Por Ulisses Pompeu – de Marabá
Uma professora de Geografia está há 50 dias no Hospital Municipal de Marabá apenas a espera de uma cirurgia que não chega nunca. Com pedras nos rins e uma diabetes preocupante, ele precisa passar por uma cirurgia eletiva a laser para remover as pedras, mas o município procrastina o caso, mesmo diante de uma intervenção do Ministério Público Estadual.
Assim como a professora, há outros 30 casos na mesma situação, segundo a paciente contou nesta quinta-feira à Reportagem do blog. A fila de cirurgias eletivas para as mais variadas doenças chega a mais de 3 mil pessoas à espera de um chamado para operar.
Mas o drama no Hospital Municipal de Marabá não para por aí. Um cartaz pregado no vidro da recepção do HMM já traz angústia e medo aos mais de 300 pacientes que procuram aquela casa de saúde por dia: “Greve: somente urgência e emergência”. De fato, pessoas como Celestino José da Silva, que aguardava na tarde desta quinta-feira, 13, um atendimento para seu pai, de 67 anos, voltam para casa frustrados. “Ele está com muita febre, dor de cabeça e vomitando. A gente vai no posto de saúde, os médicos não estão. Aqui, eles não atendem. Vamos recorrer pra quem?”, indagou.
Ainda na recepção do hospital, os pacientes masculinos não conseguem usar o banheiro porque está interditado. No feminino, outro problema: o vazamento da caixa de descarga recebeu uma gambiarra com luva hospitalar. Na região do Pronto Socorro, uma sala desmobilizada virou um criadouro do mosquito da dengue, com lodo e muita sujeira acumulada.
Dentro do hospital, o ambiente também é preocupante. As centrais de ar condicionado das enfermarias estão todas “pifadas” e os acompanhantes ou pacientes têm de levar ventilador de casa para não esturricar no sol quente. “Mesmo à noite, aqui tem mosquitos e sem ventilador não dá para ficar”, conta a professora de Geografia que está internada ou hospedada no bloco A.
Com mais de 20 pacientes superlotando o Pronto Socorro do HMM, o hospital se dá ao luxo de ter nas enfermarias camas quebradas sem condições de uso, conforme fotografou a Reportagem. Como as tomadas são poucas e os pacientes e acompanhantes tentam ligar seus aparelhos de celular para carregar, além dos ventiladores, há muitas tomadas danificadas, no risco de causar curto circuito.
E pra finalizar, a Reportagem também encontrou uma paciente coberta por um lençol em que está escrito: “Hospital Regional do Sudeste do Pará Dr. Geraldo Veloso”. Será que foi doação do HR ao HMM, ou como foi parar ali?
Em resposta, a Assessoria de Comunicação da Prefeitura Municipal de Marabá encaminhou a seguinte nota:
- Em relação à paciente professora de Geografia que está aguardando há 50 dias por cirurgia de retirada de pedras nos rins, assim como os demais 30 que aguardam por cirurgias de alta e média complexidade, todos dependem da liberação de leitos no Hospital Regional.
- Sobre os demais problemas relatados no HMM, a nova secretária de Saúde, Juliana Versiani de Souza, que assumiu a pasta nesta sexta-feira (23), já determinou que fosse feito levantamento da situação geral do hospital para tomar as providências necessárias a fim de regularizar o funcionamento da casa de saúde.
- A secretária também aguarda a ata de reunião do Conselho Municipal de Saúde, ocorrida ontem, quinta-feira (22), em relação à greve dos médicos da Humanitar, cujos representantes, convidados, não compareceram, para, então, junto com o prefeito João Salame, encontrar uma solução urgente para que o atendimento volte à normalidade.
