AMEPA rebate críticas da OAB

A Amepa – Associação dos Magistrados do Estado do Pará – entidade que congrega a judicância estadual, vem esclarecer à sociedade sobre o desvirtuamento de discurso efetivado por alguns órgãos de classe, desta feita envolvendo o debate técnico-jurídico sobre a atuação do Conselho Nacional de Justiça e as decisões do Supremo Tribunal Federal.

Uma vez mais, causa estranheza juristas de plantão nominarem de “cortina de fumaça” a atuação das entidades associativas da magistratura nacional no episódio que envolve a invasão, ao arrepio da legislação vigente, de dados sigilosos de magistrados, servidores e familiares, todos protegidos constitucionalmente.

As argumentações momentaneamente opostas entre o CNJ e o STF são corriqueiras do Estado Democrático de Direito e se, vez por outra, esbarrem em estados passionais, não podem ser encaradas como crise ou instabilidade do Poder Judiciário.

Ao contrário, são fruto de um amadurecimento democrático tendentes a fortalecer posicionamentos futuros.

Aproveitar o debate maduro para ganhar holofotes e se prevalecer do momento de exposição midiática é que não se adequam aos novos tempos. Os mesmos órgãos de classe que hoje bradam se imiscuindo no que não lhes cabe opinar, esquecem que há pouco tempo foram cobrados publicamente pela sociedade brasileira a dar explicações e quedaram inertes, envoltos em silêncio sepulcral.

Não se olvida que servidores públicos devem transparência no que percebem e na forma com que trabalham. Assim como, mesmo afastados de suas atividades, devem prestar conta do que recebem há mais de uma década para não exercer qualquer ato em favor do contribuinte que os remunera.

Órgãos de classe também deve explicar à sociedade porque despejam toda sua ira ao cobrar julgamentos com indevida exposição do Poder Judiciário, mas, internamente, vedam acesso público aos seus próprios julgamentos, deixando em tensa  bruma apurações de compras de imóveis, falsificações de assinaturas e percepção de proventos públicos.

O verdadeiro “ovo da serpente” em toda a celeuma em torno do tema é a independência da magistratura nacional, que vem sendo vilipendiada a cada oportunidade em que mostra seu vigor.

Por que interessa tanto expor que menos de 0,01% da classe da magistratura responde a procedimentos investigativos? Será que, de fato, há interesse público ou a intenção é emprestar a falsa conotação de que a exceção constitui regra?

O que as associações defendem nas ações e representações opostas contra o Conselho Nacional de Justiça, em especial à Corregedora Nacional, é o respeito à hierarquia administrativa brasileira, bem assim a inafastável cláusula de reserva jurisdicional, o que permite a todos os cidadãos indistintamente serem julgados pelo Poder Judiciário, não se admitindo tribunal ou juízo de exceção, primado constitucional.

Desse modo, novamente e como o fará em cada oportunidade em que as garantias da magistratura forem ameaçadas ou violadas, a AMEPA esclarece à sociedade paraense que está diuturnamente atenta a desfazer atos que ofendam a independência do Poder Judiciário.

Belém, 27 de dezembro de 2011

Heyder Tavares da Silva Ferreira
Presidente da AMEP

Posts relacionados

Nota de repúdio

A Associação dos Magistrados do Pará – AMEPA, por meio de seu presidente, vem a público prestar SOLIDARIEDADE ao Poder Judiciário do Amazonas e em especial ao Magistrado Luis Carlos Honório de Valois Coelho, responsável pela Vara das Execuções Penais de Manaus, ao tempo em que demonstra REPUDIO às irresponsáveis

Nota de repúdio

A Associação dos Magistrados do Pará – AMEPA, por meio de seu presidente, vem a público prestar SOLIDARIEDADE ao Poder Judiciário do Amazonas e em especial ao Magistrado Luis Carlos Honório de Valois Coelho, responsável pela Vara das Execuções Penais de Manaus, ao tempo em que demonstra REPUDIO às irresponsáveis ilações de parte da imprensa descompromissada sobre a conduta do julgador. Como bem destacado pela Associação dos Magistrados Brasileiros – AMB, a guerra violenta de facções no interior das casas

OAB cobra providências do TJPA para garantir que militantes do judiciário de Parauapebas trabalhem com segurança

O juiz Líbio de Araújo Moura (foto), titular da 1ª Vara Criminal de Parauapebas, solicitou e o Tribunal de Justiça do Pará deferiu sua remoção para a Comarca de Castanhal.  O juiz encontra-se de férias e deve assumir a Vara na Região Metropolitana de Belém somente em dezembro. São vários os motivos que levaram o magistrado a pedir sua remoção de Parauapebas. Um deles, claro, o desejo de crescer na carreira. Todavia, Dr. Líbio sai de Parauapebas sob ameaça, em

CNJ afasta juíza que manteve uma jovem de 15 anos presa em cela masculina no Pará em 2007

Decisão do Conselho Nacional de Justiça, o CNJ, pune a magistrada Clarice Maria de Andrade (foto) com pena de disponibilidade por manter uma menina em cela masculina. A juíza fica proibida de exercer suas funções, mas pode ser convocada a atuar, a qualquer momento, depois de pelo menos dois anos da punição. O fato ocorreu em 2007, quando uma mulher, Ana Júlia Carepa (PT) era a governadora do Pará. A jovem de 15 anos ficou presa por 26 dias em