Vale confirma siderúrgica em Marabá; 10.000 empregos a caminho

Multinacional também afirma que vai construir nova ponte sobre Rio Tocantins, rasgando a cidade, mas diz em seu relatório que “projeto tem início previsto para 2027”; sociedade quer para 2023

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Com 12 menções no mais importante balanço da mineradora multinacional Vale, o Formulário 20-F, Marabá roubou a cena entre os medalhões do complexo minerador de Carajás. Para continuar se agigantando, a Vale depende fatalmente do principal município do sudeste do Pará e decidiu colocar de vez Marabá em planos futuros, tendo confirmado dois megaempreendimentos para começarem a rodar ainda nesta década. 

Quando as obras da siderúrgica Tecnored e da nova ponte rodoferroviária sobre o Rio Tocantins estiverem a todo vapor, Marabá poderá movimentar 10 mil postos de trabalho diretos e indiretos apenas no entorno dessas duas “novidades”, cujas propostas são velhas conhecidas do imaginário do marabaense. As informações são do Blog do Zé Dudu.

De acordo com a Vale, foi dado início este mês às obras da primeira fábrica comercial da Tecnored, subsidiária 100% com seu DNA e focada no desenvolvimento de um processo de ferro-gusa de baixo carbono por meio de fontes de energia como biomassa, gás de síntese e hidrogênio, que emitem menos gás carbônico em relação aos processos tradicionais de fabricação de gusa, como o carvão e o coque. 

“A planta terá inicialmente capacidade de produção de 250 mil toneladas por ano de ferro-gusa verde e poderá chegar a 500 mil toneladas no futuro. O start-up está previsto para 2025, com investimento estimado de aproximadamente US$ 374 milhões,” escreveu a Vale no relatório. A empresa confirma a siderúrgica nas páginas 9 e 112 do balanço, observando que o empreendimento vai auxiliá-la na meta de otimizar a redução de emissões de poluentes.

Concomitantemente à obra da siderúrgica, a Vale vai construir uma nova ponte sobre o Rio Tocantins, pleito antigo da sociedade de Marabá e que terá, além de novos trilhos, pista para circulação de carros, encurtando os obstáculos entre os núcleos Nova Marabá, o mais jovem, e São Félix, que tem explodido demográfica e comercialmente a níveis jamais imaginados.

A alta cúpula da mineradora aprovou no mês passado, de maneira oficial, a construção da ponte – até então, o que se tinha eram desejos que pairavam no ar desde a década passada. Com a nova ponte de trilho, a capacidade da Estrada de Ferro Carajás (EFC) será ampliada para transportar as “carradas” de minério de ferro saídas de Canaã dos Carajás, Parauapebas e Curionópolis.

Nova ponte: 2023 ou 2027?

O que não fica claro no relatório é quando, de fato, a ponte começará a ser erguida. O Blog do Zé Dudu apurou que a Vale escreveu na página 9 do 20-F que “o projeto tem início previsto para 2027”. No entanto, fontes de Marabá esperam que a estrutura começará a ser construída no início do ano que vem e que fique pronta em 2027, “com investimento total de US$ 830 milhões”, segundo a multinacional. Para a Vale, a segunda estrutura sobre o Rio Tocantins vai melhorar o fluxo de tráfego ferroviário, “além de mitigar os riscos do negócio”.

Sobre “os riscos do negócio”, a empresa destacou no relatório que qualquer interrupção da EFC ou do porto de Ponta da Madeira, no Maranhão, pode impactar significativamente sua capacidade de vender a produção extraída de Carajás. “Com relação à ferrovia Carajás, existe um risco particular de interrupção na ponte sobre o Rio Tocantins, na qual os trens circulam em uma única linha ferroviária,” admite a Vale.

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