Brasília e depois se deslocou para São Paulo, marcando presença na manifestação que ocorreu na Avenida Paulista.

No Rolls Royce presidencial dirigido pelo tricampeão de Fórmula 1 Nelson Piquet, Bolsonaro se desloca do Palacio do Alvorado em direção à Esplanada dos Ministérios

Diferentemente do que fez pela manhã em Brasília, Bolsonaro criticou nominalmente o ministro do STF, Alexandre de Moraes, e dirigiu críticas também à Corte e ao sistema eleitoral. Além da capital paulista, foram registrados intensos protestos no Rio de janeiro, Brasília e outras capitais.

O mandatário desafiou o Supremo Tribunal Federal (STF) ao afirmar que não vai cumprir ‘mais’ decisões do ministro Alexandre de Moraes, ministro relator do inquérito das Fake News, considerado ilegal por inúmeros juristas.

Aos manifestantes, Bolsonaro afirmou que não vai “mais admitir que pessoas como Alexandre de Moraes continuem a açoitar a nossa democracia e desrespeitar a nossa Constituição”. “Dizer a esse ministro que ele tem tempo ainda para se redimir. Tem tempo ainda de arquivar seus inquéritos. Sai Alexandre de Moraes, deixa de ser canalha, deixa de oprimir o povo brasileiro”, completou. Ainda sobre Moraes, o presidente afirmou que não cumprirá decisões tomadas pelo ministro e cobrou que o que chamou de “presos políticos” sejam colocados em liberdade, em referência a apoiadores que foram alvos de mandados recentes no chamado “inquérito dos atos antidemocráticos”, também relatado por Alexandre de Moraes.

Jair Bolsonaro mais uma vez cobrou reformas no sistema eleitoral brasileiro e classificou os moldes atuais do pleito como “uma farsa”. “Não podemos admitir um sistema eleitoral que não oferece qualquer segurança por ocasião das eleições […]. Nós queremos umas eleições limpas, democráticas, com voto auditável e contagem pública dos votos. Não posso participar de uma farsa como essa, patrocinada ainda pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral”, emendou, criticando outro desafeto do STF, o ministro Luís Roberto Barroso que preside o Superior Tribunal Eleitoral que Alexandre de Moraes assume no ano que vem em plena eleição.

Ao final de sua fala, Bolsonaro disse “àqueles que querem me tornar inelegível em Brasília, só Deus me tira de lá” e que nunca será preso.

Opositores reagem

Dirigentes de partidos de oposição como MDB, Cidadania, PSDB e Solidariedade foram às redes sociais e publicaram que convocariam para quarta-feira (8), reuniões de suas respectivas executivas nacionais para discutir o impeachment do presidente por “crime de responsabilidade”.

O artigo 85 da Constituição diz que o Chefe de Estado que não cumprir leis e decisões judiciais incorre no crime de responsabilidade sendo passível de impedimento a partir de processo que se inicia na Câmara dos Deputados.

Uma “enxurrada” de mensagens nas redes sociais cobraram um posicionamento do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), que estava voando de Maceió para Brasília. Na quarta ele preside a sessão que prossegue a votação do Novo Código Eleitoral.

Autoridades do Palácio do Planalto informaram que não haverá reunião do Conselho da República na quarta, corrigindo a fala do presidente mais cedo em Brasília.

A manifestação dos opositores ao governo do presidente Jair Bolsonaro protestaram na área do entorno da Torre de TV, em Brasília, e no Vale do Anhangabaú, em São Paulo. Criticaram o atraso na vacinação contra a Covid-19, o desemprego, a carestia da conta de luz, dos alimentos e dos combustíveis e gás de cozinha. Cartazes atribuíram ao presidente a responsabilidade por um “genocídio” no país logo após o início da pandemia do novo coronavírus no ano passado.

Caravanas

Vários ônibus e carros particulares se deslocaram de várias cidades do Pará para os atos de protesto em Brasília. O deputado federal Joaquim Passarinho (PSD-PA), esteve no acampamento montado na área da Granja do Torto que recebeu caravanas de muitas cidades paraenses. Veja o vídeo.

Reportagem: Val-André Mutran – Correspondente do Blog do Zé Dudu em Brasília.