Triste marca: No dia das 10 mil mortes por covid no Pará, veja municípios mais e menos letais

Vidas perdidas no estado em um ano de guerra contra maldito coronavírus seriam suficientes para erguer cemitério maior que 2.449 cidades brasileiras, 11 delas paraenses, apurou o Blog
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Um levantamento inédito realizado pelo Blog do Zé Dudu nesta quarta-feira (24), data em que o Pará crava a triste marca de 10 mil óbitos pela terrível Covid-19, mostra quais os mais e menos municípios letais para a doença causada pelo coronavírus. O Blog cruzou dados populacionais de 2020 com os números de óbitos registrados em cada município, com base em atualização diária do Governo do Estado, para montar a densidade de mortes e, também, de casos confirmados.

Vale ressaltar, no entanto, que o número de casos e óbitos computados pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) difere, por vezes, dos números divulgados pelos municípios, já que a pasta de saúde do governo estadual não raramente recebe os números encaminhados pelas prefeituras com atraso. Também difere dos dados do Ministério da Saúde, que, mesmo com atualizações diárias, são ainda mais defasados.

Também é importante revelar que as 10 mil mortes por covid no Pará registradas hoje são, lamentavelmente, suficientes para erguer um cemitério maior que 2.449 cidades brasileiras. Aqui no estado, 11 municípios têm população inferior às vidas perdidas em um ano de guerra contra o coronavírus, conforme apurou o Blog do Zé Dudu: Magalhães Barata (8.573 habitantes), Peixe-Boi (8.081), Palestina do Pará (7.582), Abel Figueiredo (7.486), Brejo Grande do Araguaia (7.368), Faro (7.070), Santarém Novo (6.753), São João da Ponta (6.217), Sapucaia (6.009), Pau D’Arco (5.410) e Bannach (3.262 habitantes).

Oeste do Pará com mortes em alta

Faro, no oeste paraense, tem a mais alta taxa de letalidade por Covid-19. No município de 7 mil habitantes, 27 pessoas já morreram. Parece algo normal, mas proporcionalmente não é. Se Faro fosse uma cidade do tamanho de Tucuruí, de 100 mil habitantes, já teriam morrido de Covid por lá 392 pessoas, o que seria um número absurdamente alto e assustador. Essa é, infelizmente, a densidade de mortes por habitante em Faro hoje: para cada grupo de 100 mil pessoas, 392 são sepultadas por Covid. Como Faro não tem 100 mil habitantes, a conta pode ser feita proporcionalmente assim: para cada grupo de mil moradores, três ou quatro morrem.

Também estão em situação crítica, com elevada mortalidade, os municípios de Juruti (234 óbitos por 100 mil habitantes), Terra Santa (232 por 100 mil) e Santarém (225 por 100 mil). Todos esses municípios, inclusive Faro, têm em comum o fato de se localizarem relativamente próximos a Manaus, que é uma das cidades brasileiras onde o coronavírus atingiu com mais força e berço de uma das variantes mais agressivas conhecidas do coronavírus, atualmente em circulação pelo país. Em Santarém, por exemplo, o vírus já sepultou 690 pessoas em um ano, 45% do total de habitantes que geralmente morrem, por todas as causas, no município em 12 meses.

Falta de atualização populacional

No pelotão dos dez mais letais estão, também, Belém (216 óbitos por 100 mil habitantes), Prainha (194 por 100 mil), Monte Alegre (187 por 100 mil), Altamira (168 por 100 mil), Canaã dos Carajás e Curuçá, estes dois últimos empatados (163 por 100 mil). No caso específico de Altamira e Canaã dos Carajás, as taxas reais de letalidade podem ser mais baixas porque a população atual desses municípios — por falta de atualização censitária — é superior, e muito, à estimativa oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), segundo quem Altamira possui 115 mil habitantes (quando, na realidade, tem 150 mil) e Canaã tem 38 mil (quando, em verdade, tem 65 mil).

O inverso disso também ocorre. Um dos dez municípios com menos mortes por Covid-19 tem a taxa subestimada porque sua população é maior que a realidade. É São Félix do Xingu, no sul do Pará. Lá, onde o IBGE diz haver 132 mil habitantes (mas, na realidade, tem apenas 80 mil), a densidade de óbitos pelo coronavírus é de 21 registros por 100 mil moradores.

É a 5ª mais baixa taxa do Pará, à frente apenas de Trairão (21 por 100 mil), Água Azul do Norte (14 por 100 mil), Santa Maria das Barreiras (14 por 100 mil), Cachoeira do Piriá (9 por 100 mil) e Chaves (8 por 100 mil). Chaves, aliás, tem o mesmo número de óbitos por covid que Bannach: 2. Mas a diferença é que o município marajoara tem quase oito vezes o tamanho da população de Bannach, que é o menos populoso do estado.

Curiosamente, enquanto os municípios paraenses mais letais por Covid-19 estão no oeste do estado, metade dos dez menos letais está na mesorregião sudeste. Além disso, os principais centros regionais têm, todos, média superior a 100 óbitos por 100 mil habitantes, isto é, entre cada mil infectados pelo coronavírus, pelo menos uma pessoa perderá a vida. É o caso de Marabá (104 por 100 mil), Barcarena (113 por 100 mil), Redenção (115 por 100 mil), Castanhal (117 por 100 mil), Itaituba e Parauapebas (ambos com 119 por 100 mil), Paragominas (121 por 100 mil) e Tucuruí (142 por 100 mil).

Confira a tabela de dados informados pela Sespa, com densidade de casos e óbitos, até a data de ontem, terça-feira (23), elaborada com exclusividade pelo Blog do Zé Dudu neste dia triste em que o Pará crava 10 mil falecimentos por Covid-19 em dias difíceis e de dor que parecem um pesadelo interminável.