Após atacar base da PF, garimpeiros incendeiam aldeia de liderança Munduruku

O clima é tenso no município de Jacareacanga, no sudoeste do Pará. Revoltados com as operações realizada pela Polícia Federal e Ibama no combate a extração ilegal de minério nas Terras Munduruku, garimpeiros atacaram uma base da PF e incendiaram a aldeia da líder da comunidade, que vem recebendo ameaças de morte
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on print
Garimpeiros incendeiam aldeia de líder Munduruku em Jacareacanga, no sudoeste do Pará

Continua depois da publicidade

Em represália as operações realizadas pela Polícia Federal (PF) e Instituto Brasileiro de Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de combate a extração ilegal de minério nas Terras Munduruku, em Jacareacanga, no sudoeste do Pará, garimpeiros atacaram a tiros e com fogo a casa da líder da aldeia, Maria Leusa. A ação aconteceu nesta quarta-feira (26), após eles realizarem investidas contra um posto da PF no município.

Na hora do ataque, Maria Leusa chegou a pedir socorro e relatou a ação violenta dos garimpeiros e também de alguns indígenas Munduruku à sua comunidade. “Venham, por favor, está uma confusão, vão queimar minha casa. Adonias [Munduruku] está dando tiro no cais, em todo lugar. Eles estão dando tiro, por favor, me ajuda”, relatou Maria Leusa Munduruku, em mensagens por áudio por volta das 13h. Em seguida, a comunicação de internet foi cortada. Ela mora na aldeia Fazenda Tapajós, perto de Jacareacanga.

Em imagens depois divulgadas pelas redes sociais mostram a casa de Maria Leusa destruída pelo fogo e, em foto tirada do outro lado do rio Tapajós, é possível ver ao longe a coluna de fumaça saindo da aldeia. A Terra Indígena Munduruku é alvo de uma grande operação contra garimpo envolvendo agentes da Polícia Federal, do Exército, da Força Nacional e do Ibama.

Segundo a PF, os agentes que estão na região informaram que o grupo de garimpeiros, que conta com o apoio de indígenas favoráveis a exploração de minério, tinha aproximadamente cem integrantes. Munidos de paus e pedras, tentaram invadir a base da corporação montada na região e incendiar viaturas.

Os policiais reagiram com bombas de gás lacrimogêneo. Ninguém foi preso. A Polícia Federal informou que fez um sobrevoo na área e identificou os pontos de garimpo ilegal.

Informado da situação tensa na área, o governador do Pará, Helder Barbalho, autorizou o envio de tropa da Polícia Militar, para auxiliar as forças federais. Os crimes investigados são de associação criminosa, exploração ilegal de matéria-prima pertencente à União e delito contra o meio ambiente.

Tina DeBord

Publicidade